Julio Sumiu | Crítica

julio_sumiuA comédia é um dos gêneros mais inglórios do cinema. Além de ser pouco reconhecido como um trabalho verdadeiramente artístico e das complicações para conseguir acertar a mão no tom, existe outro detalhe importantíssimo. É muito mais difícil fazer rir do que fazer chorar. Pois é, o velho mantra de humoristas e comediantes do mundo inteiro está certo até demais.

Também não é segredo para ninguém que, em números comerciais, nosso cinema tem sobrevivido principalmente graças ao criticado humor levado às telas pela Globo Filmes. A produtora reaproveita trejeitos e estruturas televisivas, além de utilizar um elenco principalmente vindo de novelas e programas como Zorra Total, para garantir um público cativo nas salas de cinema. Efetivamente, o público de filmes brasileiros tem batido recorde atrás de recorde nos últimos anos. Mas a que custo?

Julio Sumiu (que estreia esta semana nos cinemas de todo o país) pode ser usado como um exemplo bem didático de tudo o que está errado nas comédias recentes da produtora.

julio_sumiu2De fato, o problema mais flagrante é que o filme não tem a mínima graça. A comédia tenta brincar com uma situação inusitada: acreditando que seu filho Julio (Pedro Nercessian) foi sequestrado pelo perigoso traficante Tião Demônio (Leandro Firmino), a dona de casa Edna (Lília Cabral) transforma a própria casa, dentro de um prédio antigo e residencial, em uma boca de fumo para pagar ao traficante o que lhe deve e ter o filho de volta. Para isso, conta com a ajuda do filho drogado Silvio (Fiuk) e de seu fornecedor de entorpecentes Zeca (Hugo Gravitol).

Muitas vezes, a chave para uma comédia no mínimo competente é tentar tornar as situações e personagens reconhecíveis para o público. Dessa forma, as pessoas podem se enxergar dentro das histórias e se sentem confortáveis para rir de piadas e esquetes que também fazem parte de seu mundo.

Para ser justo, Julio Sumiu tenta fazer algo do tipo ao centrar sua narrativa na crise de uma família de classe média e ao introduzir personagens que, ao menos em tese, fazem parte do imaginário popular. O policial corrupto J. Rui (Augusto Madeira), a periguete Madá (Carolina Dieckmann) e o traficante desligado Zeca são parte dessa tentativa.

julio_sumiu3O motivo por que não funciona é que o filme se utiliza de um senso de humor exagerado e caricato, transformando todos seus personagens em verdadeiros palhaços e tornando a trama em uma coisa ridícula, digna de pena. É muito mais fácil achar graça do inusitado em um contexto cotidiano e comum do que em um no qual os personagens tentam fazer a maior piada do mundo a cada menor fala e movimento, geralmente em vão.

Essa forma de humor, usada constantemente no programa Zorra Total, é herdeira do pastelão, do qual Chaplin foi o maior ícone cinematográfico. A diferença é que falta aos exemplares brasileiros recentes a graça e o talento de um Carlitos. Como não há o menor indício de que vamos parar de tentar, dado o grande sucesso financeiro de filmes do tipo, o melhor mesmo é ficar de sobreaviso contra a avalanche desses produtos genéricos e feitos sob encomenda na nossa cinematografia.

Cotação-1-5Julio Sumiu - posterJulio Sumiu (idem)

Direção: Roberto Berliner

Roteiro: Patrícia Andrade, Vitor Leite e Beto Silva, baseado no livro de Beto Silva

Elenco: Lília Cabral, Fiuk, Carolina Dieckmann, Augusto Madeira, Stepan Nercessian, Sérgio Bezerra, Leandro Firmino da Hora, Hugo Grativol, Pedro Nercessian, Dudu Sandroni, Babu Santana.

Gênero: Comédia

Duração: 100 minutos

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