Viva a Liberdade | Crítica

3-viva-la-libertà-01-distribution-servillo-mastrandrea-1280x754Um político depressivo que, em meio a uma eleição, está sofrendo uma forte pressão de seu eleitorado e dos membros do seu próprio partido toma uma decisão radical quando uma crise parece que vai explodir em suas mãos; larga tudo e decide se refugiar na casa de uma ex-namorada na França. Desesperado com a atitude de sua excelência, o assessor do fujão decide colocar em seu lugar, durante a campanha, o irmão gêmeo, uma figura peculiar que acaba de sair de um sanatório. Este é o enredo do novo filme de Roberto Andò, mais conhecido por ter sido assistente de Coppola, Cimino e Fellini.

Sim, a história se passa na Itália de Berlusconi e do El Duce, mas poderia ser em qualquer lugar. A crise política que se instaura na narrativa é bem semelhante à de muitos países democráticos. A temática serve de fundo para um olhar bem humorado e, por assim dizer, negro sobre duas pessoas distintas, que passaram a vida inteira tentando se diferenciar uma da outra, mas o destino, querendo ou não, acaba por sempre fazê-los vivenciar as mesmas experiências.

pic_20140325153751_vrteya73vtkOs italianos sabem muito bem como “escrachar” a sociedade e suas mazelas com bom humor. Muito antes de Federico e Scola, houve a Commedia dell’arte. Enrico e Giovanni (Toni Servillo) são dois “Douttores” ou “Capitanos” (dependendo da leitura), que, com ajuda de um “Arlecchino” (Valerio Mastandrea), enganam a todos com várias mentiras mirabolantes. As “Innamoratis” (Valeria Bruni Tedeschi e Michela Cescon) ajudam no que podem, e os “Vecchis” (partidários, políticos, elite italiana) e “Zannis” (população), caem como patinhos nas artimanhas.

Servillo, Il Divo, mais uma vez mostra por que é um dos melhores atores que surgiram nos últimos tempos. O fato de ser um ator vindo do teatro se estrutura perfeitamente com a linguagem de Andò, que também começou sua carreira nos palcos. O tom teatral está presente o tempo todo, mas, com a experiência de ambos e mais um elenco entrosado, cai como uma luva na narrativa. É delicioso ver como o humor se ondula com o tom de melancolia dos personagens, a história vai adentrando algo muito mais denso do que meros arquétipos tão batidos nesse tipo de estrutura narrativa.
00_viva_la_liberta_01_distributionTalvez seja esse o motivo do filme fugir do clichê hollywoodiano, que só pela passada de olhos na sinopse se deduz. Há algo muito mais profundo do que uma mera comédia de sessão da tarde. Há uma crítica política e social, com uma ironia elegante e debochada que só os descendentes de Carlos Goldoni sabem realizar com eficiência.

Cotação-4-5Viva a Liberdade - poster nacionalViva a Liberdade (Viva La Libertà)

Direção: Roberto Andò

Roteiro: Roberto Andò e Angelo Pasquini, baseado no romance de Roberto Andò

Elenco: Toni Servillo, Valerio Mastrandrea, Valeria Bruni Tedeschi, Michela Cescon, Gianrico Tedeschi, Eric Nguyen, Andrea Renzi, Judith Davis, Brice Fournier, Paolo Bessegato, Giulia Andò, Alessandro Averone, Vincenzo Pirrotta, Giovanni Lombardo Radice, Antonio Gerardi, Lucia Mascino, Saskia Vester, Stella Kent, Massimo De Francovich, Renato Scarpa, Anna Bonaiuto, Marielle de Rocca-Serra, Guillaume Faure, Olivier Martinaud, Tibor Radvanyi, Federico Torre, Federico Fellini.

Gênero: Comédia/Drama

Duração: 94 minutos

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