Batman 75 Anos | A Era Nolan

 

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E eis que depois de “queimar o filme” com os longas de Joel Schumacher, o tão cultuado herói ganha mais uma trilogia. E ao contrário do ultra-estilizado que fez sucesso nas obras de Tim Burton nos anos 1980/90, o Batman do século XXI segue outra corrente: o realismo. Isso graças ao diretor até então mais conhecido no circuito alternativo pelo cult Amnésia, Christopher Nolan.

Muitos fãs o colocam como o grande precursor do realismo nos filmes baseados em quadrinhos, aquele que elevou o gênero à outro patamar e criou uma fórmula de sucesso. Sinto-lhes informar, mas apesar dele ser talvez o mais bem-sucedido na área, quem elevou o gênero de filmes de super-heróis a serem levados a sério e apreciados por todas as idades foi Bryan Singer, com X-Men (2000). Uma pena que ele tenha se perdido com Superman – O Retorno, mas este assunto já foi debatido.

Voltemos ao Batman e Christopher Nolan. Se antes ele foi uma aposta da Warner Bros., hoje seu estilo é bastante conhecido. Não importa o tema que aborde, o diretor gosta de tudo muito bem explicadinho nos mííínimos detalhes, como diria o Dr. Chapatin. E tudo tem que ser realista/naturalista, nem que seja no campo dos sonhos.

Mas vamos aos filmes! E atenção! O texto a seguir contém spoilers!

Batman Begins (2005)

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Nolan, que apesar da pouca experiência (tinha dirigido 3 longas até então, todos de baixo orçamento), já tinha conquistado respeito na praça, e talvez por isso tenha conseguido unir tantos talentos no elenco, a começar por Christian Bale, que encarnou o herói. Apesar de ainda não possuir nenhum grande sucesso de bilheteria no currículo (isso, aliás, não deveria medir o talento de ninguém), já vinha fazendo trabalhos bastante elogiados, como Psicopata Americano e O Operário. Mas Nolan o cercou de nomes de grife, Liam Neeson, Michael Caine, Gary Oldman, Morgan Freeman…além de outros jovens talentos, como Cillian Murphy e Katie Holmes (sim, ela estava em ascensão na carreira na época, até conhecer Tom Cruise).

A ideia era colocar uma figura aparentemente fantástica, um homem que se veste de morcego para combater o crime, numa realidade crível, todo o roteiro foi pensado assim: como seria se realmente existisse um Batman? Sua motivação continuou a mesma, o assassinato dos pais, mas o desenvolvimento psicológico do personagem em consequência daquele ato foi o que moveu toda a narrativa do filme, muito bem explorada para justificar a simbologia do morcego: o enfrentamento de seus medos e o uso do símbolo para se perpetuar e proteger seus parceiros:

As pessoas precisam de exemplos dramáticos para sacudi-los e tirá-los da apatia. E eu não posso fazer isso como Bruce Wayne. Como um homem, eu sou de carne e osso, posso ser ignorado, posso ser destruído; mas como um símbolo … como um símbolo incorruptível, posso ser eterno.

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O tom sombrio também é uma característica marcante de toda a trilogia. Gotham é escura, fria, suja, feia mesmo, uma cidade vítima da corrupção, dominada pelo crime organizado. São estes os vilões que Batman enfrenta no “dia-a-dia”, mas no clímax, seu grande antagonista acaba sendo aquele que o ensinou todas as técnicas de luta, ameaça e teatralidade. E é aí que Nolan se perde, apesar de construir um clima de tensão crescente e tecer toda a história para a batalha final, ele não chega lá, pois tem uma incompetência crônica para filmar cenas de ação.

Apesar de um tanto arrastado, se levar a sério demais e ter um clímax mais ou menos, Batman Begins transpõe bem a natureza do herói dos quadrinhos para as telas e semeia o terreno para algo mais grandioso: O Cavaleiro das Trevas…

O Cavaleiro das Trevas (2008)

O maior sucesso da trilogia, o Cavaleiro das Trevas foi tão aclamado pela crítica e público que foi um fator decisivo para a Academia repensar seus critérios e assim aumentar o número de indicados a melhor filme para acrescentar blockbusters de qualidade, pois a ausência do filme entre os melhores do ano gerou inúmeros protestos.

O Cavaleiro das Trevas é, em essência, um drama policial com elementos fantásticos. Mas neste Nolan até abriu mão um pouco mais do realismo e assim pôde realizar um filme mais ágil e fluido, e ainda assim denso. Afinal de contas, por que tão sério, não é mesmo Coringa?

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Por falar em Coringa…o filme é dele. Heath Ledger, que quando foi anunciado causou uma onda de haters internet afora, roubou todas as cenas e dominou geral. Conseguiu construir um Coringa crível e ao mesmo tempo teatral, chegando num tom que beira a perfeição e ganha o público desde o primeiro momento (bom, talvez no segundo, com o truque que fez um lápis desaparecer). Embora ele já apareça tocando o terror sem grandes explicações sobre sua origem, o personagem possui uma psique bem formada e serve como o espelho inverso do Batman, seu contraponto perfeito. Sem Batman, não há Coringa, e vice-versa:

Eu não quero matá-lo! O que eu faria sem você? Voltar a roubar de traficantes? Não, não não! Você…me completa.

Mas ele não é o único vilão, aliás, seu conflito com Batman é que gera o outro vilão da história, que se constrói ao longo do filme de forma lenta, porém não muito sutil – “Ou você morre um herói ou vive o bastante para se transformar num vilão” – previsível hein, Harvey Dent? O melhor deste personagem porém é a subtrama do triângulo amoroso entre ele, Rachel Dawes e Bruce Wayne.

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Rachel Dawes, a personagem criada originalmente para o cinema, foi interpretada em Begins por Katie Holmes, mas dizem que sua total falta de química com Bale e sua interpretação insossa, além da super-exposição da vida pessoal que tirava a atenção para o filme, foram responsáveis por sua substituição. Neste, quem a interpreta é Maggie Gyllenhaal, que apesar de melhor atriz, também não conseguiu tornar o papel interessante, o problema era na personagem mesmo. Pelo menos sua morte serviu para estruturar toda a narrativa, levando o herói a fazer uma difícil escolha e partir para a derrocada. Ele só iria se reerguer na sequência…

O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)

Depois do estrondoso sucesso do antecessor, todos esperavam um final épico para a trilogia, algo ainda mais grandioso, Nolan havia sido elevado ao patamar de semi-deus do cinema, não tinha como não dar certo! Porém, o diretor caiu na armadilha da obrigação de um grand finale e não talvez não tenha lidado bem com a pressão de superar o antecessor, ou será que o ego estava muito alto?

Antes que me critiquem, o filme não é ruim, longe disso, porém fica claro que o roteiro precisava de alguns recortes, existem personagens e subtramas desnecessárias, e a maior cena de ação é naquele estilo Nolaniano, sem ritmo, num mise en scéne mal ajambrado.

Mas tem Mulher-Gato! Não vai entrar para a história como a de Michelle Pfeifer, mas Anne Hathaway surpreende, bom, se bem que ela é sempre competente e carismática, mas mesmo assim muitos, inclusive a blogueira que vos escreve, duvidava que ela teria os requisitos necessários para interpretar a gatuna super sexy. E ela não é a única personagem feminina de destaque, há também a personagem de Marion Cotillard que tem uma das melhores cenas de morte da história do cinema mundial. Só.que.não.

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Neste filme o Cavaleiro sombrio tem que deixar as trevas e ressurgir para salvar Gotham, seu principal oponente é um vilão aparentemente tolo, que funciona melhor como ameaça física e que Tom Hardy interpretou de forma tão, digamos, intensa, que às vezes soa caricatural.

Mas mesmo com os furos de roteiro, Nolan conseguiu amarrar os filmes transformando o personagem em mito. Os três longas desenvolvem sua saga, mostrando a evolução dos personagens de forma intrincada mas que se desenrola de forma coesa.

No fim, o realismo/naturalismo serviu como uma luva ao sombrio Batman e deu origem a uma trilogia de sucesso, que arrecadou bilhões de dólares no mundo e é cultuada pelos fãs. Tal qual o Superman de Richard Donner, Batman de Nolan é o cavaleiro das trevas definitivo no cinema, será uma tarefa árdua superá-lo, Ben Affleck é corajoso, isso não podemos negar.

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