Planeta dos Macacos: O Confronto | Crítica

planeta_dos_macacos_o_confrontoPoucas criações tecnológicas do cinema moderno são tão fascinantes quanto o macaco Caesar de Andy Serkis. Desenvolvido a partir da tecnologia de captura de movimentos, o personagem ganha vida nas mãos de um ator habilidoso no formato (Serkis também encarnou Gollum em O Senhor dos Anéis e até o próprio King Kong na versão de Peter Jackson) e é, novamente, o centro emocional do filme nesta sequência.

Nós o havíamos deixado em seu grito catártico próximo do final de Planeta dos Macacos: A Origem. Um sonoro não foi sua primeira palavra. A partir dali nenhum outro macaco aceitaria ser submetido ao tratamento violento e desumano reservado para as cobaias. Entretanto, embora a ideia de uma luta generalizada entre homens e macacos fosse visual e tematicamente atraente, ela acaba não acontecendo na escala esperada. Um vírus letal, nascido da mesma fórmula que criou os símios superinteligentes, se abate de forma irreversível sobre a humanidade, dizimando-a aos bilhões em todo o mundo.

A história de Planeta dos Macacos: O Confronto se passa dez anos após o filme anterior, quando apenas 1% da raça humana se mostra imune e capaz de sobreviver ao vírus. Malcolm (Jason Clarke) vive com sua parceira Ellie (Keri Russell) e o filho Alexander (Kodi Smith-McPhee) em uma pequena comunidade de sobreviventes liderada por Dreyfus (Gary Oldman) na devastada cidade de San Francisco.

XXX DAWN-PLANET-APES-MOV-JY-3806-.JPG A ENTDiferente dos outros filmes da franquia, neste aqui acompanhamos os principais eventos a partir do ponto de vista dos macacos, que formaram uma sociedade razoavelmente desenvolvida na floresta. Caesar, em uma versão mais experiente e envelhecida, é o respeitado comandante de cerca de dois mil símios. Entre eles estão Blue Eyes (Nick Thurston), seu filho, e Cornelia (Judy Greer), sua esposa. O brutal Koba (Toby Kebbell) retorna como o selvagem vice-líder do grupo.

Apesar de macaco, Caesar continua sendo o personagem mais humano e complexo da trama. Dividido entre o mundo que construiu junto aos outros de sua espécie e seu interesse pelos humanos, não consegue deixar de lado a tendência à compaixão que é inerente a si. Ao mesmo tempo, a convivência com os outros macacos criou nele um preconceito que espelha conscientemente a vida real. Em sua cabeça, todos os macacos são bons e os homens são maus e não merecem confiança. Com o tempo, acaba aprendendo que no mundo nada é assim tão bem definido.

É uma pena que nenhum dos outros personagens seja tão profundo ou bem desenvolvido. Desde o compreensivo Malcolm até o prático Dreyfus, o detestável Carver (Kirk Acevedo) e o vingativo Koba, que é a representação da mais pura maldade, todos parecem funcionar em prol de um texto rasteiro e de pouca imaginação.

planeta_dos_macacos_o_confronto3O núcleo humano é construído em cima de todos os clichês de histórias pós-apocalípticas, com a família bondosa que procura sobreviver ao caos, o líder que tem de tomar decisões difíceis apesar de suas boas intenções e o carinha babaca e insignificante que vai inevitavelmente botar tudo a perder. Quando a batalha realmente começa, é difícil saber por que devemos sentir pena daquelas pessoas que mal conhecemos e que pouco importam para nós. Claro que há o componente da preservação da espécie, que é sempre forte, mas seria muito querer um pouco mais de identificação com aquela gente?

No mundo dos macacos, o filho de Caesar é covarde e inexpressivo durante a maior parte do tempo, sem dizer exatamente a que veio. Com exceção de alguns primatas que apareceram no filme anterior, não chegamos a conhecer nenhum outro deles. Koba é apenas um maníaco psicopata cuja clara função é fazer cara feia, trair todo mundo e iniciar uma guerra. O que não é necessariamente ruim, mas a história da franquia parecia pedir bases mais concretas para esse confronto.

Tecnicamente, o longa é impecável. A fotografia enegrecida, que destaca os tons escuros e avermelhados, é bela, mas não o suficiente para esconder a devastação que se abateu sobre o planeta. Um verdadeiro triunfo de Michael Seresin, que também trabalhou em Gravidade. A direção de Matt Reeves também é competente, principalmente nas cenas de batalha. A tomada que termina com um macaco em cima de um tanque de guerra chega a ser impressionante.

planeta_dos_macacos_o_confronto4Contudo, no fim das contas, o único momento que faz menção ao personagem de James Franco é também o de maior potência emocional. Ferido, Caesar se esconde na casa onde passou a infância, relembrando um tempo em que sua relação com humanos era apenas de amor e amizade. Em nenhum momento este novo filme consegue recriar algo próximo da linda relação de Caesar com seu dono, que também sucumbiu devido ao vírus.

A história é presa demais ao funcionalismo do roteiro, sem tomar tempo para respirar e dar mais naturalidade às relações entre seus personagens. Devido a sua competência técnica e até narrativa, o filme acaba sendo superior à grande maioria dos blockbusters desta temporada, mas ficou longe de atingir todo seu potencial e tornar-se a mais memorável inserção da franquia.

Cotação-4-5Planeta dos Macacos: O Confronto - poster nacionalPlaneta dos Macacos: O Confronto (Dawn Of The Planet Of The Apes)

Direção: Matt Reeves

Roteiro: Mark Bomback, Rick Jaffa e Amanda Silver, baseado nos personagens de Rick Jaffa e Amanda Silver e no livro de Pierre Boulle

Elenco: Andy Serkis, Jason Clarke, Gary Oldman, Keri Russell, Toby Kebbell, Kodi Smit-McPhee, Kirk Acevedo, Nick Thurston, Terry Notary, Karin Konoval, Judy Greer, Jon Eyez, Enrique Murciano, Larramie Doc Shaw, Lee Ross, Keir O’Donnell, Kevin Rankin, Jocko Sims, Al Vicente, Matthew James, Richard King, Scott Lang, Deneen Tyler, Mustafa Harris, Lombardo Boyar, Mike Seal, J.D. Evermore, Chase Boltin, Michael Papajohn, Thomas Rosales Jr., Carol Sutton, Christopher Berry, Monica Rene’e Anderson, John L. Armijo, Jon Arthur, Blake Nelson Boyd, Joe Bravo, Edward J. Clare, Duane Cothren, Kurt Cotton, Steve D’Assis, Michelle DeVito, Santana Draper, Neil Durr, Jazzy Ellis, Joseph Fischer, Tina Gilton, Geraldine Glenn, Monica R. Harris, Alaine Huntington, Lucky Johnson, Mark Joyce, Sergio Kato, Angela Kerecz, Bobby Kerecz, Anthony A. Kung, Richie J. Ladner, Cynthia LeBlanc, Nicholas Leonard, John R. Mangus.

Gênero: Ação/Drama/Ficção

Duração: 130 minutos

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