The Americans – 2ª Temporada | Review

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Após a excelente primeira temporada, a série de espionagem durante a Guerra Fria do canal americano Fx chega com a mesma força e vitalidade da temporada passada, envolvendo ainda mais o espectador com um excelente enredo e ótimas atuações.

Meses após os eventos da temporada passada, Phillip (Matthew Rhys) e Elizabeth (Keri Russel) vivem em perfeita harmonia como um verdadeiro casal. O tiro que alvejou Elizabeth quase a levando a óbito, modificou inteiramente a dinâmica da dupla, transformando assim um dos principais pontos positivos na primeira temporada: O contra-ponto moral entre Phillip e Elizabeth. Enquanto um era mais aberto ao consumismo e ao modo de vida americano, a outra tinha fortes valores comunistas, desprezando assim tudo que era norte-americano, com exceção dos filhos.

Nesta temporada, os escritores resolveram deixar esses conflitos de lado, resolvendo focar na harmonia do casal após Elizabeth quase ser morta. E apesar de que em um episódio ou outro Philip ainda é vítima do capitalismo, a reação de Elizabeth é mais branda, não condizente com seus valores anteriores. Até poderíamos dizer que uma experiência de quase-morte modifica a índole das pessoas, mas a evolução dos personagem foi feita de forma brusca e mecânica, o que dá a impressão de que há algo errado com os atores, como se os mesmos estivessem desconfortáveis no papel.

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Mas já que não temos esse conflito interno, somos apresentados a um debate ainda mais polêmico: Comunismo vs. Cristianismo. Paige (Holly Taylor), a filha do casal, sentindo-se deslocada em casa, decide então participar do grupo jovem da Igreja local. A atitude foi duramente criticada pelos pais, principalmente por Elizabeth, que é radicalmente contra a ideia de religião, chegando a se perguntar o porquê da filha preferir Jesus a eles. Os diálogos são em sua maioria ácidos, este, por exemplo: “Eles o pegam quando são crianças. Então os doutrinam com amizade, rapazes bonitos e músicas legais sobre Jesus,” ajudam a retratar toda a aversão que os comunistas nutrem pelas instituições religiosas. O tema é muito bem abordado na série, em parte pela grande atuação da Keri Russel.

0381ec69c9c94469998021736a4b7be1Falando na Keri, é impossível não citar sua atuação. Não é exagero dizer que ela sempre rouba a cena, principalmente as de ação. Uma em particular é sublime, quando Elizabeth entra em combate corporal contra um agente do MOSAD, a inteligência israelita. Outra bela atuação é da russa Nina Sergeevna (Annet Mahendru), cuja atuação conseguiu ludibriar até o espectador. Nina joga seu charme em cima de seu compatriota Oleg Burov (Costa Ronin) e do agente do FBI Stan Beeman (Noah Emmerich), sem deixar seus verdadeiros objetivos serem revelados por boa parte da temporada, não sabemos quem a espiã está engando. E para completar o elenco feminino, não posso deixar de citar Martha Hanson (Alison Wright), que faz o papel de uma secretária que começa submissa ao marido, no caso o Phillip disfarçado, e sua evolução para uma mulher, até certo ponto, forte e determinada em ajudar seu marido no trabalho, mesmo que para isso tenha que cometer crimes. Apesar de ainda mostrar sinais de submissão, a forma orgânica da evolução da personagem, somada à sua afirmação como mulher a fazem a melhor coadjuvante da série.

O ponto negativo da temporada é justamente o agente Beeman, a atuação de Noah Emmerich em nada lembra sua boa participação na temporada anterior. Passando de um agente sagaz e determinado, para uma marionete nas mãos de Nina, e posteriormente nas mãos de Oleg e do cônsul russo. Emmerich não conseguiu transmitir a empatia necessária para que fossemos solícitos com sua situação. Até mesmo porque, talvez por decisão da equipe criativa, humanizaram em demasia os agentes da KGB. Chegamos ao ponto de torcer para os russos, mesmo sabendo que historicamente eles são os vilões. Na primeira temporada, não havia vilões, apenas pessoas querendo fazer o melhor para seu país, porém nesta, temos a figura de um vilão clássico, ele é americano e caça o casal protagonista por motivo torpe: uma vingança pessoal.

A principal história desta temporada é a espionagem em cima do programa norte-americano Stealth (aviões invisíveis ao radar). Nele vemos a criação da internet, a rede militar americana chamada ARPANET, o processo de digitalização de documentos, e o surgimento de uma ou outra tecnologia presente nos dias atuais. Em seguida vemos a política do “Grande Porrente” em ação, com os militares treinando os CONTRAS da Nicarágua (Um grupo rebelde que fazia oposição ao governo comunista no país na época) em solo americano na base secreta conhecida como Camp Martial Eagle. Já a parte dramática fica por conta do assassinato de outro casal de agentes dormentes russos por inimigos desconhecidos. Levando Philip e Elizabeth a se perguntarem o que irá acontecer com seus filhos se algum mal acontecer a eles.

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A parte histórica da série é muito bem desenvolvida, vemos os cuidados que os escritores tiveram em traçar ficção com realidade. Sabemos que aqueles fatos todos ocorreram, e ao final ficamos nos perguntando, será que foi realmente assim? Será que os agentes dormentes descobertos nos anos 2000 tiveram uma participação tão efetiva na Guerra Fria?

The Americans é a prova de que não precisa ter um elenco estelar, diferente das demais séries de sucesso da atualidade, como os casos de Hannibal e The Following, para contar uma boa história de ficção. A ótima narrativa e o excelente elenco feminino fazem com que ela continue sendo uma das melhores séries da atualidade. Densa, envolvente e sem precisar de subterfúgios para conquistar seus espectadores, tais como cenas ultraviolentas ou de nudez, a série é obrigatória para todas as pessoas que amam assistir uma excelente história de espionagem, ainda mais uma com um quê de realidade.

***

Leia aqui a crítica da primeira temporada de The Americans.

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3 comentários

  1. Ótima série e ótima review! Discordo do seu texto qdo diz q os roteiristas deixaram de lado as divergências ideológicas entre Phil e Elizabeth. Acho q ambos continuaram se estranhando, extrapolando p o modo cm querem educar os filhos.

    Essas divergências até se ampliaram e caminham pra opor ainda mais o casal, cm no diálogo final deles sobre Paige na season finale. Gostei mais dessa temporada do que da primeira pq focou mais na personalidade do casal protagonista, seus medos, fraquezas em certas missões e remorsos.

    Pra mim, isso foi um salto de maturidade p a série, senão, os protagonistas ficariam sendo retratados cm super heróis de quadrinhos cheios de superpoderes.

    Outra coisa legal da 2a. temporada foi deixar de lado “a missão da semana” cm em alguns episódios da 1a. e focar num plot central: o medo de Phil e Liz de deixar seus filhos desamparados se o casal morrer, já q ambos tomaram um choque de realidade logo no primeiro episódio, cm a morte do outro casal de espiões.

    Espero q na px temporada, o medo seja de perder Paige, ou pra KGB ou pra religião. Mal posso esperar!!!

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