Believe S01E01 – Pilot | Review

believeQuando um cineasta está em seu auge produtivo, por vezes o público tem a impressão de que ele é incapaz de errar. Pode-se dizer que o diretor mexicano Alfonso Cuarón, que recebeu um Oscar por Gravidade no início do mês, vive esse momento agora. Não é à toa que a estreia de sua parceria com o produtor J. J. Abrams, a série Believe, captou a atenção de mais de 10 milhões de telespectadores norte-americanos na última segunda-feira.

Entretanto, é bem provável que o que foi mostrado no episódio piloto não tenha exatamente empolgado o público. A série narra a história de Bo (Johnny Sequoyah), uma jovem com misteriosos poderes especiais. Winter (Delroy Lindo) é um agente protetor da garota, que liberta Tate (Jake McLaughlin) da prisão para ajudar a salvá-la. O homem estava preso injustamente por assassinato.

O episódio começa bem, com um intrigante acidente de carro filmado sem cortes.  Os pais da garota são mortos e ela levada para o hospital. A partir daí, a qualidade cai consideravelmente. Winter diz a Tate que ele não pode carregar uma arma porque eles são os “caras bons”. Mesmo com os capangas de Skouras (Kyle MacLachlan), ex-parceiro de Winter, fazendo de tudo para recuperar a garota. Só para deixar claro, esses são os “caras maus”.

believe2O episódio tem sérios problemas de roteiro, que começam a ficar claros assim que a trama vai se desenrolando. Para começo de conversa, há dúvidas demais e nenhuma explicação. Por exemplo, por que um casal iria querer adotar uma garota cercada por tanto perigo? Por que Winter e Skouras se tornaram inimigos? Quais os planos diabólicos dos vilões para a garota? E qual a natureza dos poderes de Bo?

Sim, porque até onde vimos ela é capaz de levitar, mover objetos com o poder do cérebro, ler pensamentos e… comandar uma revoada de pombas. Ao mesmo tempo, seu poder de leitura de mentes se mostra estranhamente inútil quando os vilões entram em cena. Fica a impressão de que foi inserido no episódio apenas para dar seguimento a uma trama desinteressante sobre um médico com crise de identidade. São inconsistências como essa que, ao invés de deixar o público intrigado, acabam mesmo por testar sua paciência e credulidade. A trama não se importa em fazer com que o telespectador sinta interesse por seus rumos e muitos detalhes parecem simplesmente largados de maneira displicente.

Isso poderia ser mais ou menos contornado se ao menos um detalhe tivesse dado certo nesta première da série: os personagens. Mas a protagonista Bo é irritante e pouco carismática, Tate um verdadeiro bobalhão inexpressivo e Winter não disse exatamente a que veio. Todos os atores parecem desconfortáveis e francamente ruins, embora a culpa não recaia totalmente sobre eles. A narrativa até aqui pouco se importou com seu caráter e perfil psicológico, o que originou verdadeiras caricaturas rasas e desinteressantes. Só não dá para dizer muito sobre MacLachlan, que teve um tempo bastante reduzido de tela.

believe3Até agora uma experiência decepcionante em todos os aspectos, chega a ser inacreditável que Cuarón esteja envolvido no projeto. Não é impossível que Believe melhore no futuro (até porque seria preciso muito esforço para conseguir deixar as coisas piores do que já estão), mas, e digo por experiência própria, raramente uma série consegue se recuperar de um início tão ruim. Vamos ver o que nos aguarda na próxima semana.

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