O Teorema Zero | Crítica

o_teorema_zeroPor que estamos aqui? Qual o sentido da vida? Nossa existência faz alguma diferença para o mundo? O homem, com o passar dos séculos, tem brincado de tentar responder a essas e outras perguntas fundamentais de diversas maneiras, seja através da ciência, mitologia, religião ou por meio de obras de arte, como livros, quadros, músicas e, finalmente, filmes.

Em O Teorema Zero, produção que chega aos cinemas brasileiros esta semana, o ex-Monty Python Terry Gilliam cria um mundo em completo colapso moral e ideológico, uma sociedade em que o principal objetivo de suas maiores corporações é provar a irrelevância do ser humano. Christoph Waltz encarna o funcionário antissocial Qohen Leth, incumbido de provar digitalmente que nossa existência equivale a nada, no projeto denominado teorema zero.

Não é a primeira vez que Gilliam trata de temas pesados e mais profundos em seus filmes. Também não é a primeira vez que retrata a burocrática e caótica sociedade inglesa por meio de uma sofisticada fantasia futurista. Basta relembrar obras como Brazil e 12 Macacos dentro de sua filmografia.

o_teorema_zero2Porém, este talvez seja seu filme em que a questão religiosa ganha mais proeminência. Leth evita sair de casa para não perder uma ligação telefônica que supostamente trará toda a verdade sobre sua razão de existir. O personagem espera essa ligação há anos. Sua maior ambição é negociar com a misteriosa Gerência (Matt Damon) um esquema de home office, em que não precise sair de casa em nenhum momento do dia.

A Gêrencia tem a força de uma divindade na história, aparecendo e desaparecendo de qualquer lugar, por vezes com figurinos que se camuflam comicamente em poltronas e papéis de parede. Ele está em tudo e sabe de tudo, principalmente graças a um engenhoso sistema de câmeras que lembra muito o Big Brother visto no genial 1984, de George Orwell. Há inclusive uma maldosa referência a Jesus em Bob (Lucas Hedges), filho da Gerência sacrificado ao culto da tecnologia e da eficiência.

O Teorema Zero, porém, acaba limitando as interessantes questões que levanta em um encerramento um pouco óbvio demais. O filme tem uma lição de moral obsoleta se comparada à complexidade da sociedade mostrada no filme. A mensagem final é a de que quem passa a vida inteira procurando uma razão de existir acaba deixando de viver a própria vida.

o_teorema_zero3Além disso, o cineasta em muitos momentos demonstra estar mais interessado nas possibilidades visuais desse mundo do que em explicá-lo ou caracterizá-lo como deveria. Personagens como a femme fatale Bainsley (Mélanie Thierry) e o falsamente simpático Joby (David Thewlis) são descartados por pura necessidade de roteiro e não através de um desenvolvimento orgânico da história. A primeira, inclusive, era a mais interessante dentro da história.

No final, O Teorema Zero acaba se consumindo em sua própria teoria sobre a insignificância. Embora o projeto tivesse bastante potencial, tudo se perde em uma colorida poça de ideias bem concebidas e mal desenvolvidas.

Cotação-2-5O Teorema Zero - poster nacional

O Teorema Zero (The Zero Theorem)

Direção: Terry Gilliam

Roteiro: Pat Rushin

Elenco: Christoph Waltz, Mélanie Thierry, David Thewlis, Lucas Hedges, Matt Damon, Ben Whishaw, Tilda Swinton, Sanjeev Bhaskar, Ingrid Bisu, Margarita Doyle, Naomi Everson, Rupert Friend, Emil Hostina, Tudor Istodor, Madison Lygo, Radu Andrei Micu, Olivia Nita, Alin Olteanu, George Remes, Dana Rogoz, Peter Stormare, Iulia Verdes, Gwendoline Christie.

Gênero: Drama/Ficção

Duração: 107 minutos

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