Especial Cinelogin 3 anos: A crise criativa de Hollywood

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Star Wars – 1977

O ano era 1977. Nos cinemas, Star Wars provocaria não apenas uma revolução em aspectos artísticos, mas principalmente apresentaria Hollywood a novas possibilidades comerciais, como nunca havia se visto antes. O alcance dos filmes para além das portas dos cinemas, o comércio de produtos como brinquedos, roupas, jogos etc. fez o lucro dos estúdios aumentarem e transformou mais do que nunca a Sétima Arte num negócio. Pode-se dizer que nascia aí o chamado Cinema Comercial, amparado sobretudo pelo fenômeno dos “filmes de verão”, ou seja, grandes lançamentos anuais visando atrair grandes bilheterias e manter a roda do mercado girando. Os chamados blockbusters.

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De Volta Para o Futuro – 1985

A discussão entre os aspectos comerciais e artísticos dentro do cinema é velha. Os mais puristas veem com maus olhos a transformação da arte numa máquina de fazer dinheiro, afinal, o interesse financeiro jamais deveria limitar a mão do artista em passar a mensagem pretendida. Porém, quando se enxerga pelo outro lado, pode ser arriscado dar completa liberdade para os artistas saírem da zona de conforto e poder levar seu investimento para o buraco. Afinal, seria impossível conciliar os dois aspectos? Um filme com caráter puramente comercial seria um filme de menos valor?

As décadas seguintes ao primeiro Star Wars parecem provar que sim, já que vários blockbusters dos anos 80 se tornaram hoje verdadeiros clássicos e consagraram nomes como Steven Spielberg, George Lucas, Robert Zemeckis, entre outros. E tão inegável quanto o valor artístico de filmes como De Volta Para o Futuro, E.T. e Indiana Jones é também o fato de que todos foram feitos perfeitamente alinhados com a filosofia blockbuster. Estes diretores souberam como ninguém lidar com o lado comercial sem abrir mão de sua própria autoralidade, eventualmente até mesmo se tornando eles mesmos “cartolas” de grandes estúdios em Los Angeles.

Nos anos 90 a coisa começou a tomar outro rumo com o surgimento de grandes astros. Tom Cruise, Brad Pitt, Julia Roberts e Tom Hanks são nomes característicos. Se antes o que rendia lucro era “ir ver o novo filme do Spielberg“, nessa época os atores entraram no grande circuito. Foi a era das estrelas. Mesmo assim, o cinema seguia com sua produção criativa em alta, ainda que perdendo um pouco o brilho de outrora. A questão é que mesmo assumindo um caráter puramente comercial o cinema americano se mantinha como ativo contribuidor para a chamada “cultura pop”, gerando verdadeiros fenômenos espontaneamente, com histórias de roteiros originais, diretores e atores que eram sinônimo de sucesso comercial. Hollywood criava e lucrava.

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Matrix – 1999

Tudo isso mudou a partir dos anos 2000, quando as adaptações e os remakes começaram a dominar completamente sozinhas os grandes lançamentos do ano. Pare e pense comigo. Qual foi o último grande fenômeno cultural verdadeiramente original do cinema a surgir de Hollywood? A franquia Matrix, de 1999. E lá se vão 15 anos em que os grandes lançamentos se resumem a adaptações, remakes ou sequências de franquias já consagradas. Os nomes dos diretores e das grandes estrelas perderam força, já não significam retorno financeiro garantido para os estúdios. Na verdade, parece que estes conseguiram livrar o seu negócio da dependência dos artistas, já que é muito mais cômodo se apropriar de histórias consagradas em outras mídias, que já gozam de um vasto público, sendo um investimento muito mais seguro, digamos assim.

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Harry Potter – 2001

Quando Harry Potter e O Senhor dos Anéis se tornaram sucessos estrondosos, sendo sucedidos imediatamente pelas inúmeras adaptações de quadrinhos nos anos seguintes, enfim o casamento entre a máquina de fazer dinheiro e a autoralidade do cinema americano cessou. Não que haja algum problema com adaptações, remakes e sequências, mas é que a fórmula do lucro fácil que o grande mercado achou com eles mata qualquer potencial de surgir algo completamente novo outra vez. Resumindo, seria impossível hoje acontecer algo semelhante a Star Wars, ou mesmo Matrix. Esses filmes não são mais feitos, perderam espaço para a Liga da Justiça, ou o novo remake das Tartarugas Ninja.

Um pouco disso se deve também ao caráter nostálgico que inegavelmente caracteriza a atual geração. Somos adultos que sentem uma enorme saudade do passado, quando éramos crianças e achávamos o mundo muito mais divertido. Mas por outro lado isso nos prende demais ao que já passou e nos impede de olhar para frente, trancando nossa cultura pop numa eterna crise de criatividade. É sintomático.

E em meio a todo esse cenário, onde foram parar os diretores ditos autorais, você pode perguntar. Em nichos. Hoje nomes como Quentin Tarantino, Sofia Coppola e Spike Jonze ainda tem seu espaço, é claro, mas claramente correm por fora dos holofotes. E é com o intuito de apontar esses exemplos de oásis de criatividade que o Cinelogin apresenta em sua semana de aniversário artigos sobre alguns diretores desta geração que inegavelmente procuram ainda imprimir suas marcas autorais em Hollywood.

Quem sabe venha daí uma saída para esta crise de criatividade terrível que assola o grande mercado daquelas bandas.

Confira o especial “Diretores Autorais” do Cinelogin:

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