Game of Thrones S04E06 – The Laws of Gods and Men / S04E07 – Mockingbird | Review

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Os dois últimos episódios de Game of Thrones se caracterizaram pela preparação das peças para os eventos finais desta temporada. Marcado principalmente por alcançar o final do terceiro livro da saga de George R R Martin e por incluir inesperados fillers afim de evitar que a série esgote rapidamente o material que ainda tem disponível para adaptar, este quarto ano vem se mostrando relativamente competente em seu propósito de não perder a qualidade mesmo quando se afasta completamente da sua fonte de inspiração. Belo exemplo disto é a maneira como o sexto capítulo, The Laws of Gods and Men, finalmente dedica algum destaque para núcleos que até então vinham com uma participação tímida (caso de Stannis/Davos e Theon/Ramsay) ou mesmo participação alguma este ano (caso de Yara Greyjoy).

Tendo sido citado já algumas vezes nesta temporada, o Banco de Ferro finalmente dá as caras quando Stannis e Davos decidem lhe procurar para pedir financiamento. Isto é um acerto narrativo por três motivos. O primeiro é que já estava beirando o limite do insuportável as cenas deste segmento eternamente estagnado em Pedra do Dragão desde a Batalha de Blackwater (no fim da segunda temporada!!!). O segundo foi deixar mais do que claro que o aspecto financeiro terá suma importância nesta guerra, sendo este talvez o pior revés que Tywin Lannister tenha sofrido desde o começo da história. Finalmente, o terceiro motivo foi nos mostrar a famosa Braavos, numa tomada magnífica que abre o episódio mostrando o grande Titã que guarda a entrada da cidade. E o que dizer sobre a caprichada adição deste local na abertura? Simplesmente excelente. Sobre a cena em si, destaque para a humilhação que o rei sente ao ter de se sentar abaixo dos gerentes daquele banco, bem como a habilidade oratória do Cavaleiro das Cebolas ao convencer aqueles homens que a causa valia o investimento. Já em relação à reaparição do falante Salladhor Saan, foi apenas mais uma desculpa para incluir nudez gratuita na série, algo que se repetiria uma semana depois com a descartável cena envolvendo Melisandre e a rainha Selyse.

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Mas estou me adiantando. Ainda falando do sexto capítulo, presenciamos uma rápida conclusão para o arco da tentativa de resgate de Yara a seu irmão. Sendo responsável por adicionar alguma ação ao capítulo, a sequência serviu mais para reforçar a insanidade de Ramsay (lutando de peito aberto… o que era aquele sangue?) e a completa deterioração psicológica de Theon – ou deveria dizer Fedor? – que desesperadamente resiste à ideia de fugir e posteriormente é “recompensado” pelo seu amo. Por outro lado, a princesa dos Greyjoy na série mais uma vez deixou muito a desejar em relação à sua contraparte nos livros. Se a atriz já não é essas coisas, que dizer do roteiro que inventa e descarta tramas para a personagem de uma hora para a outra? Ver a garota discursar apaixonadamente pelo irmão para pouco tempo depois dizer convictamente que ele “está morto” ficou completamente incoerente. Além do mais, quando que Asha Greyjoy iria fugir de cachorros e simplesmente jogar a toalha assim? Faltou cuidado aí.

Em Meereen, vemos como Daenerys começa a lidar com as dificuldades de governar. Interessante ver a maneira como apresentaram Hizdahr zo Loraq e nos fizeram até mesmo nos simpatizar por ele. E se o sétimo episódio me fez repensar a opinião de que o recast de Daario  tenha sido positivo (ele certamente é melhor ator que “o melhor assobio da região”, mas passa longe de soar sedutor para a rainha), no sexto a passagem envolvendo o pastor foi excelente ao prenunciar que os dragões podem se tornar um problema futuramente. Aliás, ótimo como Game of Thrones tem conseguido achar tempo para desenvolver boas cenas com figurantes como foi o caso deste ataque de Drogon (cada vez mais espetacular!). Não é a primeira vez que isso acontece, em Breaker of Chains vimos os selvagens invadindo uma aldeia e um dos canibais ameaçando uma criança, em outra cena assustadora e excepcional deste mesmo tipo. Exemplos claros de como a série já lida habilmente com seus diversos núcleos e consegue desenvolvê-los em equilíbrio.got 03

Já em Porto Real, foi hilário ver a postura displicente do arredio Oberyn Martell em contraponto à extrema servidão (para não dizer puxa-saquice) do patético Mace Tyrell dentro do pequeno conselho. E se Varys permanece enigmático em sua filosofia acerca de como os desejos atrapalham o país, não há como negar que o destaque inquestionável de The Laws of Gods and Men foi mesmo a sequência do julgamento do nosso querido Tyrion Lannister. Após ser obrigado a ouvir cada um de seus inimigos testemunhando meias verdades completamente deturpadas e aliados lhe virando as costas, nem mesmo o acordo conseguido por Jaime junto ao pai conseguiu calar o anão. Ver sua amada Shae lhe traindo foi demais. E aí Peter Dinklage brilha como nunca, se é que isso era possível, naquele que é o momento mais poderoso visto este ano. A explosão de Tyrion e a sua virada genial de mesa ao exigir um julgamento por combate foi tão catártica e emocionante que eu não hesito em colocar este sexto episódio como o melhor da temporada até aqui. E se Dinklage não ganhar um Emmy por sua atuação é porque realmente não existe justiça neste mundo.

Não é à toa que a cena que abre Mockingbird retoma justamente este mesmo arco ao colocar os “irmãos regicidas” discutindo as opções do réu frente a esta nova jogada. Infelizmente a mão decepada de Jaime o impossibilita de auxiliar o irmão. E nem mesmo Bronn parece disposto a enfrentar o terrível Montanha, que troca de rosto mais uma vez e é (re)apresentado numa cena um tanto forçada, mas eficiente para estabelecê-lo como o grande perigo que é. E assim, no momento em que o pequeno Lannister já se encontrava sem esperanças, a série nos brinda com mais um sensacional desdobramento: Oberyn lembra a Tyrion o motivo que o levou à capital e se oferece para ser seu campeão. Aqui Pedro Pascal supera o estereótipo do libertino sexual que vinha de certa forma limitando o personagem e entrega o lado humano do príncipe de Dorne, numa cena que oferece um cliffhanger forte o bastante até mesmo para encerrar o episódio, caso não houvessem eventos mais marcantes para acontecer em outro canto de Westeros (mais sobre isso adiante).

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E se na Muralha Jon Snow tem sua experiência militar ignorada por Alliser Thorne, numa burrice implicante que certamente custará caro, nas Terras Fluviais Brienne e Pod tem um encontro engraçadinho com Torta Quente em mais um bom incremento da série em relação aos livros. É notável como a dinâmica de “cavaleiro + escudeiro” existente entre a dupla remete diretamente aos protagonistas de outra obra de Martin sobre Westeros: Os Contos de Dunk e Egg. E se o garoto padeiro oferece à donzela de Tarth uma pista concreta sobre Arya que ela nunca teve nos livros, isso pouco importa, já que a jornada desta lá envolve tantos personagens e núcleos menores que dificilmente serão aproveitados na TV. E já que falamos da pequena Stark, outra mudança interessante que a série trouxe este ano foi estender sua interação com o Cão de Caça, colocando-o praticamente como mais um professor da menina (“É assim que se mata um homem.”). Além disso, ainda ganhamos a oportunidade de ouvir do próprio Sandor a história de como foi queimado pelo irmão. O que é bastante conveniente, já que a crueldade de Gregor é ressaltada precisamente quando este ganha importância como vilão.

Finalmente, no arco que encerra o sétimo capítulo, testemunhamos a comovente saudade de Sansa ao construir uma Winterfell de neve e notar que não se lembra mais de todos os detalhes. Porém, mesmo que falte sensibilidade ao chato Robin Arryn, achei seu tapa na cara do garoto uma reação um tanto exagerada. Reflexos das violências sofridas até aqui? De qualquer maneira, o personagem mais fascinante deste núcleo do Ninho da Águia é mesmo o manipulador Petyr Baelish, que aqui finalmente entrega suas reais intenções com a garota ao beijá-la à força, coisa que sua louca esposa obviamente não encara nada bem. O surpreendente e derradeiro desenlace desta história mostra a frieza implacável de Mindinho, que encara todos como meros peões à disposição para usar e descartar como bem entender. Com Lysa não foi diferente, quem pode garantir que com Sansa será?

PS: Não haverá exibição de novo episódio domingo que vem (25/05).

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