True Detective – 1ª Temporada | Review

true_detectiveProgramas sobre detetives durões e serial killers não são exatamente uma grande novidade na grade televisiva norte-americana. Nos últimos anos tivemos Hannibal e Dexter (que apresenta uma forma deturpada dessa dinâmica) como destaques entre as séries do gênero. Portanto, não foi graças ao tema que True Detective despertou o interesse do público assim que o projeto foi anunciado.

Na realidade, a escolha dos atores Matthew McConaughey (que, para quem não sabe, acaba de levar uma estatueta do Oscar para casa) e Woody Harrelson, para os papéis principais foi um grande chamariz por si só. Mas esse também não é o aspecto mais interessante da série.

A estrutura dos seriados americanos comuns pressupões uma grande rotatividade de diretores e roteiristas. Em muitos casos, temos um diretor e um roteirista diferente para cada novo episódio. O esquema é compreensível, devido à grande mão de obra necessária para o desenvolvimento de uma série. A principal vantagem é que, dessa forma, se mantém uma visão unificada da história e da direção dentro de cada episódio.

true_detective2A desvantagem é que uma temporada não consegue ter seu andamento unificado nesse mesmo nível, passando a apresentar grandes diferenças de tom e qualidade entre esses diversos capítulos. Mas não em True Detective. Da primeira cena até a última sequência, a série foi inteiramente roteirizada pelo escritor Nic Pizzolatto e dirigida por Cary Joji Fukunaga. Dois talentos recentes, já com alguns trabalhos impressionantes em suas carreiras.

Com isso, True Detective ganha uma unidade pouco vista em séries do gênero, conseguindo manter o ritmo, tom e atmosfera da narrativa do início ao final. Pode-se inclusive assisti-lo como a um longo, demorado filme, com quase oito horas de duração.

A série começa com uma estrutura dividida entre o presente e o passado. Os protagonistas, em duas entrevistas separadas, contam a dois outros policiais (Michael Potts e Tory Kittles) os detalhes de uma investigação sobre assassinatos em série ocorridos no estado de Louisiana na década de 90. Os dois trabalhavam como parceiros na época.

true_detective3O detetive Martin Hart (Harrelson) é um jovial homem de família, casado com Maggie (Michelle Monaghan, excelente no papel) e com duas filhas, e que mantém uma jovem amante (Alexandra Daddario). Rustin Cohle (McConaughey) é um policial pessimista que perdeu sua família e tem um temperamento antissocial, filosófico e fleumático.

Em um dos primeiros notáveis diálogos entre os dois, Marty incentiva Rust a contar um pouco sobre si mesmo e tenta manter uma conversa amigável. Pouco depois de abrir a boca e liberar uma torrente de pensamentos sombrios, Marty pede seguidamente que ele volte a se calar. Mas já é tarde demais.

Os conflitos e diferenças geralmente movem as relações entre as clássicas duplas de policiais de filmes e séries. Em True Detective, essa dualidade se torna uma terceira personagem da narrativa, erguendo uma barreira entre os dois enquanto faz com que inconscientemente fiquem mais e mais interessados pela psicologia um do outro. E é impressionante o quanto ambos mudam e se desenvolvem nesse curto tempo de tela, a ponto de cada um somar características do parceiro ao próprio caráter.

true_detective4A direção mostra uma clara preocupação com o clima da narrativa. As paisagens desoladas do sul norte-americano são uma presença marcante, que justifica a existência de personagens díspares, excêntricos, dissimulados ou simplesmente monstruosos. Por vezes, a trama é lenta e pesada, com um trilha sonora construída de maneira impecável, em consonância com o todo da trama. Em outras, ágil e impressionante, o que culmina em um plano-sequência de seis minutos que deve ser uma das melhores coisas já feitas em séries televisivas.

Embora o caso dos assassinatos em série (assim como vislumbres de alguns poucos crimes resolvidos em diferentes momentos da história) seja interessante em si mesmo, o que realmente prende a atenção é a personalidade de seus dois protagonistas, ambos interpretados por atores em seu auge. Até por isso Pizzolatto e Fukunaga sugeriram em entrevistas que os crimes são um elaborado plano de fundo.

Não são twists inimagináveis ou revelações de última hora que fazem de True Detective uma grande série. É a construção meticulosa e bem cuidada de todo o cenário que cria uma das realizações audiovisuais mais vivas e assustadoras da TV atual. Infelizmente, como se trata de uma antologia, o último episódio é também o momento de dar adeus a esses personagens para sempre.

true_detective5P.S. Só para alegrar um pouquinho, é importante dizer que Pizzolatto já trabalha na próxima temporada, que terá uma nova história e duas protagonistas femininas. Novamente, ele quer atrizes de peso para os papéis.

Anúncios

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s