Game of Thrones S04E03 – Breaker of Chains / S04E04 – Oathkeeper | Review

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Os produtores David Benioff e D. B. Weiss sempre tiveram que lidar com o desafio de saber onde meter a mão no material original durante o processo de adaptação de Game of Thrones. Deslocar acontecimentos na cronologia da história, cortar passagens e personagens, inventar outros, alterar detalhes de uma cena específica, vale de tudo na adaptação das Crônicas de Gelo e Fogo para a TV. E isto nunca ficou tão claro como agora, na quarta temporada, onde a série vive o instante derradeiro de perigosamente se aproximar dos livros. O que fazer?

Terceiro episódio deste ano, Breaker of Chains, tem início no instante exato onde seu antecessor terminou, isto é, na morte de Joffrey. Acompanhando a (finalmente!) fuga de Sansa de Porto Real, logo é revelado que Mindinho era a mente que arquitetou todo o plano (e, mais tarde, em Oathkeeper, também é revelado que está por trás do assassinato). Trazendo a oportunidade de dar maior foco aos astutos planos de Petyr, este desdobramento demonstra grande potencial para desenvolver mais uma interessante dinâmica entre uma dupla de personagens. Tão interessante quanto Arya e Cão de Caça, que aqui apenas fazem uma cena de alívio cômico, e permanecem andando pelas terras fluviais rumo ao Ninho da Águia, mesmo destino que o barco que leva a Stark mais velha. Será que as irmãs vão voltar a se encontrar?

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De volta à capital, vemos que a morte do rei coloca as peças do jogo político em movimento novamente. Mal ganha a coroa, o jovem Tommen já começa a ser assediado por interesses de terceiros, a começar pelo avô, numa cena onde mais uma vez Charles Dance retrata o pragmatismo do patriarca Lannister. O outro lado nessa guerra de influências é Margaery Tyrell que, ouvindo os conselhos de Olenna (cúmplice de Mindinho no assassinato de Joffrey), logo trata de ganhar amizade de seu novo pretendente.

Papando mosca na largada desta disputa, Cersei abraça a sede de vingança para aplacar a dor de ter perdido o filho. Pior para Tyrion, que pela segunda vez na série encontra- preso esperando um julgamento que pode lhe custar a vida. Interessante comparar a diferença na composição de Peter Dinklage para esses dois momentos: se lá na já longínqua primeira temporada o anão encarava a morte iminente com uma certa auto-confiança (era necessário apresentar o lado astuto do personagem, afinal), aqui o vemos com uma amargura de quem está conformado com a situação (seu momento de despedida com Pod foi particularmente tocante).

Dividido entre os dois irmãos, Jaime encontra-se numa sinuca de bico. E aqui preciso parar para comentar uma tremenda bola fora da série. Desde a terceira temporada vem sendo feito um ótimo trabalho para redimir o personagem, e isto obviamente culmina na decisão de entregar sua espada para Brienne partir em busca de Sansa (como visto em Oathkeeper). Tendo isto em vista, transformar sua cena de sexo consensual com a irmã em estupro foi simplesmente inaceitável. É certo que a antecipação da volta do Regicida à cidade no ano passado tirou todo o contexto que esta sequência tem nos livros, mas se era para se tornar isto então era preferível o corte, sobretudo porque este estupro certamente não causará o desenvolvimento dramático posterior que lhe seria cabível. Lamentável.

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Servindo como ponto de virada entre os dois episódios, o núcleo de Daenerys narra a conquista da cidade de Meereen pela Quebradora de Correntes. Se a composição de Emilia Clarke nunca foi lá essas coisas, sempre tendendo ao exagero, o recente destaque dado aos seus coadjuvantes é mais que bem vindo. A cena em que Missandei ensina a língua comum a Verme Cinzento, além de nos apresentar melhor àqueles personagens, ainda reforça mais a causa da Filha da Tormenta, dando o peso necessário para nos fazer sentir o sofrimento daqueles escravos. Fazendo uma rima temática com essas lições, Shireen segue alfabetizando Davos e o ajudando a resolver a situação do estagnado Stannis e ver se faz a história desse núcleo finalmente andar.

Em contrapartida, no Norte as coisas realmente ficam interessantes. Procurando fazer render a história da série enquanto nenhum material novo é publicado, Game of Thrones se dá liberdade total para desenvolver arcos totalmente novos. E se sai admiravelmente bem. Colocar os assassinos de Jeor Mormont como novos chefes da cabana de Craster ao mesmo tempo que dá volume para o arco de Bran (pobre Hodor!), também permite um desenvolvimento diferente para Jon e Sam, além de ainda oferecer novos vilões com boa presença e marcar a volta do sumido Fantasma.

Mas inventar fillers não era o bastante para a série. Era preciso ir além. A sequência final envolvendo os White Walkers alcançou um nível que nem mesmo os livros abordam. Nesse sentido, não é exagero dizer que Oathkeeper surpreendeu o público leitor que pensa que sabe tudo da história e riu em eventos como a morte de Ned ou o Casamento Vermelho. Ao que parece, Game of Thrones não se prende e dá sinais que consegue se sustentar sozinha.

E me desculpem os puristas, mas isso é ótimo.

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