Superman – O Retorno | Por que não deu certo?

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Há exatos sete anos estreava nos EUA o retorno de Superman ao cinema após quase vinte anos de espera, desde que Christopher Reeve vestiu o uniforme pela última vez e depois de diversas tentativas frustradas de produzir o filme na década de 1990 e início de 2000. Foi quando o inesperado aconteceu, Bryan Singer, vindo da franquia de sucesso X-Men (e aclamado por seu thriller Os Suspeitos), bateu na porta da Warner Bros. com uma ideia: Continuar o legado de Reeve, o eterno Superman, fazendo uma espécie de semi-continuação dos dois primeiros filmes. “Semi” porque, para considerarmos a continuidade, é preciso fazer algumas concessões.

E eis que Superman – O Retorno estreia em 2006 agraciado pela crítica e sob muita expectativa dos fãs, porém, a recepção é morna e a bilheteria, apesar de respeitável (maior até do que alguns filmes da Marvel atuais), não foi o suficiente para o estúdio considerar uma continuação, especialmente porque as críticas do público não foram positivas. O filme é esteticamente lindo, o roteiro, apesar de falho, é bem amarrado dentro de sua proposta e percebe-se ali um mote para uma continuação que levaria a história do herói a um patamar jamais alcançado no cinema até então.

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Bryan Singer é um grande fã das obras de Richard Donner (considerando que 80% de Superman II é dele), cresceu com os filmes e por isso não considerou a ideia de recontar a história do herói, e sim homenageá-lo ao máximo. Há várias cenas e diálogos que remetem ao clássico de 1978, mas tudo com uma nova roupagem, pois Singer tem seu próprio estilo. Porém, poderia ter modernizado o que estava datado (ex. Lex Luthor e sua obsessão por terra) e manter o que faz dos filmes idolatrados até hoje (ex. a dinâmica Clark/Lois/Superman), mas ele fez justamente o contrário.

Superman – O Retorno tem um visual belíssimo, Singer se inspirou em clássicos dos anos 1940, especialmente Rebecca – A Mulher Inesquecível, de Hitchcock, seja na fotografia, no estilo art déco do prédio do Planeta Diário, ou nos figurinos dos personagens (Brandon Routh até que se parece com o jovem Laurence Olivier), seja nos enquadramentos, na câmera deslizando horizontalmente, nos ângulos a partir de pequenos objetos que remetem um pouco também ao estilo de Orson Welles… Singer filmou com muita classe.

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Mas este é um dos motivos de estranhamento do público, lembro-me até que algumas pessoas pensavam estar assistindo um filme de época, e então se deparavam com telefones celulares e a confusão se estabelecia. O fato de Singer se preocupar muito mais com os personagens e seus conflitos sentimentais, deixando a ação em segundo plano, também decepcionou o público-alvo, jovens da geração Transformers que querem ver porrada e explosões e cada cinco minutos.

O filme centra-se na relação pai e filho, no alienígena, que mesmo sendo adotado por um planeta que o idolatra, sente-se só, terrivelmente só. Após passar cinco anos procurando vestígios de seu planeta natal, Kal El retorna para um mundo diferente, pós 11/09, e lê um artigo de sua amada Lois Lane com o título “Porque o mundo não precisa de Superman”, porém, ao reaparecer em público, é novamente aclamado e jamais questionado, a não ser por Lois Lane. Essa visão simplista dele ser aceito logo de cara é um dos pontos em que poderia ter sido alterada do original, já que o mundo de hoje é bem mais pragmático.

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Entretanto a pessoa que ele mais queria rever, a mulher por quem ele alterou a rotação da Terra, o trata com frieza e rancor. Lois Lane é uma mulher amargurada por ter sido deixada sem um Adeus, e agora tem um noivo super boa praça e um filho. Essa transformação de Lois Lane é compreensível dentro do enredo do filme, porém a faz uma personagem extremamente antipática para o público, e sua deliciosa e divertida relação com Clark Kent e Superman, que poderia ter sido mantida, desaparece. Mesmo que o romance esteja ali e seja essencial na história.

Outra razão para a não-aceitação de Lois Lane por todo mundo é sua intérprete, um dos maiores miscasts da história. A atriz Kate Bosworth tinha apenas 22 anos na época e não conseguiu transmitir a maturidade necessária para viver uma jornalista experiente e mãe de uma criança de 5 anos, além de não ter timing para comédia (o roteiro tenta ser engraçado às vezes, mas sempre falha) e absolutamente nenhuma química com Brandon Routh, o intérprete do herói, que por sua vez, apesar de tentar imitar Christopher Reeve o tempo inteiro, faltava-lhe talento e carisma, era apenas um moço elegante e vazio. A sequência do reencontro e do voo entre os dois poderia ter sido uma das mais românticas do cinema, e não foi por conta da frieza dos atores um com o outro.

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Outro fato que Singer manteve dos originais foi Lex Luthor, interpretado com maestria por Kevin Spacey, porém seu plano, apesar de coerente com a semi-continuidade estabelecida, era algo que definitivamente deveria ter sido alterada, pois um plano de criar um novo continente, destruindo a nação mais rica do planeta, sem possuir armamento ou reservas naturais é nonsense até para uma criança de dez anos.

Mas com isso entretanto Superman faz um dos maiores sacrifícios de sua história em prol da humanidade e quase perde a vida como um salvador, jogando no espaço um monumento à sua terra, aquilo que o identifica enquanto ser e o destrói. E Luthor, que queria dominar o planeta, acaba preso numa ilhota no meio do nada enlouquecendo pela falta de comida e combustível, o essencial e o necessário para se viver no mundo moderno. Uma fina ironia.

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Superman é o último Kryptoniano, seu deslocamento na Terra é implícito em todo o filme (até na dificuldade de Clark encontrar um apartamento), e as palavras de seu pai, Jor El (Marlon Brando), estão ali em off narrando a história, especialmente quando Kal El descobre que não está mais sozinho, que sua semente, não os cristais, mas seus genes, o deram uma nova esperança de fazer da Terra seu lar definitivo, e melhor.

O Retorno poderia ter tido chances de ganhar uma ótima continuação consertando algumas falhas: Mais ação, um vilão físico, que poderia vir do espaço, talvez até atraído pelo “continente Kryptoniano” lançado no infinito, dispensando-se Lex Luthor, trocando a atriz para Lois Lane e trabalhando a identidade própria de Brandon Routh, que poderia render mais se se livrasse do estigma de copiar Reeve. O filho também era um problema mal-aceito, mas ele poderia continuar sendo parte da história se bem trabalhado.

Muitos foram os problemas que causaram o desprezo crescente do público pela obra, e que resultou no Homem de Aço de hoje, mas Superman – O Retorno está longe de ser um filme ruim, e serve como um decente capítulo final para os clássicos que tanto amamos.

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Um comentário

  1. Esse superman o retorno é 10 vez melhor que esse ultimo homem de aço que saiu.sim deveriam trabalhar mais a questão dos atores mais vendo o Kevin Spacey como léx luthor sera inesquecível.

    Curtido por 1 pessoa

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