Penny Dreadful – 1ª Temporada | Review

penny_dreadfulAntes de Stephen King e Richard Matheson e Clive Barker e toda uma onda de escritores de terror norte-americanos influenciados pela obra de H. P. Lovecraft, a Inglaterra costumava ser o berço dos grandes autores do gênero. Talvez não da forma como o conhecemos hoje, tão conectado à ficção científica e a elementos da fantasia. Era uma literatura muito interessada em fornecer uma atmosfera de suspense, recheada de elementos góticos, hoje mais cativante do que propriamente assustadora.

Sim, eu estou falando de Edgar Allan Poe, Bram Stoker, Mary Shelley, entre outros. Autores que deram vida a alguns dos personagens mais icônicos da história da ficção. A maioria deles hoje habita o imaginário de pessoas comuns em qualquer lugar do mundo. E são ainda hoje adaptados com frequência para filmes, HQs, videogames e livros, em novas roupagens nem sempre muito bem-vindas.

penny_dreadful2Penny Dreadful, porém, é um caso à parte em que o material original foi levado muito a sério, o que acabou rendendo uma série, se não excelente, ao menos muito interessante até o momente. Assim como o filme A Liga Extraordinária, a história une personagens de algumas dessas narrativas tradicionais em um cenário conjunto. Diferente de A Liga Extraordinária, porém, o resultado não é um monte de lixo tóxico e fétido. Pelo contrário.

Vanessa Ives (Eva Green) é o centro de um conto de horror multifacetado sobre a busca de um pai por sua filha, raptada pelas forças do mal. Ela auxilia Sir Malcolm Murray (Timothy Dalton), um endurecido aventureiro e explorador das florestas africanas (moldado à semelhança de Allan Quartermain , herói de As Minas do Rei Salomão), a encontrar a filha Mina Harker (Olivia Llewellyn), levada de sua casa por vampiros. Para quem não sabe, Mina é a personagem por quem Drácula se apaixona e que quase se torna uma vampira no romance original de Bram Stoker.

penny_dreadful3É muito interessante a forma como a narrativa sabe brincar com a surpresa e o mistério. Personagens importantes, como o doutor Victor Frankenstein (Harry Treadaway), são revelados de maneira inesperada, provocando bem-vindas reviravoltas na história. Além dos dois livros clássicos já citados, a série também adapta o excelente romance de Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray, com Reeve Carney na pele do personagem principal.

Em sua primeira temporada, Penny Dreadful apresentou uma progressão um pouco desconjuntada. O roteiro, que funciona às mil maravilhas separadamente em cada episódio, patina um pouco para conseguir fazer a ligação entre toda a temporada. Talvez sejam personagens demais em tramas diferentes. A questão se torna ainda mais intrigante se pensarmos que o premiado roteirista John Logan assina todos os episódios.

penny_dreadful4Dorian, por exemplo, não consegue ter uma ligação muito forte com nenhum dos outros núcleos, o que acaba fazendo com que ele apareça pouco e sua trama seja subdesenvolvida. O misterioso Ethan Chandler (Josh Hartnett) é menos protagonista do que a série sugeria no início e fica mesmo perdido em muitos momentos. Com tantas linhas narrativas se desenvolvendo, por vezes é difícil para o público manter o foco naquilo que é mais importante para a história.

Os dois episódios que chamam realmente a atenção nessa breve primeira temporada (que teve apenas oito episódios) são aquele em que Caliban (Rory Kinnear), o monstro de Frankenstein, conta sua história, em uma inteligente adaptação da obra original, e o que fala sobre a relação de Vanessa com Mina na juventude.

penny_dreadful5Esse último, aliás, conta com uma interpretação impressionante de Green, que vaga com naturalidade entre a sanidade, a loucura e a malevolência dentro de uma mesma Vanessa. Sua evolução na narrativa é construída com grande habilidade ao longo da temporada, resultando na mais interessante e complexa personagem de toda a trama. A atriz deverá ser indicada a diversas premiações pelo papel, com muita justiça.

Concluída com mais uma ótima nota de surpresa, essa primeira temporada de Penny Dreadful deixa um gostinho de quero mais, apesar de seus problemas de estrutura. Não chega a ser uma série de terror no sentido contemporâneo da palavra, já que não apela para sustos fáceis nem causa arrepios de medo nos telespectadores. Entretanto, ver todos esses personagens clássicos interagindo em uma atmosférica Londres do século XIX, amparados por um texto inteligente e por boas atuações, é algo incrivelmente impactante e divertido.

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