Caçadores de Obras-Primas | Crítica

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Muita gente se esquece, mas além de ter sido um conflito territorial e ideológico, a Segunda Guerra Mundial também foi um embate cultural. Quando era mais jovem, Adolf Hitler pintava e tinha a ambição de se tornar um grande artista, sonho frustrado pelo fato de ter sido rejeitado duas vezes na Academia de Belas Artes de Viena. Décadas depois, já em seu trono soberano como Führer da Alemanha nazista, é claro que ele teve que levar a cabo sua vingança artística contra o resto do mundo.

Os grandes roubos de arte praticados pelos alemães na Segunda Guerra motivaram a criação de uma improvável unidade militar formada por integrantes de comunidades artísticas de diversos países aliados. Eram em sua maioria escultores, pintores e diretores de museus e galerias preocupados com a preservação de obras de apelo global.

No papel, o plano era uma loucura: eles teriam apenas uma formação militar básica para atuar de maneira especial em campo de batalha, tendo que resgatar obras em meio a tiroteios e matanças expressivas. E eram apenas 350 pessoas contra o plano megalomaníaco de Hitler de construir um monumental Museu do Führer, com milhões de obras expostas para o deleite do Terceiro Reich.

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Ao final, o esforço desse pequeno grupo se justificou. Já foi comprovado que os nazistas chegaram a roubar cerca de cinco milhões de obras de arte no período que comporta a Segunda Grande Guerra. Os Monuments Men, como ficaram conhecidos, recuperaram 90% delas. O restante foi destruído ou já é considerado perdido para sempre.

A história dessa unidade militar improvável foi registrada no ótimo livro do autor Robert M. Edsel, agora adaptado para as telas por George Clooney em uma versão não tão boa assim. O filme destaca o trabalho de alguns dos principais agentes dos Monuments Men, entre eles os tenentes Frank Stokes (George Clooney), James Granger (Matt Damon), Jean Claude Clermont (Jean Dujardin) e Donal Jeffries (Hugh Bonneville), além dos sargentos Richard Campbell (Bill Murray) e Walter Garfield (John Goodman).

Uma das principais acusações que se pode fazer contra Caçadores de Obras-Primas é o fato de o filme ser extremamente raso emocionalmente. A narrativa erra ao impedir que saibamos mais da vida pessoal de seus personagens e insiste ainda mais no erro ao tentar forçar cenas dramáticas e nostálgicas sem ter uma base para que elas funcionem. Um exemplo notável é uma carta da filha recebida pelo sargento Campbell em seu acampamento militar. Embora saibamos que esse deveria ser um momento emocionalmente catártico, a construção do personagem é tão mal feita que a sequência acaba se mostrando menos profunda que uma poça d’água.

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Não é nada difícil enxergar o filme como uma grande tentativa de comédia, mas infelizmente ele é falho também nesse quesito. Ninguém se opõe a um bom senso de humor, mas aqui ele parece não apenas deslocado, mas completamente perdido. O roteiro chega ao cúmulo de tentar fazer piada com o personagem de Damon, que pisa em uma granada e pode em poucos instantes simplesmente explodir sua unidade inteira. Difícil pensar em uma situação menos propensa à comédia.

E embora já fosse aguardado em um filme como esse, um dos fatores que mais incomodam ao longo da exibição de Caçadores de Obras-Primas é o patriotismo extremo da coisa, que chega a soar ridículo ao final do filme. É o momento em que se tenta criar uma grande tensão com os bons norte-americanos acuados entre os maldosos nazistas e, é claro, os soviéticos desordeiros, criminosos e beberrões. Tudo construído de forma ofensiva, preconceituosa e demonstrando um senso patriótico que parece retirado de filmes B de uma Hollywood ainda na década de 40.

É bem verdade que George Clooney já demonstrou ter talento como diretor em outros filmes, como Boa Noite e Boa Sorte e Tudo Pelo Poder, mas ele não é à prova de falhas. Caçadores de Obras-Primas é o exemplo perfeito disso, constituindo sem sombra de dúvidas seu pior trabalho por detrás das câmeras até agora.

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Caçadores de Obras-Primas - poster nacionalCaçadores de Obras-Primas (The Monuments Men)

Direção: George Clooney

Roteiro: George Clooney e Grant Heslov, baseado no livro de Robert M. Edsel e Bret Witter

Elenco: George Clooney, Matt Damon, Bill Murray, Cate Blanchett, John Goodman, Jean Dujardin, Hugh Bonneville, Bob Balaban, Dimitri Leonidas, Justus von Dohnányi, Holger Handtke, Michael Hofland, Zahary Baharov, Michael Brandner, Sam Hazeldine, Miles Jupp, Alexandre Desplat, Diarmaid Murtagh, Serge Hazanavicius, Luc Feit, Emil von Schönfels, Udo Kroschwald, Aurélia Poirier, Grant Heslov, Matthew Maguire, Michael Dalton, Christian Rodska, Stefan Kolosko, Thomas Wingrich, Oliver Devoti, James Payton, Lucas Tavernier, Oscar Copp, Luciana Castelucci, Declan Mills, Richard Crehan, Stuart Matthews, André Hinderlich, Maximilian Seidel, Marcel Mols, Matt Rippy, John Dagleish, Andrew Byron, Nicolas Heidrich, Aidan Sharp, Xavier Laurent, Ben-Ryan Davies, Nick Clooney, Joel Basman, Andrew Alexander.

Gênero: Ação/Aventura/Drama/Guerra

Duração: 118 minutos

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