Até o Fim | Crítica

ate_o_fimEm 1952, o aclamado escritor norte-americano Ernest Hemingway publicou um de seus livros mais conhecidos, considerado por muitos um clássico moderno e a grande obra-prima de seu autor. O Velho e o Mar conta a história do idoso pescador Santiago, que trava no oceano uma batalha de vida ou morte contra um peixe de tamanho gigantesco.

Na história, a eterna luta do homem contra a natureza e suas próprias limitações ganha proporções bíblicas, com uma série de referências veladas à história de Jesus Cristo na trajetória do pobre pescador. Até o Fim, filme que certamente teve grande inspiração na obra literária, vai além e transforma seu herói em um ser humano sem nome e sem uma história de vida, tornando-o um símbolo para a humanidade e sua capacidade de superação.

Mais do que isso, ao longo do filme raramente somos confrontados com os pensamentos do personagem de uma forma direta. Além de ser o único personagem existente na trama, o Homem (Robert Redford, que está com 77 anos de idade), é sucinto e sente pouca vontade de conversar consigo mesmo. Uma manobra corajosa do roteirista e diretor J. C. Chandor, que evita por completo os diálogos absurdamente expositivos de seu filme anterior, Margin Call – O Dia Antes do Fim.

ate_o_fim2A narrativa é bem simples. Certo dia, nosso Homem acorda dentro de seu barco em alto mar e encontra um buraco no casco causado por um contêiner à deriva. Não sabemos de onde ele veio, quem é ou aonde vai. Só sabemos que está só, terrivelmente só.

A partir desse ponto, o Homem é obrigado a enfrentar algumas das piores adversidades imagináveis. Terríveis tempestades, a quebra de todos seus aparelhos de comunicação com terra, a incapacidade de se comunicar com os grandes navios que circulam ao seu redor e passam sem vê-lo. É uma longa luta corpo a corpo contra o azar.

Fazer com que um filme de mais de uma hora e meia de duração e praticamente mudo seja interessante para o espectador é um grande desafio, mas os envolvidos no projeto fazem um belo trabalho. Redford especialmente consegue traduzir tão bem as emoções do personagem frente às adversidades que, perto do fim, temos a impressão de conhecer muito sobre ele, talvez até mais do que se tivesse sido apresentado de uma forma didática e corriqueira. O roteiro sabe usar bem seu mutismo, dando um peso tão grande às poucas palavras utilizadas que um único fuck traduz uma imensa gama de sentimentos vividos pelo protagonista e também pelo público, que o acompanha.

ate_o_fim3Há momentos em que o filme exagera em sua tentativa de tornar a história mais dinâmica e até por isso os infortúnios vividos pelo Homem parecem ocasionalmente de origem sobrenatural. Porém, se comparado a dramas de sobrevivência do cinema recente, como As Aventuras de Pi e Gravidade, Até o Fim soa até bastante realista, mesmo que não seja exatamente o melhor deles.

Enquadrado em uma belíssima fotografia e apresentando um senso de urgência quase onipresente, as maiores qualidades do longa, aquelas que o tornam único, acabam sendo também as causas de seus maiores problemas. Saber tão pouco sobre o protagonista é o que faz com que seja tão fácil se envolver com as intermináveis sequências de ação do filme, que se tornam o foco absoluto da narrativa. Mas também é o que impede a formação de laços emocionais mais profundos com a história.

Cotação-3-5Até o Fim - poster nacionalAté o Fim (All is Lost)

Direção: J.C. Chandor

Roteiro: J.C. Chandor

Elenco: Robert Redford

Gênero: Ação/Aventura/Drama

Duração: 106 minutos

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