Diretores | Os Pássaros de Alfred Hitchcock

Não é novidade para ninguém que o cinema de Alfred Hitchcock até hoje é imitado, admirado, difundido e homenageado no mundo todo. Ecos de Os Pássaros podem ser vistos em filmes como Sinais e Fim dos Tempos, de M. Night Shyamalan, e até em O Nevoeiro, de Frank Darabont. Eu não me admiraria se Steven Spielberg confessasse também tê-lo feito em Tubarão, já que Os Pássaros foi para quem vive em terra o que Tubarão é para aqueles que adoram pegar uma praia.

O que mais assusta em Os Pássaros é a inexistência de um motivo para tal ataque, é o fato de os animais estarem em todos os lugares e sua “revolta” não ser pertencente a uma espécie ou um tipo específico de ave, e sim algo generalizado, podendo ir do mórbido corvo até, quem sabe, um inocente canário.

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A maneira com que Hitchcock trabalha a tensão dos personagens é algo palpável. O medo, o pavor, tudo está explícito no olhar deles. Não é preciso um mascarado com um facão ou um terrível monstro para fazer gelar a espinha. Basta um inocente voo rasante de uma gaivota. Afinal, você nunca sabe quando e em quantos elas atacarão.

Os efeitos especiais utilizados para levantar o que parecem ser centenas de pássaros e fazê-los voar em frente à tela foram uma novidade na época do lançamento, sendo necessária a criação de uma nova tecnologia para que eles fossem desenvolvidos. Também é impressionante como Hitchcock consegue gerar um clima de tamanha tensão sem o uso de qualquer tipo de trilha musical. O pouco de música contido no filme aparece apenas quando a fonte do som está muito bem localizada dentro da própria cena.

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Nunca a fúria da natureza foi tratada de forma tão visceral e ao mesmo tempo tão, digamos, inocente. Quem esperaria ser atacado até a morte por um bando de pássaros? E choca ainda mais quando se nota que são apenas… pardais. Aliás, a cena em que pardais invadem a casa de Mitch Brenner (Rod Taylor) através da chaminé é angustiante. A minha predileta é a icônica sequência da escola.

Quando Melanie Daniels (Tippi Hedren) senta-se em um banco e acende um cigarro, não percebe que atrás dela existe um playground para as crianças. No mesmo local, pousa um único corvo. Conforme ela traga seu cigarro, o espectador vai ficando nervoso porque a câmera mostra que, de um em um, o número de aves vai aumentando, até o momento em que a moça se vira e ali há centenas delas. Aí o pavor bate. Uma cena simples, tensa e genial, como só Hitch soube fazer tão bem.

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Melanie alerta a professora e as crianças e aí chegamos à cena dos jovens correndo da escola, com hordas de pássaros sobrevoando suas cabeças. Quem tem sangue frio para conseguir não ficar na ponta do sofá nesse momento não sabe apreciar seu peso. Tenso, brilhante, arrepiante, este é o filme que muda nossa visão sobre os “inocentes” pássaros. Duvido que você não se pegará um dia observando-os e acabará por se perguntar: “quando eles se revoltarão contra nós?”

 

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