Invasão à Casa Branca | Crítica

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Especialista em ação policial, o diretor Antoine Fuqua volta ao gênero com este Invasão à Casa Branca, que se aproveita do cenário delicado envolvendo a situação das Coréias como desculpa para desenvolver seu roteiro sobre um ataque terrorista à sede do governo americano. Discussões políticas à parte (não sei se é o momento adequado para o cinema tocar nesse assunto), o filme até que é eficiente em seu objetivo e consegue entregar boas sequências de ação, mas quando o espectador pára para pensar no que está assistindo o longa acaba perdendo muito da sua força.

Tendo descaradamente copiado seu argumento do primeiro Duro de Matar (até a dinâmica da troca de diálogos remotos entre herói e vilão é repetida), o roteiro de Invasão à Casa Branca peca também ao abusar da suspensão de descrença do espectador, já que é impossível que a defesa militar dos Estados Unidos seja tão inacreditavelmente vulnerável (sobretudo depois do 11/09, que curiosamente jamais é citado pelo filme), a ponto de deixar todas as vidas do país à mercê de um único protocolo de segurança (que recebe o nome de Cérbero só para permitir o trocadilho “As portas do inferno foram abertas”).

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O pior defeito do filme se encontra na falta de cuidado com o qual sua história é desenvolvida. Inicialmente retratado como íntimo da família presidencial, o agente Mike Banning (Gerard Butler) é logo posto de escanteio pelo seu chefe, mesmo tendo reconhecidamente agido de maneira correta. E se o menino Connor (Finley Jacobsen), filho do presidente, recebe toda uma atenção no primeiro ato para depois ter a sua situação solucionada apressadamente, inconsistência maior se encontra na figura do agente traidor de Dylan McDermott, que além de nunca ter suas motivações realmente explicadas (a princípio pensamos que ele agiu por dinheiro, mas ele exibe um desprezo tão grande com o presidente que essa justificativa acaba sendo insuficiente para explicar seu comportamento), ainda tem uma das redenções mais forçadas e desnecessárias que eu me lembro de ter visto no cinema.

Mas nem tudo são trevas. O longa consegue ser eficiente em construir de forma crescente a tensão necessária para sua história, sendo auxiliado aí pela decisão de realizar o ataque ao final da tarde, mergulhando o filme na escuridão conforme a situação vai se tornando mais caótica. Contudo, a decisão de sempre exibir letreiros com a localidade e o horário se revela dispensável, já que não existe aqui nenhuma “bomba-relógio” para evocar urgência no horário. Além disso, conforme já citado, o diretor se mostra competente em filmar as diversas sequências de ação que, apesar de sempre manterem o ritmo acerelado, nunca fazem o espectador se perder na lógica espacial do cenário. Nesse sentido destaca-se a longa sequência onde o grupo terrorista realiza a tomada da Casa-Branca durante o segundo ato, em que Fuqua é particularmente feliz em retratar os horrores das consequências do ataque (gostei do detalhe do homem bomba).

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Empregando sempre um olhar compenetrado, Gerard Butler exala segurança e convence como agente secreto, executando seus movimentos com uma mecânica típica de profissional altamente treinado. Assim ele confere competência ao personagem e nos faz acreditar em sua invulnerabilidade, por mais implausível que ela possa ser. E se Morgan Freeman confere autoridade na Sala de Crise, Aaron Eckhart retrata com dignidade o presidente mesmo sem poder fazer muita coisa além de encarar com raiva seu algoz, já que passa quase o tempo inteiro como refém.

O que finalmente nos traz à delicada questão do nacionalismo americano. Eu tenho certeza que coisas como o discurso final do presidente, ou o simbolismo de ter a bandeira estiada reverberam consideravelmente no imaginário daquele povo, mas certamente não dialogam conosco, estrangeiros. Desta forma o filme acaba perdendo aquilo que teria de maior potencial, a conexão emocional com seu espectador. Tirando isso, o que sobra?

Um filme de ação relativamente bom, mas com uma história fraquinha, fraquinha.

Cotação-3-5

 

Invasão-a-Casa-Branca1-205x300Invasão à Casa Branca (Olympus Has Fallen)

 

Direção: Antoine Fuqua

Roteiro: Creighton Rothenberger e Katrin Benedikt

Elenco: Gerard Butler, Aaron Eckhart, Finley Jacobsen, Dylan McDermott, Rick Yune, Morgan Freeman, Angela Bassett, Melissa Leo, Radha Mitchell, Cole Hauser, Phil Austin, James Ingersoll, Freddy Bosche, Lance Broadway, Sean O’Bryan, Keong Sim, Kevin Moon, Malana Lea, Robert Forster, Sam Medina, Ashley Judd, Mike Snyder, Josiah D. Lee, Edrick Browne, Sean Boyd, Hunter Burke, Aonika Laurent, Jace Jeanes, Sione Ma’umalanga, Tory Kittles, Shane Land, Shanna Forrestall, Ian Casselberry, Dorothy Deavers, Amber Dawn Landrum.

Gênero: Ação/Suspense

Duração: 120 minutos

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