The Last of Us – Review, sequência e adaptação para os cinemas

*A primeira parte desse artigo não possui SPOILERS, e aborda elementos da sinopse, da jogabilidade e ainda comentários sobre os gráficos e a fotografia do jogo

The Last of Us PosterLançado em junho do ano passado, The Last of Us é um desenvolvido pela Naughty Dog (a mesma da série Uncharted) exclusivamente para o PlayStation. No momento apenas quem possui PS3 pode jogar o game apocalíptico, mas há previsão para que a versão PS4 seja lançada ainda esse ano, no segundo semestre.

The Last of Us é sem dúvida um jogo completo, com uma capacidade de imersão gigante que decorre principalmente pelo cuidadoso desenvolvimento dos personagens. Não há muitos diálogos expositivos e o background de cada um vai sendo conhecido aos poucos durante o jogo, de maneira natural, o que ajuda a criar um clima de mistério.

A história se passa em 2033, 20 anos após a infestação da população por um fungo que entrou em contato com a espécie humana e a dizimou. Acompanhamos Joel e a menina Ellie que buscam sobreviver no meio do caos no qual o mundo se encontra. A sinopse em muito se parece com muitas outras histórias de zumbis em filmes e jogos (The Walking Dead – Season 1, por exemplo), porém se destaca pela qualidade dos gráficos e da história que iremos vivenciar.

A partir daí, seguimos a história do jogo que basicamente adota duas narrativas, a visão de Joel e a visão da Ellie. E é interessante perceber que, inicialmente diferentes (Ellie sequer conheceu o mundo pré-apocalíptico), as percepções de ambos começam a se congruir à medida que a relação entre eles evolui. E isso ocorre de maneira tão natural no jogo, que em diversos momentos nós adotamos aquelas ações tomadas pelos personagens como nossas, por mais irracionais que elas pareçam ser.

A jogabilidade também é outro ponto positivo do game, de modo que o jogador aprende de maneira bem rápida em que ambiente ele está metido e qual providência deve ser tomada. Explico: o “zumbis” do jogo são classificados em três espécies considerando o tempo de infecção de cada um, as pessoas recém infectadas pelo fungo ainda possuem a visão, as infectadas a médio prazo não enxergam, porém possuem audição aguçada, e as infectadas a mais tempo sofrem uma verdadeira transformação e se mostram como autênticos monstros. Assim, os puzzles que surgem durante o jogo vão ditar qual estratégia tomar, armas brancas e silenciosas funcionam melhor com os estaladores (infectados a médio prazo), já o corpo a corpo traz resultados melhores para os recém infectados. Isso claro, se considerarmos o jogador em terceira pessoas, uma vez que os personagens não jogáveis chegam a abusar das regras do jogo, o que mostra que a inteligência artificial dos inimigos não é tão apurada assim quando não se trata do personagem que estamos controlando, um ponto fraco do jogo, mas que não chega a comprometer o resultado final.

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Fora os seres contaminados, atuam como inimigos na história vândalos e militares, ou seja, basicamente qualquer um que se meter diante da dupla e do seu objetivo. As cenas de ação são extremamente bem feitas e igualmente tensas, pois necessitam de uma estratégia bem pensada a ser aplicada. O realce dessa aflição é feito de maneira bem precisa pela fotografia do jogo, que acerta o tom durante todo o percurso (passando pelas 4 estações do ano), fazendo com que The Last of Us seja uma verdadeira obra-prima, se estabelecendo, daqui pra frente, como padrão de qualidade a ser seguido.

THE LAST OF US 2?

* Atenção, se você ainda não jogou The Last Of Us (ou se ainda não concluiu o modo single-player, não leia essa parte do artigo por conter SPOILERS)

Bom, mas e aí, com um jogo excelente como esse, vendendo bem, é claro que merecemos um The Last of Us 2, né? A questão não é exatamente essa, mas sim se o jogo merece uma continuidade. A julgar pela qualidade técnica, não há dúvidas de que a Naughty Dog deveria estar pensando na segunda parte do jogo, porém, quando analisamos o que de fato importa, fica a dúvida: tendo uma história redonda, bem contada e com um ótimo encerramento, The Last of Us de fato precisa ter uma continuação?

Vejamos, nessa primeira parte acompanhamos como Ellie é fundamental, não só para o salvamento da humanidade, mas igualmente para modelar a personalidade de Joel, que após perder a filha, parecia não ter nenhum elo com qualquer um. E percebam a diferença do Joel do início do jogo, que sequer queria acompanhar Ellie, para o Joel do final que arriscou uma possível cura para os infectados apenas por um desejo egoísta. Ellie tinha consciência do que poderia acontecer com ela, mas de um certo modo ela aceitou esse destino por considerar a “big picture” e ver que de alguma forma ela estaria sendo útil para reinstalar um mundo fora do caos, um mundo que sequer teve a chance de conhecer. Ao passo que Joel joga tudo isso a perder apenas para tê-la ao seu lado, matando inclusive aqueles que seriam responsáveis salvação da humanidade.

Ellie_Bow_Winter The Last of UsE é por essa razão que, mesmo após passarmos por diversas situações de perigo para salvar a Ellie e levá-la a um centro médico especializado, para no fim do jogo descartarmos essa possibilidade, não soa como tempo perdido. Há uma razão para aquela atitude de Joel, e acredito que todos consigam entender, concordando ou não. Isso demonstra coragem e segurança da equipe ao não hesitar em apostar no simples apenas para manter uma linha de raciocínio inicialmente pensada. Ou seja, a história possui começo, meio e fim. E por mais que seja tentador ver como a Ellie e o Joel estariam em 5 ou 10 anos, eu me questiono até que ponto isso seria relevante.

The last of us posterIsso não quer dizer que o que nos foi mostrado é o suficiente para compreendermos aquele mundo. Uma sequência poderia adotar aquele mesmo local, mas com diferentes personagens, com objetivos e ambições diferenciadas, algo que não comprometa, substancialmente, a qualidade dessa primeira parte. Isso sem contar que o jogo possui elementos suficientes para justificar uma adaptação para o cinema, algo já confirmado pela Sony. No momento, a possibilidade de explorar a história do game em uma linguagem diferente soa mais promissor do que uma sequência direta do jogo. Não que a Naughty Dog não fosse capaz de fazer uma sequência de boa qualidade, o problema reside no fato de que, ao se tornar uma franquia, o jogo pode perder sua essência e cada vez mais se afastar daquilo que o tornou especial, e isso o cinema já mostrou muito bem, franquias muito longas tendem a perder a razão de existir, e embora ainda façam dinheiro (Piratas do Caribe, Se Beber Não Case, por exemplo), são produtos que se tornam extremamente descartáveis e facilmente esquecíveis.

No início desse ano, o diretor de criação do estúdio, Neil Druckmann, afirmou que as chances de uma sequência ainda estão em 50/50. Isso demonstra que o estúdio, apesar do sucesso de vendas e de críticas, está cauteloso em não mostrar mais do mesmo, e que um novo jogo só estaria por vir caso a história de fato, valesse a pena. Ainda assim não dá pra dizer se Ellie e Joel estariam nessa sequência, por ora é preferível que o destino deles fique a cargo da imaginação de cada jogador.

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4 comentários

  1. […] The Last of Us tem sido apontado como um dos melhores games dos últimos anos. O design gráfico somado à boa história com personagens interessantes rende um ótimo jogo de sobrevivência. A premissa é bem simples, controlamos Joel, um homem responsável por proteger e menina Ellie e mantê-la em segurança.O diferencial está no tipos de zumbis (dependendo do estágio da contaminação cada um possui uma “habilidade” diferenciada) e em qual estratégia o jogador deve optar ao encontrar cada infectado. Para uma crítica mais detalhada, clique aqui. […]

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