Transformers: A Era da Extinção | Crítica

TRANFORMERS: AGE OF EXTINCTIONNum mundo em que pessoas muito bonitas dirigem carros da GM em direção ao pôr do sol, os Transformers precisam se esconder do governo após a batalha que destruiu Chicago no terceiro filme da franquia. Com o objetivo de reconquistar o mundo apenas para os humanos, o agente da CIA Harold Attinger (Kelsey Grammer) bolou um plano para eliminar todos os robôs do nosso planeta: aliar-se a alienígenas ameaçadores e que querem nos destruir.

Essa é, sem tirar nem pôr, a premissa principal de Transformers: A Era da Extinção, o mais novo, maior, mais absurdo e claramente pior capítulo da infindável saga. Pelo menos até o momento.

Para quem já teve a chance de visitar o grande simulador dos Transformers no parque da Universal, em Orlando, é fácil resumir a experiência. Basicamente a mesma coisa, mas estendida por quase três horas, com mais explosões e menos movimentos da cadeira, infelizmente. E também há espaço para uma propaganda desavergonhada de uma certa marca de cerveja, além da Hasbro e da GM, que já estavam incluídas no pacote.

TRANSFORMERS: AGE OF EXTINCTIONDurante os primeiros quarenta minutos, é perceptível o quanto Michael Bay se sente mal ao ter que desenvolver uma história, por mais porca e óbvia que seja. Cade (Mark Wahlberg) é um inventor falido que procura criar algo com que consiga sustentar a filha Tessa (Nicola Peltz). Tessa usa shorts bem curtos e namora com o piloto Shane (Jack Reynor), o que faz com que o personagem de Wahlberg fique resmungando contra o relacionamento dos dois durante todo o filme.

Ao menos o alívio cômico potencialmente horrível morre com cerca de trinta minutos da projeção. E, para não ser injusto com o elenco, é preciso citar que Stanley Tucci é carismático e parece estar se divertindo no papel de Joshua Joyce, um empresário cuja bússola moral viaja de norte a sul com uma rapidez impressionante. Como todos os outros, é um personagem pessimamente construído, mas que não deixa de ter um estranho charme graças ao esforço do ator.

Toda essa verdadeira obra-prima narrativa Bay desenvolve com sua tradicional delicadeza, focando sempre a câmera nas partes sensuais da jovem Nicola e misturando piadas machistas com a clássica história familiar dos blockbusters hollywoodianos. Passadas as obrigações chatas, o diretor pode finalmente voltar a seu passatempo favorito: explodir coisas. A primeira delas é o tímpano do público. A segunda é a lógica. A terceira é a cidade de Beijing.

transformers_a_era_da_extincao3Embora os personagens humanos sejam mal desenvolvidos, muitas vezes acabam sendo menos irritantes que os próprios Transformers. Os Autobots são de novo particularmente idiotas, construídos em cima de estereótipos e frases feitas. Bumblebee (Mark Ryan), o reluzente Camaro amarelo, age como um maníaco a maior parte do tempo, desfilando uma voz mecanizada fina e irritante. Os Decepticons têm pouquíssimas falas nesse novo filme, então cumprem apenas seu papel de vilões de forma burocrática. O que não é ruim.

Os Transformers dinossauros, ou Dinobots, são a grande novidade do filme. Nascidos de um artifício muito mal explicado, que atribui o fim dos dinossauros a um ataque alienígena, são fortes e meio burros e permaneceram enterrados por milhões de anos, até o momento em que alguém teve a brilhante ideia de ganhar mais dinheiro lançando uma linha de brinquedos com dinossauros que se transformam em robôs de luta. No fim das contas, aparecem pouco no filme e têm a única função de salvar a pátria na inevitável e gigantesca batalha final.

O longa, que é apenas parcialmente insuportável em sua parte inicial, se torna completamente sonolento em sua segunda metade, mesmo com as batalhas e explosões ensurdecedoras. Michael Bay não é nenhum grande contador de histórias e por vezes se perde até dentro das cenas de ação, tornando-as confusas e repetitivas. A duração de mais de duas horas e meia certamente não ajuda em nada.

transformers_a_era_da_extincao4Aliás, com pelo menos mais dois filmes à vista e a megalomania de Bay cada vez mais à mostra, é preciso rezar para que o último não tenha 4 horas de duração nem envolva Power Rangers ou Godzillabots. Se bem que, pensando melhor, talvez a coisa fosse mais interessante dessa forma.

Cotação-1-5Transformers: A Era da Extinção - poster nacionalTransformers: A Era da Extinção (Transformers: Age of Extinction)

Direção: Michael Bay

Roteiro: Ehren Kruger

Elenco: Mark Wahlberg, Stanley Tucci, Kelsey Grammer, Nicola Peltz, Jack Reynor, Titus Welliver, Sophia Myles, Bingbing Li, T.J. Miller, James Bachman, Thomas Lennon, Charles Parnell, Erika Fong, Mike Collins, Geng Han, Zou Shiming, Richard Riehle, Patrick Bristow, Cleo King, Calvin Wimmer, Glenn Keogh, David Midthunder, Richard Gallion, Nick Horst, Kassem Gharaibeh, Ed Welburn, Yanis Kalnins, Pete Kelly, Jessica Gomes, Andreas Beckett, Alexander Leeb, Jamison Haase, Drew Wicks, Gene Shieh, Woei Bee, Wang Ying, Bill Wang, Melanie Specht, Abigail Klein, Greg Matthew Anderson, Victoria Summer, Lin Po Hung, Kevin Covais, B. Adam Baillio, Mikal Vega, Andrew Arrabito, Tyrone Smith, Kenny Sheard, Kevin Kent, Michael Wong, Winston Yeh Kingman, Ray Lui, Candice Zhao, Li Jun Ting, Howard Y. Woo, Jingsheng Yu, Ben Wang, Eddie San Chan, Zhang Tianyu, Teresa Daley, Peter Cullen, Frank Welker, John Goodman, Ken Watanabe, Robert Foxworth, John DiMaggio, Mark Ryan, Reno Wilson, Michele Sweeney Abrams, Lisa Belcher.

Gênero: Ação/Aventura/Ficção

Duração: 165 minutos

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Um comentário

  1. Quase fui embora do cinema. Nem foi pela demora do filme, foi por ser feito de besta, atraído por uma credibilidade dos filmes anteriores, dignos de clássicos de grande categoria por suas cenas de AÇÃO + SENSUALIDADE + PORRADAS + ARMAS POTENTES + CARROS! Ou melhor, mundo masculino! Agora nesse filminho, nos apresenta um cientista idiota que “melhora” a matéria metálica alienígena para criar metamórficos ridículos com efeitos “cardume de peixe” baratos para as transformações. Sem lógica, sem princípios físicos, sem ciência, apenas vômito de efeitos baratos. Evoluindo a história para o que tende a sepultar minha admiração, a que o Megatron revive com essa tecnologia besta.

    O filme ainda mantém o mundo masculino, delícias de se ver, mas é como ver estas qualidades inseridas num desenho da Pepa Pig. Muda o público alvo, igual se tornou Velozes e Furiosos. Lastimável.

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