Mad Men 7ª Temporada – 1ª Parte | Review

mad_menMad Men está chegando ao fim. Após seis temporadas praticamente irretocáveis, que demonstraram uma beleza estética e narrativa pouco vistas em seriados convencionais, a série já pode ser considerada uma das maiores realizações audiovisuais de nosso tempo, em um mundo que volta seus olhos cada vez mais para produções feitas para a  TV.

Porém, também é verdade que com esse retrospecto, Mad Men não escapa da grande expectativa que cerca esta sua sétima e última temporada, que foi dividida em duas partes. A primeira delas acabou neste final de semana. Embora tenha tido bons e maus momentos, terminou de forma tão terna e nostálgica que muitos sentirão as lágrimas aflorarem naturalmente aos olhos. Sim, a série vai fazer falta.

Desta vez, reencontramos Don Draper (Jon Hamm) novamente em um local obscuro. Afastado por tempo indeterminado da empresa e longe da esposa Megan (Jessica Paré), ele está claramente no limiar da própria vida, em um momento de escolhas e aceitação. Por pior que estivesse a situação na Sterling Cooper, pior ainda é ficar longe dela.

mad_men3No geral, as distâncias entre personagens aumentaram conforme o alcance da empresa cresceu. Pete (Vincent Kartheiser) e Ted (Kevin Rahm) trabalham agora de um escritório na Califórnia. Betty (January Jones), assim como os filhos, praticamente não interage mais com Don, que tem outras preocupações na cabeça. Peggy Olson (Elisabeth Moss) está completamente perdida, embora seu status na empresa só aumente.

Alguns personagens perderam destaque e outros ganharam, conforme suas tramas evoluíram. Os conflitos de Megan, por alguns momentos, foram quase tão importantes quando os de Don. Já Pete, tirando uma pequena aventura amorosa, passou praticamente despercebido. Seu arco dramático principal parece ter encontrado uma semiconclusão já na temporada anterior.

Enquanto alguns episódios pareceram dispersos demais para deixar alguma marca, a temporada teve momentos que lembraram a grandiosidade da história, construída sempre de forma lenta e ponderada. Um ponto alto certamente foi Field Trip. O episódio investigou mais a fundo uma relação geralmente pouco explorada: a de Betty com o filho Bobby (Mason Vale Cotton).

mad_men4Apresentada com delicadeza, essa frágil relação é constituída por boas intenções de ambos os lados, assim como de uma dificuldade de compreensão que poderá ser a grande responsável por afastá-los definitivamente no futuro. Ao mesmo tempo, foi o episódio que mostrou o tão aguardado retorno de Don à firma, em outro desfecho memorável.

Um destaque foi a belíssima reconciliação de Don com Peggy, em um contexto de tal alienação que os personagens finalmente parecem se perceber e se reencontrar em meio à loucura que os cerca. De certa maneira, através de caminhos diferentes, os dois acabaram chegando em lugares parecidos de sua existência. Ou melhor, a um deserto emocional que representa o nada, um vazio praticamente insuportável para ambos.

De muitas maneiras, a primeira parte da temporada lida com as grandes mudanças que a virada dos anos 60 para os 70 representou. O uso de drogas, a liberdade sexual (Don fazendo sexo a três), a falta de objetivos claros. A introdução de computadores foi outra grande temática, que influenciou a sempre crescente ascensão de Harry Crane (Rich Sommer) na Sterling Cooper. Assim como motivou a triste saída de outro personagem querido.

mad_men2Falando em saída de personagens, o último episódio marcou o adeus de um dos grandes, que vinha tendo cada vez menos destaque na recente ordem dos acontecimentos. Com outro evento divisor de águas tanto narrativa quanto historicamente (a chegada do homem à Lua), o último episódio deixa muitas expectativas para o fim, assim como representa a despedida mais emocionante de toda a série. É também representativo das muitas qualidades de Mad Men, uma narrativa tão bem construída emocionalmente que ela mesma desperta sentimentos contrários no telespectador. De um lado a tristeza pela despedida, de outro a felicidade e expectativa por um final que tem tudo para ser genial, desde que faça jus a tudo que o seriado já mostrou.

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2 comentários

  1. “indefinidamente no futuro”… não seria “definitivamente no futuro? Enfim, adoro essa série e é uma pena que esteja acabando… eu não sabia que ela havia sido dividida em duas partes e estava procurando o ep. oito em todo lugar… rsrsrs… espero que o sucesso alcançado pela série abra caminho para outras no mesmo gênero, pondo fim às chatices pobres e clichês que os diretores das grandes TVs adoram aprovar… The Sopranos, House, The Office, Lost, Oz, Game of Thrones, The Big Bang Theory, Vikings, Breaking Bad, Simpsons e Mad Men… tudo nos últimos vinte anos… A TV está dando uma surra no cinema

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    • William, você está correto, o certo seria ‘definitivamente’ mesmo rs E é verdade que a TV americana tem alcançado grandes níveis com séries recentes. A julgar pelo que está sendo lançado por lá este ano, a qualidade continua aumentando.

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