A Face do Mal | Crítica

a_face_do_malDe todos os gêneros temáticos, o terror é um dos mais formulaicos e previsíveis do cinema atual. Sem saber muito bem por que, os filmes de terror foram acumulando cacoetes e lugares comuns com o passar do tempo. Hoje seria muito difícil comparar as obras genéricas que chegam às telas todo mês com filmes memoráveis do início do cinema, como os ilustres Nosferatu e Frankenstein.

Assustar não é fácil. E talvez o grande problema dos filmes de horror seja justamente essa obrigação meio incômoda de mandar o espectador para fora da sala de cinema com o coração aos pulos. Não é nenhuma surpresa que a maioria dos diretores se atenha ao básico, o que quer dizer salpicar uma dúzia de sustos sem propósito ao longo do filme e tentar caprichar na construção de um fantasma verdadeiramente medonho.

Quando vejo um início de filme como o deste A Face do Mal (deixando de lado a sequência de flashbacks, que acaba sendo mais cômica que assustadora), sinto uma espécie de desânimo interior. O clichê da casa mal assombrada é um dos mais utilizados em filmes sem inspiração. Claro que sempre há a chance de ser algo próximo de Invocação do Mal, uma grata surpresa do ano passado, muito graças ao talento do diretor James Wan. Mas a possibilidade maior é que seja uma coisa parecida com Horror em Amityville, uma aberração lançada em 2005.

FH2_5290.JPGEmbora não chegue ao nível de excruciante ruindade do segundo, A Face do Mal ainda assim é um produto audiovisual completamente irrelevante. O filme trata o amor inocente entre os deslocados Evan (Harrison Gilbertson) e Samantha (Liana Liberato) como o tipo de coisa que você só veria em uma história de ficção em que os autores não têm qualquer ideia da realidade que os cerca.

Os garotos se encontram pela primeira vez em uma noite fria. Embora o menino aparentemente tenha levado um fora colossal, pouco depois encontra a jovem deitada em sua cama. Claro, ela fugiu do pai alcoólatra e violento. E todos sabem que nada é mais excitante para um casal em início de namoro que ouvir sussurros de fantasmas em um aparelho de rádio empoeirado.

Aliás, a assombração que paira sobre a casa dos Asher parece uma maneira de castigar os avanços sexuais dos dois jovens, observadas com certa condescendência por pais e irmãs. Os dois protagonistas têm uma boa química juntos e não fazem feio, o que ajuda a tragar sem tantos problemas toda a pouca coerência da história. Infelizmente, não o bastante para salvar o filme.

FH2_5978.JPGTalvez a coisa mais assustadora seja o rosto pitoresco da atriz Jacki Weaver, que parece viver um personagem vindo de algum outro filme e não se integra de maneira orgânica à narrativa. E ainda há tempo para que a caçula da família faça amizade com um fantasma do bem e para que os patriarcas relevem o fato de que seus filhos andam conversando regularmente com poltergeists.

Reservando ainda uma surpresa nada surpreendente para suas cenas finais, a conclusão do filme dá a impressão de que seu objetivo era retratar o terror como uma metáfora para a loucura. Se tivesse mostrado melhor os motivos que levaram a essa perda de razão e não simplesmente explorado de forma equivocada a trama macabra que circunda o casal juvenil o resultado poderia ter sido outro. Ou não. Vai saber.

Cotação-1-5A Face do Mal - poster nacionalA Face do Mal (The Haunt)

Direção: Mac Carter

Roteiro: Andrew Barrer

Elenco: Harrison Gilbertson, Liana Liberato, Jacki Weaver, Ione Skye, Brian Wimmer, Danielle Chuchran, Ella Harris, Carl Hadra, Sebastian Michael Barr, Brooke Kelly, Maggie Scott, Jan Broberg, Aline Andrade, Jarrod Phillips, Kasia Kowalczyk, Kelly Noonan, DeVille Vannik, Brenden Whitney, Vaughn Odenbrett.

Gênero: Terror

Duração: 86 minutos

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