Meu Malvado Favorito 2 | Crítica

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O que define uma boa sequência?

Quando determinado filme consegue render dinheiro logo o estúdio responsável encomenda uma continuação que nem sempre é cabível. E é frequente os realizadores caírem na armadilha fácil de apenas repetir a fórmula do original, resultando num filme sem identidade que não passa de uma cópia pálida de seu antecessor. Por conta disso sequências geralmente são vistas com maus olhos pela crítica, um preconceito que nem sempre se aplica.

Assim, confesso que senti um certo desânimo quando me deparei com a cena de abertura deste Meu Malvado Favorito 2. Não passando de uma repetição do conceito da original, a sequência novamente ilustra um roubo grandioso em uma localidade remota do planeta (lá, as pirâmides no ambiente desértico do Egito, aqui, uma base de operações secretas na gélida Antártida). Seria de se esperar, portanto, que este fosse mais um exemplo do que apontei no parágrafo anterior.

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Em parte sim. O roteiro do filme, escrito pela dupla Ken Daurio e Cinco Paul, basicamente recicla a mesma estrutura vista anteriormente. Se antes o vilão Gru tinha que se adaptar à convivência com Margo, Edith e Agnes até por fim abraçar a paternidade, agora o mesmo arco emocional é desenhado, mas para o lado romântico. Afinal, as meninas precisam de uma mãe. É aí que entra a agente secreta Lucy, que aparece inicialmente apenas como parceira do protagonista para desvendar o roubo já citado e acaba ganhando o coração. Aliás, o terceiro ato de Meu Malvado Favorito 2 também divide similaridades com o original ao focar a situação clichê da mocinha em perigo.

Em parte não. Os diretores Pierre Coffin e Chris Renaud parecem genuinamente interessados em estabelecer alguma continuidade entre os dois filmes, diferenciando-os dentro desta continuidade. Isso fica claro logo nos primeiros minutos que estabelece Gru como alguém realmente feliz em ser pai, mesmo que isso requeira passar por certos ridículos eventualmente. O personagem não sente a menor falta da vida passada, e é somente quando terceiros mencionam que gostariam de “voltar à ação” é que o pensamento parece lhe ocorrer. Claro que a fotografia contrapondo o aconchegante colorido do lar com o frio e escuro azul da base de operações no subsolo acabam evidenciando isso ainda mais. Outro ponto positivo da direção encontra-se em momentos realmente inspirados, como aquele onde a primeira pessoa é empregada em uma certa criatura.

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Temos então em Meu Malvado Favorito 2 um misto de prognósticos. A sequência repetiu o original ou não? Eu diria que ela foi eficaz em resgatar justamente aqueles elementos que mais funcionaram antes, como a extrema fofura de Agnes e as peripécias dos Minions, que dessa vez ganham um destaque muito maior, mas ainda sem cair no fácil erro de os tornarem o centro do longa. Isso se revela bastante acertado, mas também acaba prejudicando outros aspectos: a subtrama envolvendo o romance de Margo e os ciúmes de Gru surge promissora, mas é logo sumariamente descartada ao passo em que Edith atravessa o filme inteiro quase como uma figurante de luxo. Finalmente, ver Lucy abraçando Agnes na cena final causa estranhamento, já que a história em momento nenhum se dedicou a retratar a agente como próxima da menina (ou será que pensaram que trabalhar o romance entre ela e Gru automaticamente a tornaria mãe das meninas também? Que maniqueísmo!).

Acerca do trabalho dos dubladores nacionais (como infelizmente se tornou de praxe, tive extremas dificuldades de acesso a sessões legendadas), nada de muito novo. Leandro Hassum dá forma ao interessante e exótico sotaque de Gru enquanto Pâmela Rodrigues encanta com a doce voz infantil de Agnes. Mas a maior surpresa é mesmo ouvir a voz de Sidney Magal como El Macho, encaixando como uma luva no personagem. Em relação ao 3D, como era de se esperar, não é relevante (por mais que o filme tenha o péssimo hábito de lançar objetos em direção à platéia, uma estratégia que já se tornou velha e batida).

Por fim, retorno à pergunta inicial. Por mais que seja apenas uma reciclagem descartável, não chamaria Meu Malvado Favorito 2 de uma sequência ruim. O filme é divertidíssimo, as piadas funcionam e os personagens têm carisma.

Às vezes apenas isso basta.

Cotação-3-5

 

 

Meu-Malvado-Favorito-2-200x300Meu Malvado Favorito 2 (Despicable Me 2)

Direção: Pierre Coffin e Chris Renaud

Roteiro: Ken Daurio e Cinco Paul

Elenco: Steve Carell, Kristen Wiig, Benjamin Bratt, Miranda Cosgrove, Russell Brand, Ken Jeong, Steve Coogan, Elsie Kate Fisher, Dana Gaier, Moises Arias, Nasim Pedrad, Kristen Schaal, Pierre Coffin, Chris Renaud, Nickolai Stoilov, Vanessa Bayer, Ava Acres, Lori Alan, Jack Angel, Eva Bella, Georgia Cook, John Cygan, Debi Derryberry, Jess Harnell, Danny Mann, Mona Marshall, Mickie McGowan, Mason McNulty, Alex Medlock, Laraine Newman, Jan Rabson, Andre Robinson, Katie Silverman, Casey Simpson, Claira Nicole Titman, James Kevin Ward, April Winchell, Óscar de Brito, Bailey Gambertoglio.

Gênero: Animação/Comédia

Duração: 98 minutos

Assista AQUI ao trailer de Meu Malvado Favorito 2

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