Game of Thrones S04E09 – The Watchers on the Wall | Review

Got 05

A morte de Ned Stark, a batalha de Blackwater e o Casamento Vermelho. Ao longo dos anos, Game of Thrones adotou a tradição de guardar seus nonos episódios para grandes eventos que servem como clímax para cada temporada. No entanto, a decisão de dividir o conteúdo de A Tormenta de Espadas em dois anos na série quebrou um pouco essa lógica. Neste quarto ano não temos mais apenas um único acontecimento na história que possa assumir esse papel, mas vários (a luta entre Oberyn e o Montanha semana passada era um, por exemplo). Neste sentido, a decisão de tentar reeditar o que aconteceu na segunda temporada utilizando a guerra na Muralha foi acertada, até porque as duas batalhas tem muito em comum: ambas retratam uma situação desesperada onde um exército em menor número deve defender sua guarnição de uma ameaça iminente devastadora.

E considerando que o sucesso da série claramente fez aumentar seu orçamento, este The Watchers on the Wall teria tudo para ser ainda mais épico e grandioso do que Blackwater foi. Realmente a produção do episódio foi tecnicamente impecável, com direção cinematográfica, efeitos visuais de primeira (gigantes e mamutes!!!), momentos dramáticos na medida certa, construção de tensão eficaz e ação para se esbaldar do início ao fim. Tinha tudo para funcionar. No entanto, dois fatores acabaram ofuscando o brilho que este capítulo poderia ter: a falta de peso dramático do protagonista e uma escolha inacreditavelmente infeliz de roteiro.

GoT 01Ora, é natural que aqui caberia a Jon Snow o papel que foi de Tyrion em Blackwater. O bastardo deveria funcionar neste momento como figura central da narrativa, sendo este um ponto de virada importantíssimo para o personagem. É nesta batalha que deveria ficar claro que não existe ninguém mais qualificado para liderar a Patrulha da Noite do que Jon. Infelizmente sabemos que Kit Harrington não possui nem de longe o mesmo talento e carisma que Peter Dinklage, sendo no máximo apenas um bom lutador nas cenas de ação, nunca um personagem com carga dramática a contento. Basta notar que Alliser Thorne, a quem deveríamos desprezar e ter como “vilão”, surge como um líder muito mais convincente. E o que dizer do momento onde é exigida uma atuação mais complexa da parte de Harrington – a morte de Ygritte – e o ator simplesmente opta por reagir escondendo o rosto? Terrivelmente monoexpressivo, ele jamais consegue fazer jus ao protagonismo que lhe é cabido, surgindo sempre apagado e sem presença de cena. 

E o curioso é que a série parece reconhecer isso, já que acaba colocando Sam neste posto. Exibindo um claro amadurecimento, o outrora “gordo covarde” parece ser o personagem que mais tem tempo em cena, sendo sempre a ponte para o episódio explorar os conflitos dramáticos dos coadjuvantes, da velhice melancólica de Meistre Aemon até o medo e a inexperiência trágica de Pyp, ficando a exceção por conta da admirável bravura de Grenn, que rende o momento mais emblemático de todo o capítulo. E se o romance entre Jon e Ygritte jamais convence (apesar da boa composição de Rose Leslie), aquele entre Sam e Gilly não à toa transborda doçura e emoção.

Got 06Ambientando com competência uma complexa batalha envolvendo duas frentes: o grupo de Tormund atacando pelo Sul e o restante do exército de Mance Rayder (que infelizmente jamais aparece em pessoa) pelo Norte, a direção acertadamente investe em vários planos abertos aéreos mostrando todo o cenário, o que de início serve para evocar tensão diante da ameaçadora fogueira dos selvagens, e posteriormente elucida toda a geografia da ação, que jamais soa confusa para o espectador. Explorando ao máximo as possibilidades envolvendo a batalha, a câmera se mostra livre para viajar em meio àquele caos, o que rende enquadramentos bem interessantes (gosto particularmente do plongée retratando os patrulheiros amarrados para flechar os selvagens que estão escalando a Muralha, que funciona simultaneamente para evocar o perigo da situação e a absurda altura da construção).

Assim, é lamentável que o roteiro decida dar fim ao episódio sem mostrar a conclusão definitiva do conflito. Adiar para o episódio que vem esse desfecho apenas tira o destaque que este merece (quem leu o livro ou assiste a série com mais atenção sabe do que estou falando), além de entupir o season-finale da semana que vem desnecessariamente. Retomando o paralelo com Blackwater, seria como adiar a chegada de Tywin à Porto Real para o último episódio daquela temporada. Seria decepcionante, não?
Got 02

Anúncios

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s