Batman 75 Anos | A amada e odiada série dos anos 60

batman_robinPoucos personagens foram tão modificados ao longo de sua existência quanto o homem morcego. O Batman apareceu nos quadrinhos pela primeira vez no final da década de 30 e ao longo dos anos 40 foi apresentado como um herói sombrio e soturno, algo bem próximo do que conhecemos hoje.

Durante a década de 50, no entanto, algo se perdeu e alguns dos primeiros aspectos tolos da mitologia do Batman foram adicionados às HQs. Entre eles Ace, o Batcão, e também o Bat-Mite, uma espécie de anão com poderes mágicos que tinha idolatria pelo herói e acabava sendo mais uma eventual companhia irritante do que propriamente um vilão.

Na metade dos anos 60, ainda na Era de Prata do personagem, o Batman vivia uma retomada de seu estilo sombrio e investigativo, tendência que acabou sendo brutalmente interrompida. O maior responsável por isso foi o surgimento da famosa série de TV baseada nas aventuras do personagem.

batman_escalaLargamente odiada pelos fãs, adorada por quem tem um bom senso de humor e hoje considerada um verdadeiro clássico camp e cult, a série do Batman foi desde o início tudo que o personagem não é. Colorida, ridícula e engraçada, essa verdadeira subversão do mito só pode ser motivada pela lógica ingênua da TV da época.

Outra explicação para isso começa com o nome de William Dozier, produtor da série que não sabia absolutamente nada sobre quadrinhos e decidiu que a melhor forma de adaptar o material para a televisão seria com uma comédia pop kitsch e exagerada.

Para confirmar que ele não estava brincando, reveja a clássica cena de abertura:

Adam West vivia o Batman como um homem de meia idade com uma fantasia colada (e uma pança levemente proeminente) que andava por aí distribuindo socos em supervilões e escapando de planos sempre mirabolantes. Burt Ward era o Robin, o menino prodígio, que vestia roupas coloridas e adorava dizer coisas como “santa paciência, Batman” ou “santos balões de plástico, Batman” e outras mais. Além disso, Dick Grayson servia como um sidekick particularmente burro, com isso elevando a inteligência do milionário Bruce Wayne.

batman_gayAs conotações gays da relação entre Batman e Robin eram tão fortes na época (na série e nos quadrinhos, vale dizer) que Dozier se viu obrigado a acrescentar a tia de Dick ao programa dois anos depois de ela ter aparecido nas HQs, apenas para evitar boatos de homossexualidade. A decisão, é claro, acabou tornando a história ainda mais cômica e infantil.

Talvez o aspecto mais delicioso tenha sido a utilização que a série fez da gama de supervilões que tinha em mãos. Vestindo roupas malfeitas e formulando diálogos e planos diabólicos risíveis, personagens como o Charada, o Pinguim e a anti-heroína Mulher-Gato eram quase irreconhecíveis na comparação com o material original. Os mais marcantes certamente foram Cesar Romero como o Coringa e Burgess Meredith como o Pinguim. E vale a pena lembrar que atores como Eli Wallach (Mr. Freeze), Julie Newmar (Mulher-Gato) e Vincent Price (Egghead), além do cineasta Otto Preminger (também como Mr. Freeze), encarnaram versões desses arqui-inimigos.

A maioria dos episódios tinha cliffhangers bem definidos. Em geral, eram sequências nas quais a dupla dinâmica ficava presa a algum mecanismo criativo e mortal. Então, quando o pior se aproximava, o locutor tratava de anunciar que o desfecho daquela história só aconteceria no próximo episódio, momento em que, de forma fácil, os dois se livravam de todos os perigos e tudo ficava decidido em uma rápida luta cheia de acrobacias contra os vilões e uma infinidade de capangas.

batman_vilõesA série também foi responsável por acrescentar diversos detalhes à mitologia do herói, entre eles o fato de emprestar uma versatilidade imensa ao cinto de utilidades, de onde Wayne era capaz de retirar praticamente qualquer coisa. Notavelmente, um grande escudo transparente que ele usa para se defender do Coringa em determinado episódio.

Porém, seu acessório mais conhecido foi mesmo o Spray Repelente de Tubarões, usado em uma cena do filme baseado na série:

Também é interessante reparar em todo o realismo da produção. Se não fosse filme, eu seria capaz de jurar que era um tubarão de verdade ali grudado na perna de nosso herói.

Toda cena de luta era regada a muitas onomatopeias e não necessariamente em forma de sons, como você pode ver a seguir:

O seriado contava com várias participações especiais, como as de Jerry Lewis e do Besouro Verde. Curiosamente, todas elas aconteciam enquanto Batman e o menino prodígio tentavam escalar algum prédio:

E muito antes de Christopher Nolan colocar Batman para fugir com uma bomba no fim de seu O Cavaleiro das Trevas Ressurge, o herói de Adam West já fazia a mesma coisa de forma muito mais refinada e ainda com preocupações ecológicas:

Talvez a melhor coisa sejam as engraçadíssimas sátiras que o programa gerou, que conseguiram muitas vezes a façanha de ser ainda mais cômicas que o original:

E por mais que os mimizentos de plantão reclamem, não tem jeito. Apesar do Batman sombrio que Nolan levou aos cinemas e do conceito sempre dark que o vigilante recebe atualmente, dificilmente nos esqueceremos de algo tão divertido quanto o fabuloso herói vivido por Adam West. O colorido Batman dos anos 60, que não tinha sequer noção do quanto era ridículo, seguirá sempre no coração de boa parte do público.

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