Justin Timberlake – The 20/20 Experience | Crítica

Screen-Shot-2013-09-24-at-3.36.01-PM-570x304Justin Timberlake, o cantor que virou ator, que virou cantor de novo, lançou em março desse ano seu terceiro álbum de estúdio, intitulado de “The 20/20 Experience”, o primeiro desde o hiato que havia começado em 2006, após o mega sucesso de “Future Sex/Love Sounds”. Se o álbum de 2006 tinha o objetivo de deixar de lado qualquer imagem restada do N’Sync e tornar o cantor num sex simbol, “20/20” busca a consolidação desse conceito, daí a razão do recente disco seguir uma linha semelhante ao anterior.

O grande mérito do álbum é a produção caprichada, que contou com nomes do R&B, Hip Hop e do já quase inseparável amigo Timbaland, além do próprio cantor. É possível perceber o cuidado que foi tomado com a mixagem de som e com a harmonia dos instrumentos com o vocal e backing vocal, recurso mais que utilizado em músicas pops. O próprio título da obra consegue captar a ideia, segundo Timberlake, a inspiração veio de um amigo que, ao ouvir o disco confessou ao cantor que aquela era o tipo de música que “se podia ver” (Ter uma visão 20/20 indica ter uma visão perfeita).

A mistura de ritmos foge um pouco do que o pop se tornou atualmente com os ídolos teens, de modo que envolve um soul que por vezes remete à batidas antigas, tudo com o objetivo de dar um ar mais classudo ao artista. E oportunidade não faltará para que Timberlake mostre seus dotes de dançarino nos shows, já que a batida mesclada com os beatboxes ainda estão lá, espalhados por praticamente todo o disco. Tecnicamente falando não há nenhuma inovação, mas ainda assim o que “20/20” apresenta não é ruim.

Mas aí tem as letras das músicas, o ponto mais fraco do álbum. Isso somado à exagerada duração de praticamente todas as músicas quase levam o disco ao desastre. Mas vamos por parte, se houve um precioso cuidado com a produção do álbum, o mesmo não se pode dizer em relação à composição. Um claro exemplo é a canção que abre o disco “Pusher Love Girl”, uma pieguice exarcebada: “My heroine, my cocaine/ My plum wine, my MDMA/ I’m hopped upon it/It won’t go away/ Now I can’t wait ‘til I get home and get you in my vein”.

Mas nada se compara à sugestão que Timberlake faz de fazer um amor alienígena na lua. Aliás, sugestão não, o cantor usa literalmente essas palavras em “Spaceship Coupe”: “Hop into my spaceship coupe/ There’s only room for two (Me and you)/ And with the top down we’ll cruise around/ Land and make love on the moon/ Would you like that?” Tudo bem que o cara é recém-casado com Jessica Biel, mas todo mundo sabe que música de fossa rende música melhor do que love story.

Quanto à duração, não faço ideia do que passou na cabeça do cantor. Não há problema nenhum em uma música ir além dos 3 minutos comerciais, aliás, “What Goes Around… Comes Around” é um ótimo exemplo disso, o problema resiste quando se alonga a música apenas por capricho, sem ter nada de útil pra mostrar, é como se a música já tivesse morta, mas ainda respirando por aparelhos. Veja só, o álbum tem 10 músicas espalhadas em 70 minutos, o que dá uma média de 7 minutos pra cada música.

A pior música é, infelizmente, uma das mais longas, “Blue Ocean Floor”. A tentativa de balada do álbum peca em quase tudo, vocal, ritmo e duração. Não por outra razão é a última canção do CD, então se você conseguiu aturar todas as outras músicas, mais 7 minutos do que parece ser gemidos de baleias no mar não deve ser tão ruim. Ok, ainda assim é bem ruim.

Mas há algumas músicas que se salvam, são poucas, mas lembram o estilo que o cantor seguiu no início da sua carreira solo: “Let the Groove Get In” com um pouco de ritmo latino e dance e “Mirrors” que soa como uma música esquecida do “Future Sex/Love Sounds”, até a letra merece destaque “It’s like you’re my mirror/ My mirror staring back at me/ I couldn’t get any bigger/ With anyone else beside me”.

Esta talvez seja a única música com potencial de ser um mega-hit como “What Goes Around… Comes Around” ou “SexyBack” foi. Apesar da fraca execução do conjunto, pelo menos “The 20/20 Experience” mostra que Timberlake alcançou o status de poder arricar, situação completamente oposta a outros artistas do mundo pop que aparentam lançar a mesma música a cada álbum novo.

Abaixo você confere o videoclipe de “Suit & Tie”, primeiro single do disco, dirigido por David Fincher (que dirigiu Timberlake em “A Rede Social”)

Cotação-2-5

The 20/20 Experience
Justin Timberlake, 2013

EUA  – 70:02; Pop RCA
Data de lançamento: 15 de março de 2013
Estúdio: Larrabee Studios
Produtores: Jerome “J-Roc” Harmon, Rob Knox, The Tennessee Kids, Timbaland e Justin Timberlake
Singles:
“Suit & Tie” – 15 de Janeiro, 2013
“Mirrors” – 11 de Fevereiro, 2013

Tracklist:
01. Pusher Love Girl
02. Suit and Tie (feat. Jay-Z)
03. Don t Hold The Wall
04. Strawberry Bubblegum
05. Tunnel Vision
06. Spaceship Coupe
07. That Girl
08. Let The Groove Get In
09. Mirrors
10. Blue Ocean Floor

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