Jack – O Caçador de Gigantes | Crítica

 

filmes_1841_Jack-Cacador-de-Gigantes-11Vindo na onda de recentes releituras dos contos de fadas (Oz – Mágico e Popderoso, João e Maria: Caçadores de Bruxas, Branca de Neve e o Caçador, Espelho, Espelho Meu e até mesmo a série de TV Once Upon a Time), o diretor Bryan Singer nos traz este Jack – O Caçador de Gigantes, adaptação do clássico conto João e o Pé de Feijão. A diferença é que, por mais duvidosa que seja a qualidade dos outros exemplos citados, bem ou mal havia sempre algum esforço para realizar uma nova abordagem do material original, numa tentativa de escapar do clichê e tornar as aventuras minimamente interessantes. Infelizmente o roteiro da história de Jack decidiu não passar pelo mesmo risco e assim acabou transformando o filme num grande lugar-comum.

O que é realmente uma pena, já que a sequência inicial empolga na inventividade de sua composição. Intercalando cenas de animação computadorizada com as versões mirins de Jack (Nicholas Hoult) e da princesa Isabelle (Eleanor Tomlinson) ouvindo de seus pais as antigas histórias sobre os gigantes, o filme consegue estabelecer de maneira eficiente todo o background da história ao mesmo tempo em que evoca uma certa expectativa para o momento em que veremos o confronto entre esses personagens e as citadas criaturas. Por outro lado, a sequência peca por já entregar para o expectador o futuro envolvimento do casal.

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E é justamente essa previsibilidade que acaba matando o filme. Investindo em clichês mais do que batidos desse tipo de história (o camponês que se apaixona pela princesa, a princesa que quer se libertar da vida opressora da corte, o vilão que quer usurpar o trono para si, e por aí afora), o filme jamais se esforça para surpreender o público, parecendo acreditar que o vislumbramento com os efeitos visuais (que nem são tão sensacionais assim) seriam suficientes para ganhar sua atenção. Com isso a experiência se torna absurdamente enfadonha, e confesso que em vários momentos durante a projeção julguei que estava desperdiçando meu tempo ali.

As composições dos atores também não ajudaram. Nicholas Hoult até se esforça para retratar Jack como um camponês simples e inocente ao sempre surgir com os olhos arregalados em expressão de deslumbramento, mas a verdade é que falta energia à sua atuação para nos fazer importar com o que acontece com o personagem. Já Eleanor Tomlinson pouco faz para sair do esteriótipo da princesa em perigo, ao passo que Ewan Mcgregor surge completamente no piloto automático (ele achou que o bigode de Gastão atuaria por ele?). Fechando o elenco principal, Stanley Tucci também é infeliz ao investir num humor bobo que só tira a força que seu vilão deveria ter.

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Mas ele pouco poderia fazer, já que o roteiro se encarrega sozinho de sabotar seu personagem. Afinal de contas, Roderick já começa a história como pretendente da princesa e, consequentemente, sucessor do trono. O poder cairia em suas mãos naturalmente, era só uma questão de tempo. Então qual é o propósito para suas ações? Absolutamente nenhum. Aliás, o vilão é tão desnecessário para a trama que o filme o descarta sem pestanejar ao final do segundo ato. Outra falha do roteiro se encontra na falta de desenvolvimento do romance entre os protagonistas: Jack e Isabelle mal acabam de se conhecer e o rapaz já é obrigado a arriscar sua vida para salvá-la, mas isso também é de praxe em contos de fadas.

Por fim, nem mesmo as sequências de ação conseguem tornar o longa interessante, já que se limitam em colocar os personagens para fugir constantemente dos gigantes, nunca fazendo-os realmente enfrentá-los (grande “caçador de gigantes” esse!). E até a suposta grandiosa guerra do terceiro ato aparece decepcionante, já que esta se resume a um cabo de guerra entre os dois exércitos (sério!).

Superficial até dizer chega, Jack – O Caçador de Gigantes é tipicamente aquele filme sem sal que costuma aparecer em Sessões da Tarde da vida. E eu não me surpreenderia caso ele aparecesse na relação de “filmes de natal” da Globo no ano que vem.

PS: O 3D é completamente dispensável, como já seria de se esperar.

 

Cotação-2-5

 

 

Jack-O-Caçador-de-Gigantes1-205x300Jack – O Caçador de Gigantes (Jack – the Giant Slayer)

Direção: Bryan Singer

Roteiro: Darren Lemke, Christopher McQuarrie e Dan Studney, baseado na história de Darren Lemke e David Dobkin

Elenco: Nicholas Hoult, Eleanor Tomlinson, Ewan McGregor, Stanley Tucci, Eddie Marsan, Ewen Bremner, Ian McShane, Christopher Fairbank, Simon Lowe, Mingus Johnston, Ralph Brown, Joy McBrinn, Chris Brailsford, Warwick Davis, Craig Salisbury, Peter Bonner, Lee Boardman, Lee Whitlock, Jody Halse, Richard Dixon, Chris Drake, Bill Nighy, John Kassir, Cornell John, Andrew Brooke, Angus Barnett, Ben Daniels, Philip Philmar, Peter Elliott, Don McCorkindale.

Gênero: Aventura/Drama

Duração: 114 minutos

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