O Grande Hotel Budapeste | Crítica

BudapestHá mais ou menos seis ou sete anos, o diretor americano Wes Anderson encontrou em um sebo em Paris seu novo escritor favorito. Tratava-se do austríaco Stefan Zweig. A ávida leitura de diversas obras deste autor, entre elas sua própria biografia, levou Anderson a se inspirar a criar, em seu cinema tão autoral, O Grande Hotel Budapeste. Uma nostálgica lembrança de um escritor (Tom Wilkinson), fundamentada nas ruínas de um hotel, na fictícia Zubrowka, em pleno declínio europeu causado por avanços de um regime autoritário na década de 30. Ficção e realidade se misturam em diversos pontos do filme.

A história é narrada por três personagens (dois, se formos ser exatos); um autor, sua figura mais jovem (Jude Law) e Mustafa (F. Murray Abraham). Todos eles se recordam de uma figura peculiar e central na era de ouro do hotel no leste europeu. Trata-se de Gustave H. (Ralph Fiennes), o mais famoso e competente concierge que a propriedade já teve. Este magnífico personagem havia sido acusado injustamente de um crime bem na época em que Zero (Tony Revolori) o havia conhecido e se tornado seu discípulo. Anos mais tarde, o antigo mensageiro narra as aventuras que viveu ao lado de seu mestre à figura do jovem do autor, em um misto de saudade e orgulho.

the-grand-budapest-hotel-image-5Várias pequenas histórias se desenrolam em volta e dentro do hotel, acrescentando elementos cômicos para o desenrolar da trama central, gerando assim vários conflitos que, na eficiente direção de Anderson, não saem do trilho em nenhum momento. Este aprimora ainda mais sua “escrita” tão peculiar. Seu estilo próprio, já surgido discretamente em Três É Demais, se torna mais coeso e demonstra ter brio pelo fato de a narrativa aqui ser uma história de época. A direção de arte é belíssima. Com a mesma equipe de Moonrise Kingdom, que já havia feito um trabalho primoroso, em Budapeste parece ter encontrado um nível de perfeição sem fim.

Em um elenco estelar à vontade com a linguagem do diretor, se destaca Fiennes, que entrega aqui uma atuação deliciosa e divertidíssima. Uma persona que muitos não esperariam dele. A gang de atores de Wes surge em pequenas participações eficientes, aliados de novas figuras. Como o jovem Revolori, que faz uma dupla perfeita com Ralph. Eles encontraram um timing fantástico. Zero e Gustave se complementam o tempo todo e isso se deve ao trabalho do experiente ator com o jovem, que em nenhum momento se intimida com a bagagem do primeiro. Não se preocupem, Bill Murray dá seu olá em grande estilo, assim como Tilda Swinton, irreconhecível, mas maravilhosa como sempre.

The-Grand-Budapest-Hotel-5A melancolia que acarreta o fato do passado não ter volta é o grande protagonista desta obra. Este sentimento foi extremamente presente nos livros e vida de Zweig, um refugiado da segunda guerra que se suicidou em 1942, deprimido com o que a Europa havia se tornado na época. Anderson se inspirou nele para criar dois personagens neste filme. O fato de ambos escreverem e viverem em seus próprios mundos como meio de fuga da realidade se assemelha a suas próprias obras. O americano conseguiu um feito e tanto nos dias de hoje. Encenar em seus filmes um estilo único e rico de mínimos detalhes, dentro de um mercado tão batido e fútil no qual se encontra nosso cinema. Wes, pode-se dizer, é um Gustave H. de Hollywood.Cotação-5-5O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel)

O Grande Hotel Budapeste - poster nacionalDireção: Wes Anderson

Roteiro: Wes Anderson, baseado na história de Wes Anderson e Hugo Guinness e nos trabalhos de Stefan Zweig

Elenco: Ralph Fiennes, F. Murray Abraham, Mathieu Amalric, Adrien Brody, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Harvey Keitel, Jude Law, Bill Murray, Edward Norton, Saoirse Ronan, Jason Schwartzman, Léa Seydoux, Tilda Swinton, Tom Wilkinson, Owen Wilson, Tony Revolori, Larry Pine, Giselda Volodi, Florian Lukas, Karl Markovics, Volker Michalowski, Neal Huff, Bob Balaban, Fisher Stevens, Wallace Wolodarsky, Waris Ahluwalia, Jella Niemann, Marcel Mazur, Robert Bienas, Manfred Lindner, Oliver Claridge, Bernhard Kremser, Kunichi Nomura, Sister Anna Rademacher, Heinz-Werner Jeschkowski, Steffen Scheumann, Sabine Euler, Renate Klein, Uwe Holoubek, Francesco Zippel, Enrico Hoffman, Daniel Steiner, Marie Goyette, Hendrik von Bültzingslöwen, Paul Schlase, Jeno Orosz, Gyula Lukacs, Darin Damjanow, Dar Ronge.

Gênero: Comédia/Drama

Duração: 100 minutos

Curta a fanpage do Cinelogin no Facebook!

Anúncios

4 comentários

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s