Game of Thrones S04E01 – Two Swords | Review

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Toda temporada de Game of Thrones começa com episódios de apresentação. Natural, dado a necessidade de rearranjar as dinâmicas frente aos eventos clímax que fecham a temporada anterior. Também pela extensão do elenco de personagens, que por mais carnificina que aconteça na história ainda insiste em permanecer gigante, com o surgimento de novos nomes e casas relevantes. Assim, é admirável ver como a série encontrou o ritmo ideal ao se desobrigar de retratar todos os núcleos num mesmo episódio. Ajudou nisto também a decisão de dividir o terceiro livro em duas temporadas, o que dá conforto para a série avançar sem pressa ao mesmo tempo em que extrai o máximo deste que é o ponto alto da saga publicada até agora.

Ainda colhendo os frutos do que foi o Casamento Vermelho ano passado, Two Swords já justifica seu título na magnífica sequência de abertura, onde um triunfante Tywin Lannister (Charles Dance, sempre fabuloso) acompanha o derretimento da espada do saudoso Ned Stark para fabricação de duas outras. Retratando um simbolismo belíssimo (e melancólico) da derrocada final dos Starks, a cena – obviamente acompanhada pelos acordes de The Rains of Castamere – mostra também a crueldade implacável do patriarca Lannister, para quem não basta apenas derrotar seus inimigos, é preciso apagar qualquer vestígio da sua existência.got401 02

Em Porto Real, destaque para a sensacional introdução do lascivo e cativante Oberyn Martell. Queridinho de quem já leu os livros, o príncipe de Dorne já chegou dizendo ao que veio esbanjando sensualidade (numa rara sequência de nudez não gratuita na série) e sede de vingança. Palmas para a composição de Pedro Pascal, que captou perfeitamente a alma do personagem. E também Indira Varma como Ellaria Sand, que não apenas mostrou uma química perfeita com seu par como também retratou o caráter arredio daquele povo ao confrontar a hipocrisia da capital (“I’m not a lady.“). Também devo ressaltar a ótima sacada de mudar a rivalidade dos Martell com os Tyrell para os Lannisters, o que torna todo aquele contexto da vingança da Víbora num barril de pólvora com pavio ainda mais curto.

Falando nas flores, foi interessante constatar o pragmatismo de Margaery frente a Brienne ao quase ignorar o assunto da morte de Renly. Não entendi o objetivo dos roteiristas terem adiantado a chegada da amazona de Tarth e do Regicida à capital, mas eles demonstraram que sabem lidar com esse “buraco temporal”. E se Jaime Lannister retorna um pouco à pompa que vinha sendo desconstruída até então, é inegável que, como ele mesmo percebe, nada será como antes. Prova disso é Tyrion, que depois de rejeitar um convite a uma festinha com os recém chegados ainda nega fogo a sua amada Shae. Estou curioso para assistir o desenvolvimento desta subtrama, já que o caráter da prostituta ficou bem diferente na TV. E qual não foi a minha surpresa ao ver que trouxeram de volta Sor Dontos! Não que isso faça muita diferença, mas foi legal ver que a série não o citou à toa lá na segunda temporada.

Último comentário sobre o núcleo de Porto Real: linda referência a Sor Duncan, o Alto. Quem leu O Cavaleiro dos Sete Reinos deve ter ficado com um sorriso de orelha a orelha.

got401 01E se no Norte o que mais chama atenção é a aparição dos terríveis canibais do clã dos Thenns, passando batido o “julgamento” de Jon Snow ou mesmo seu lamento pela morte do irmão (Kit Harington, vamos pôr mais emoção nessas falas, rapaz!). Em Essos, Daenerys Targaryen segue sua jornada messiânica rumo a libertar os escravos. Destaque óbvio para a fantástica beleza dos agora imensos dragões, que já dão pinta que não vão ser meros bichinhos de estimação da Dany. E se o recast de Daario Naharis é bem vindo (ninguém merecia mais com a canastrice do “melhor assobio da região” da temporada passada), é interessante como a dinâmica entre este e a khaleesi mudou. Se no ano passado a menina parecia já caidinha pelo mercenário, agora que este mudou de rosto ela parece estar se fazendo de difícil. Hum.

Mas o melhor deste episódio ficou mesmo para a sequência final. Arya Stark, a menina loba mais querida de Westeros, retoma sua espada em grande estilo. É absolutamente incrível o talento de Maisie Williams. Sempre que ela está em cena a série brilha. E que química perfeita que esta desenvolveu com, quem diria, Sandor Clegane! Admirável trabalho de Rory McCann, que mostra com sutileza a postura protetora e mesmo de admiração que o Cão de Caça adota pela audaciosa menina. A sequência de luta na taverna levou os fãs dos Starks ao delírio ao retratar como a pequena está visivelmente se tornando uma assassina. Arya representa, dentre todos os filhos de Ned remanescentes, o maior e mais imperceptível perigo para seus adversários.

E agora ela está com sua Agulha novamente.

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