Game of Thrones S03E09 – The Rains Of Castamere | Review

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***

“Num manto dourado

Ou num manto vermelho,

Um leão ainda tem suas garras.”

***

Eu me lembro claramente quando li o capítulo referente ao chamado Casamento Vermelho em A Tormenta de Espadas. Fiquei em completo estado catatônico, simplesmente não conseguia acreditar nas palavras diante dos meus olhos. Tive que reler a passagem pelo menos duas vezes para conseguir absorver o impacto. Certamente o momento mais marcante das Crônicas de Gelo e Fogo (superando até mesmo a morte de Ned Stark no primeiro livro), o massacre ocorrido nas Gêmeas representa não apenas um final avassalador para importantes personagens mas também uma profunda reviravolta narrativa na trama como um todo.

Afinal não é exagero dizer que encerra-se aqui o primeiro ato da saga. A derrocada dos Starks dá fim, ao menos por ora, à guerra civil que assolava os Sete Reinos de Westeros, deixando os Lannisters livres para consolidar de vez seu poder no Trono de Ferro. Assim subitamente a história vira-se para uma direção completamente inesperada, e a lógica narrativa de “leão contra lobo” que permeava a série desde seu início se desfaz num choque como poucas vezes se viu na TV. Entre reações inflamadas e fãs devastados, me resta constatar o óbvio: Game of Thrones conseguiu, mais uma vez, chacoalhar com as nossas cabeças.

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Tradicionalmente responsável pelo clímax do ano, o penúltimo capítulo da temporada – The Rains of Castamere – deu ênfase sobretudo aos Starks, o que se mostrou bastante apropriado. É de uma ironia cruel que os filhos de Ned passem tão próximos de sua família apenas para logo em seguida as circunstâncias os levarem para longe novamente. Foi assim com Bran, que através do lobo Verão vislumbrou seu irmão Jon deixar os selvagens para trás, para desespero de Ygritte. Fosse em qualquer outro episódio a revelação dos poderes do jovem poderiam ter tido um maior impacto, mas aqui acabou ficando um pouco ofuscado. Por outro lado, sua separação de Rickon conseguiu ser devidamente comovente, apesar da clara limitação do ator mais novo.

Completamente deslocada e também apagada pelos eventos finais deste capítulo, a tomada de Yunkai pelos soldados de Daenerys poderia muito bem ter esperado para acontecer apenas no season finale, já que toda vez que este núcleo surge no episódio acaba servindo mais como mera distração do que algo realmente relevante (efeito igual, mas em escala menor, acontece na breve cena com Sam e Gilly). Uma pena, pois era uma passagem que tinha potencial, merecendo ser retratada com devido destaque num momento mais oportuno. E o que falar da canastrice constante – e por uns momentos constrangedora – de Daario Naharis?

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Diferente do que acontece com Arya, que enfim recebe uma merecida atenção. Cabe aqui um enorme elogio à performance de Maise Williams, cada vez mais confortável com a personagem. Reparem como o semblante dela imediatamente muda da desafiadora coragem ao encarar Sandor Clegane para revelar seu medo e insegurança ao dar-lhe as costas. A menina vive uma ironia ainda mais cruel que o irmão paraplégico, sendo aquela que carrega o destino mais trágico: se o “seu deus é a morte”, esta parece cismada em acompanhá-la para onde quer que vá. “Valar Morghulis”, todos os homens devem morrerAssim, é de cortar o coração ver o sorriso juvenil em seu rosto se desfazer assim que se dá conta que as coisas não estão indo bem nas Gêmeas.

Pois o fato é que a partir do momento em que os músicos tocaram a canção do leão, algo de arrepiante cruzou aquele salão. Numa sequência primorosamente dirigida, – onde o dourado das velas aos poucos cedeu o lugar para o puro… vermelho – o capítulo foi estruturado numa cuidadosa armadilha emocional, indo da alegria festiva do casamento para uma crescente e agoniante tensão até culminar numa carnificina com ares tarantinescos. Muito desse efeito foi alcançado também graças à magistral composição de Michelle Fairley, que deu verdadeira alma à cena. Seu grito desesperado e expressão desoladora ao ver o filho sendo assassinado fez com que o encerramento deste capítulo já nascesse memorável, sendo um daqueles momentos marcantes que os fãs certamente se lembrarão no futuro ao falar da série.

Mas de nada adianta Catelyn gritar. De nada adianta os fãs chorarem. Robb Stark está morto. O Norte perdeu seu rei.

Os Lannisters mandam lembranças.

***

“Mas agora as chuvas choram pelos seus salões

E ninguém está lá para ouvir…

Sim, agora as chuvas choram pelos seus salões

E não há uma só alma para ouvir.”

***

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R.I.P. =(

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4 comentários

  1. Ainda prefiro a morte do Ned, que foi o que deu o tom pro resto da série e a possibilidade de que qualquer um pudesse morrer. Ainda assim, obra-prima esse final.

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