Godzilla | Crítica

godzillaNem todo mundo sabe, mas na série clássica do Godzilla, o monstro gigante que adora derrubar prédios não é apenas um animal irracional. Com o passar dos filmes, o bicho ganhou uma consciência quase humana, o que fez com que a quantidade de monstros por produção aumentasse e as histórias em si ficassem um pouco mais complicadas, deixando de ser apenas a clássica história do Godzilla destruindo uma cidade.

O novo Godzilla, diferente da malfadada versão de Roland Emmerich, decide se apropriar desses avanços na condução do personagem gigantesco. Na trama, o monstro é não apenas um réptil imenso, mas uma verdadeira força da natureza, que, nas palavras do Dr. Ichiro Serizawa (Ken Watanabe), é o principal responsável por manter o equilíbrio na Terra.

A história começa com um terremoto no Japão, que acaba levando à morte a cientista Sandra Brody (Juliette Binoche, infelizmente com pouquíssimo tempo de tela) e condena o pesquisador Joe (Bryan Cranston), seu marido, a uma vida solitária de intensa busca científica. Seu objetivo é explicar as causas do tremor de terra, que ele acredita ter se originado dos gritos de um imenso e misterioso ser vivo.

O filho do casal, o pequeno Ford (Aaron Johnson), cresce para se tornar um tenente do exército norte-americano especializado no desarmamento de bombas. Casado com a enfermeira Elle (Elizabeth Olsen), com quem tem um filho, ele vive há muito afastado do pai, devido a lembranças dolorosas e à obstinação que aquele tem em sua procura por respostas.

Godzilla Bryan Cranston Aaron Taylor-JohnsonÉ mais ou menos por aí que o filme deixa de lado sua história humana e parte para a narrativa da gênese dos monstros. O que é particularmente decepcionante é o fato de Johnson, com sua apatia habitual, ser o protagonista quando em tela temos atores do naipe de Cranston, Olsen, Binoche, David Strathairn e ainda Sally Hawkins, que é reduzida a diálogos minúsculos.

Além disso, a dinâmica humana da história é previsível e chata, ainda mais se comparada ao belo caso de amor que o diretor Gareth Edwards desenvolveu em seu filme anterior, Monstros, que também tinha a existência de seres imensos e destruidores como mote principal. Em Godzilla, os caminhos trilhados pelos humanos são quase burocráticos.

Elle é enfermeira, maneira que a maioria dos filmes-catástrofe encontra para mostrar o sofrimento das inúmeras vítimas do ataque. Segundo o roteiro, a jovem não precisa de muita personalidade, então a garota aparece ocasionalmente apenas para mostrar, toda chorosa, sua preocupação em relação ao bem estar do marido, que está longe de casa.

E, claro, se a calamidade é em São Francisco, pode apostar que a ponte Golden Gate sofrerá as consequências de alguma forma. Após o filme se tornar uma grande operação militar, nem mesmo o personagem de Johnson tem muito a fazer além de correr para todos os lados na tentativa de sobreviver, salvando o dia vez ou outra ao longo do caminho.

godzilla3Como já vimos tudo isso muitas vezes antes, o que resta de mérito ao filme são as brigas de monstros gigantes em meio a prédios e casas. Para muitos, o que realmente importa. E nesse sentido ele não deve decepcionar.

O design do Godzilla é uma clara homenagem aos primeiros filmes do monstro, que aqui tem uma compleição larga e costas espinhentas. Já os outros bichões lembram seres alienígenas, formados por longas pernas finas, olhos brilhantes e um corpo de muitas linhas retas.

À sua chegada, o céu das cidades fica escurecido pelos destroços. Todo o ambiente envolto em fumaça alaranjada é capturado com um delicado senso de estética que alcança seu auge durante uma cena em que paraquedistas saltam de encontro a uma metrópole destruída, uma verdadeira ruína enegrecida.

Edwards soube filmar a dimensão dos acontecimentos de maneira admirável, o que faz com que o público prenda a respiração a cada nova briga entre os gigantes, podendo captar visualmente o que ela significa em termos de tamanho.

godzilla4A grande façanha do filme, porém, está no personagem que dá nome a ele, o verdadeiro protagonista. Ao conseguir transformar o Godzilla em um ser temido e adorado, venerado como a um deus, Edwards faz jus ao mito do monstro, apagando de vez a má impressão deixada pela tosca versão hollywoodiana de 1998.

Cotação-3-5Godzilla - poster nacionalGodzilla (idem)

Direção: Gareth Edwards

Roteiro: Max Borenstein e Dave Callaham

Elenco: Aaron Taylor-Johnson, CJ Adams, Ken Watanabe, Bryan Cranston, Elizabeth Olsen, Carson Bolde, Sally Hawkins, Juliette Binoche, David Strathairn, Richard T. Jones, Victor Rasuk, Patrick Sabongui, Jared Keeso, Luc Roderique, James Pizzinato, Catherine Lough Haggquist, Eric Keenleyside, Primo Allon, George Allen Gumapac Jr., Ken Yamamura, Garry Chalk, Hiro Kanagawa, Kevan Ohtsji, Kasey Ryne Mazak, Terry Chen, Mas Morimoto, James D. Dever, Akira Takarada, Yuko Kiyama, Takeshi Kurokawa, James Yoshizawa, Jason Furukawa, Brian Markinson, Ty Olsson, Al Sapienza, Gardiner Millar, Kurt Max Runte, Peter Shinkoda, Bill Marchant, Christian Tessier, Derrick Yamanaka, Peter Kawasaki, Jason Riki Kosuge, Hiroyoshi Kajiyama, Tetsuro Shigema, Jill Teed, Dean Redman, Taylor Nichols, Anthony Konechny, Eli Goree, Jake Cunanan, Yuki Morita, Warren Takeuchi, Chuck Church, Dalias Blake, Lane Edwards, Todd Scott, Zoe Krivatsy, Serge M. Krivatsy, Lise Kritvatsy.

Gênero: Ação/Aventura/Ficção

Duração: 123 minutos

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