No Limite do Amanhã | Crítica

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Eu sou um defensor de Tom Cruise. Estigmatizado pelo status de estrela, o ator tem seu talento frequentemente subestimado pela crítica em geral. Injustiça, Cruise não é o tipo de astro que tenta alavancar sua carreira com roteiros puramente caça-níqueis e preguiçosos. Ao contrário, ele quase sempre usou de sua influência para trazer à vida filmes com argumentos interessantes, mesmo os blockbusters (caso de Minority Report, por exemplo), fazendo com que os longas ganhassem espaço com o seu nome, nunca o contrário. É uma felicidade constatar, portanto, que mesmo claramente longe dos seus tempos áureos este ainda seja um caminho perseguido pelo ex-maior nome de Hollywood.

Adaptação da ficção científica japonesa All You Need is Kill, este No Limite do Amanhã retrata a humanidade em guerra contra a invasão de estranhos aliens ao nosso planeta, contexto que é muito bem estabelecido pela inteligente sequência de abertura do filme por meio de recortes de noticiários. Tal sequência, aliás, serve também para nos apresentar ao major Cage (Cruise), espécie de assessor de imprensa do exército americano, que logo é colocado a contragosto no front de batalha numa reedição do “dia D”. Covarde e sem nenhuma noção de combate, Cage não dura muito, mas mesmo assim consegue abater um tipo especial de alien e com isso ganha a habilidade sempre voltar ao dia anterior assim que morre. Agora ele tem que usar esta habilidade para vencer a guerra, contando com a ajuda da veterana Rita (Blunt).limite do amanhã 02

É justamente nesse interessante conceito de “morrer e voltar no tempo” – algo que remete diretamente aos games, onde retorna-se ao começo da “fase” depois de morrer – que reside a força motriz do filme. Não é uma ideia lá muito original, já vimos isso de ficar preso no mesmo dia em outros filmes, mas o longa consegue explorá-la de maneira extremamente competente, jamais deixando que a premissa perca força enquanto recurso narrativo. Subvertendo a suposta onisciência do público, o diretor Doug Liman emprega sutis elipses entre os retornos do protagonista e frequentemente nos faz perceber que não é a primeira vez que o personagem está vivendo o momento retratado pelo filme. Além disso, esses cortes impedem que o filme se torne excessivamente repetitivo, uma armadilha fácil de cair.

Competente ao retratar as sequências de batalha, Liman acompanha de perto seu protagonista no caos da guerra, algo ressaltado pela eficiente direção de arte, que torna aquela praia em algo sujo de cores frias. E se o design das criaturas se revela um tanto incoerente ao que se espera de guerreiros especializados, os aliens parecem se mover um tanto a esmo pelo cenário, por outro lado é apropriadamente aterrorizante para nos fazer temer pelos personagens. E se o elemento central da trama enfraquece justamente esse temor ao banalizar o conceito de morte, o filme se mostra consciente ao não apenas fazer uso disso em corriqueiras tentativas de humor, mas também ao abandonar o conceito em seu terceiro ato, o que torna os personagens apropriadamente vulneráveis no clímax da história.limite do amanhã 03

Encarnando Rita com segurança e certa firmeza, Emily Blunt jamais nos faz questionar as habilidades militares da personagem, e, mesmo sofrendo um certo bullying por ser mulher (ela é apelidada de “Full Metal Bitch” pelos militares), é fácil entender o renome que ela tem perante o exército, algo importante quando em determinado ponto o filme precisa fazer um esquadrão seguir os protagonistas para uma derradeira missão. Já Tom Cruise retrata o amadurecimento de Cage com exímia naturalidade, inicialmente subvertendo a própria persona cinematográfica ao se mostrar desajeitado durante a ação para ir gradualmente reassumindo-a ao longo do filme. Cruise também consegue diferenciar em sua composição quando Cage está vivendo algo realmente novo e quando apenas está revendo algo pela enésima vez, mesmo quando nós não o acompanhamos nisso. Além disso, a relação entre os dois personagens jamais parece forçada mesmo o filme sendo econômico em desenvolvê-la, muito disso devendo-se ao trabalho do ator, que nos convence da genuína preocupação do soldado por sua companheira.

Sendo um filme intrigante na maior parte do tempo, No Limite do Amanhã só comete um certo deslize mesmo em seu final, onde força para fugir da tragédia. É um pecadilho perdoável frente a competência com que desenvolve sua premissa. Que Tom Cruise jamais nos deixe de brindar com surpresas assim.

Cotação-4-5

 

No Limite do Amanhã - poster nacionalNo Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow)

Direção: Doug Liman

Roteiro: Christopher McQuarrie, Jez Butterworth e John-Henry Butterworth, baseado no romance de Hiroshi Sakurazaka

Elenco: Tom Cruise, Emily Blunt, Brendan Gleeson, Bill Paxton, Jonas Armstrong, Tony Way, Kick Gurry, Franz Drameh, Dragomir Mrsic, Charlotte Riley, Masayoshi Haneda, Terence Maynard, Noah Taylor, Lara Pulver, Madeleine Mantock, Assly Zandry, Sebastian Blunt, Beth Goddard, Ronan Summers, Aaron Romano, Usman Akram, Bentley Kalu, Mairead McKinley, Andrew Neil, Martin Hyder, Tommy Campbell, John Dutton, Harry Landis, Rachel Handshaw, Martin McDougall, Anna Botting, Jane Hill, Erin Burnett, Dany Cushmaro, David Kaye, Jackson, Emmanuel Akintunde, Lee Asquith-Coe, André Azevedo, Chris Cartwright, Elaine Caulfield, Bruce Chong, Bern Collaco, Nick Donald, Gary Douglas, Marco Flammer, Kyla Frye, Nazaire Gbolo, Natasha Goulden, Goldie Green.

Gênero: Ação/Ficção

Duração: 113 minutos

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