Ela | Crítica

her2Ela, o novo filme do diretor e roteirista Spike Jonze (Quero Ser John Malkovitch, Adaptação, Onde Vivem os Monstros), chegou aos cinemas brasileiros cheio de burburinho, com muita expectativa por parte dos cinéfilos, por ser chamado pelos críticos de “a primeira grande história de amor do século XXI”. Bom, devo apenas dizer que concordo com estes críticos, o filme é realmente tudo isso, uma linda história de amor com toques de ficção científica que dialoga com o momento em que vivemos hoje, cada vez mais interagindo com o mundo através de telas de LCD (ou seja lá do que elas são feitas), mas cada vez mais absolutamente sós, sem saber como exteriorizar nossos sentimentos.

A direção é leve, mostrando sempre como o mundo é grande e como o personagem Theodore (magistralmente interpretado por Joaquin Phoenix) é pequenino em relação a ele. A fotografia no melhor estilo dos aplicativos que todo mundo usa hoje em imagens, com aquele ar vintage e sempre destacando tons de vermelho e amarelo, mas sempre com suavidade, dão o tom de fábula moderna à história, além do visual meio hipster meio nerd-caretão que Jonze aposta ser a moda do futuro. Tudo isso, mais a linda trilha sonora composta por Arcade Fire e o próprio diretor junto de Karen O (a música The Moon Song, interpretada por Joaquin e Scarlett Johansson, é lindinha), já deixam o filme irresistível.

her3Mas é o roteiro lindamente bem escrito, repleto de diálogos memoráveis, que nos pega de jeito…bem, a história é sobre Theodore, que está se divorciando e vivendo portanto naquela fase de fossa, ele trabalha como redator de cartas manuscritas, algo raro já hoje em dia e que provavelmente será ainda mais no futuro (uma empresa como a que ele trabalha será bem possível). Enfim, Theodore então adquire um sistema operacional (estilo o Siri, da Apple) mas que é intuitivo, e, para ele, chama-se Samantha (Scarlett Johansson, imprimindo uma forte presença com seu excelente trabalho de voz), e que evolui tanto, adquire tantos sentimentos, parecendo tão real, que Theodore apaixona-se por…ela.

“Às vezes eu acho que eu já senti tudo o que deveria ter sentido, e que agora nenhum sentimento será novo, apenas versões menores do que já senti.”

Quando Theodore diz isso a Samantha, ele, um homem tão sensível que escreve belíssimas cartas de afeto para outras pessoas, que consegue captar sentimentos através de pequenos detalhes observando os outros e os transpõe no papel, percebemos como as desilusões nos tiram um pouco de vida. Rever, repensar, mudar, tudo isso dói. Sair, ver o mundo lá fora com todas as cores, cheiros e sensações depois de uma decepção, é difícil. E é muito fácil, seguro e cômodo viver através das telas dos aparelhos e dormir, sonhar e imaginar o que poderia ser. Sua amiga Amy (vivida por Amy Adams), acha que quando dormimos nos sentimos mais livres, mas viver somente através daquilo que imaginamos pode se tornar também uma prisão.

her4Na realidade criada em Ela, o namoro entre Theodore e Samantha é visto com naturalidade por quase todo mundo, como nós, espectadores, que num primeiro momento achamos uma loucura, mas ao longo do filme nos acostumamos e torcemos pelo “casal”, mas não se pode dizer que não haja questionamentos se aquilo é real. Mas afinal, de certa forma é, assim como amizades virtuais são, e também não é, assim como os estratagemas que criamos para os relacionamentos.

No final, o que nos toca tanto é perceber que estamos sempre sozinhos em relacionamentos quando colocamos todas as nossas carências, expectativas e projeções no outro, mas sempre somos um pouco do outro, somos formados por tudo e todos que um dia fizeram parte de nossa vida. E que o importante é sempre amar e se sentir amado, não importa como.

Cotação-5-5

Ela (Her)

Ela - poster nacional

Direção: Spike Jonze

Roteiro: Spike Jonze

Elenco: Joaquin Phoenix, Lynn Adrianna, Lisa Renee Pitts, Gabe Gomez, Chris Pratt, Artt Butler, May Lindstrom, Rooney Mara, Bill Hader, Kristen Wiig, Brian Johnson, Scarlett Johansson, Amy Adams, Matt Letscher, Spike Jonze, Olivia Wilde, David Azar, Dr. Guy Lewis, Melanie Seacat, Pramod Kumar, Evelyn Edwards, Steve Zissis, Dane White, Nicole Grother, James Ozasky, Samantha Sarakanti, Luka Jones, Gracie Prewitt, Claudia Choi, Laura Kai Chen, Portia Doubleday, Soko, Wendy Leon, Charles Riley, Robert Benard, Lisa Cohen, Grant Samson, Brian Cox, Leo Baligaya, Joan Blair, Katherine Boecher, Kathleen Marie Carr, Hallie Marie Chaney, Lee Christian, Laura Colquhoun, Andy Dale, Sandra Daubert, Nico David, Aristotle Dreher, Mathew Dunlop.

Gênero: Comédia/Drama/Ficção/Romance

Duração: 126 minutos

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4 comentários

    • Foi um final em aberto, para o espectador interpretar de acordo com suas sensações em relação ao filme. Na hora achei que eles iriam “desistir de tudo”, mas daí perceberam que tinham um ao outro. Mas eu quero rever o filme e ver se minha percepção continua a mesma. 😉

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