Pulp Fiction | 20 anos desde a estreia em Cannes

Quando surgiu em 1992 com Cães de Aluguel, Quentin Tarantino estourou no cenário independente americano. O estilo do diretor consiste na inspiração em filmes exploitation*, diálogos sarcásticos, humor negro, cultura pop e violência estilizada. Quando em 1994 Tarantino lançou Pulp Fiction, seu estilo se consolidou. A trama, com várias histórias, é contada em uma narração não-linear e ainda resgata nomes que estavam em baixa na carreira como os de John Travolta e Bruce Willis. O filme também tem no elenco Uma Thurman e Samuel L. Jackson, que viriam a ser colabores futuros em Kill Bill (Thurman e Jackson) e Django Livre (Jackson, que ainda faz a narração em certo momento de Bastardos Inglórios).

* Filmes exploitation são filmes de baixo orçamento feitos fora da indústria que mostram mais violência, sexo e drogas que a maior parte das produções.

Pulp Ficton foi um marco no cinema americano. Tarantino junta a arte com a cultura pop, a massa com o cult. Foi vencedor da Palma de Ouro em Cannes e do Oscar de Melhor Roteiro Original, além das indicações e prêmios recebidos em diversas premiações. Gastou apenas 8 milhões de dólares para fazer o filme e conseguiu arrecadar 212 milhões no mundo inteiro. As tramas se desenvolvem no submundo do crime, e todos os personagens se envolvem em determinado momento. Vincent Vega e Jules Winnfield, John Travolta e Samuel L. Jackson, respectivamente, são dois assassinos a serviço de Marsellus Wallace (Ving Rhames), cuja esposa é Mia Wallace, papel de Uma Thurman. Por estar fora da cidade, Marsellus pede a Vincent que saia com Mia e a agrade, levando-a para se divertir em algum lugar. Butch é Bruce Willis, um boxeador que aceita dinheiro de Marsellus para perder uma luta, mas vence e tenta fugir com o dinheiro recebido. O mais incrível é que as histórias se cruzam em uma montagem não-linear mas em nenhum momento o espectador se perde, e é perfeitamente aceitável que em determinado momento perto do fim um personagem morra e “ressuscite” no longa, sem causar nenhum estranhamento. Além de todos esses méritos, devemos ressaltar também trilha sonora do filme, que é igualmente icônica.

**O TEXTO CONTÉM SPOILERS**

Neste post, convidamos vocês para relembrarmos alguns momentos inesquecíveis dessa obra-prima do grande diretor. Em seus diálogos, Tarantino transforma o banal em prioridade, como o inesquecível diálogo entre Vincent e Jules sobre massagem nos pés terem ou não um apelo sexual.

 

E sobre fast food, ao conversarem sobre como na França um dos sanduíches do McDondald’s é chamado…

 

Foi nele que também tivemos a inesquecível cena da dança de John Travolta e Uma Thurman.

E uma pausa para apreciarmos como Tarantino ensinou para eles o que ele queria na cena.

 

Uma Thurman dançando e cantando “Girl, You’ll Be a Woman Soon” antes de cheirar a heroína que estava no bolso do casaco de Vincent.

O desespero de Vincent quando Mia tem overdose e ele tenta falar com Lance pelo telefone.

E a sequência hilária da injeção de adrenalina.

 

O Butch de Bruce Willis tem a fantástica história do relógio de seu pai e como ele foi guardado por anos e por diversas pessoas até ser entregue a ele, que cresceu valorizando o objeto de família.

E sua mulher, Fabienne, tem um dos melhores diálogos. Tarantino sempre mitando com suas personagens femininas.

 

Voltamos para Vincent Vega, aqui, numa das melhores cenas de humor negro que já vi, e uma das mais marcantes e famosas do filme.

 

E como é incrível o fato de Tarantino transformar um chefão do crime em “gente como a gente” quando ele, ao sair para comprar donuts, encontra quem estava fugindo dele para não morrer e…

 

Direção, roteiro, montagem, humor negro, cultura pop, atuações brilhantes e trilha sonora inesquecível. Tarantino é um diretor-cinéfilo, apaixonado pelo que faz. Suas referências estão todas presentes em seus filmes, assim como as subversões/revisões de gênero. Em Pulp Fiction, não é diferente. Seu cinema é criativo e foge de conservadorismos. São 20 anos desde sua estreia em Cannes (nos EUA o filme só estreou em outubro), e desde lá até hoje, Pulp Fiction é fonte de inspiração e referência de gerações.

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