50 anos de Quentin Tarantino | O nerd que marcou o Cinema

Ele surgiu em 1992 com Cães de Aluguel e causou um “boom” no mundo cinematográfico. Difícil escutar seu nome sem associá-lo ao “gênero Tarantino” de Cinema. Sarcasmo, humor negro, diálogos “tarantinescos” sobre massagens nos pés antes de “finalizar” alguém. Vinganças. Personagens marcantes. Quentin Tarantino, o nerd dos nerds, criou como poucos diretores um estilo cinematográfico em seus pouco mais de 20 anos de careira. De balconista da Video Archives, famosa locadora de filmes de Manhattan Beach, a um dos maiores diretores e roteiristas da atualidade. Apaixonado pelo que faz, Tarantino foi/é antes de tudo um cinéfilo. Quando ele diz que não fez faculdade de cinema e sim viu filmes, que o cinema o ensinou cinema, podemos entender toda sua filmografia por esta afirmação.


Seu filme de estreia (o já citado “Cães de Aluguel”), estiloso e violento, apresentou ao mundo esse jeito Tarantino de fazer cinema e que estremeceu o cenário independente. Cheio de referências pop (o diálogo sobre Madonna e a cena onde os apelidos de cada personagem são atribuídos são impagáveis), narrativa não-linear e uma bela trilha sonora. Fora o excelente ‘timing’ entre todos os atores que parecem ter nascido para interpretar cada papel, detalhe esse que Tarantino sabe lidar muito bem, aliás: a direção de elenco. Como não amar o desenrolar de cada cena de ação que é antecedida por esses tais “diálogos tarantinescos” e todas essas referências de cultura pop em seus filmes? Tarantino e seu filme de estreia são um marco no Cinema independente americano.

Seu auge e consagração, porém, vieram com Pulp Fiction. E se em “Cães de Aluguel” ele já tinha mostrado para o que veio, em “Pulp Fiction” Tarantino nos dá em dobro tudo o que vimos em seu filme de estreia. Entretenimento da melhor qualidade (eu pelo menos não sei escolher qual melhor história ou cena desse filme sem ser injusta), diálogos fantásticos, narrativa mais do que não-linear e personagens incríveis que se encontram em uma história do sub-mundo do crime que só a mente dele poderia nos fornecer.

Uma Thurman e John Travolta dançando em Pulp Fiction ♥

O filme que teve um “modesto” orçamento de 8 milhões de dólares conseguiu 7 indicações ao Oscar incluindo melhor filme e melhor diretor. Deu a ele sua primeira estatueta, por Roteiro Original, e venceu a Palma de Ouro em Cannes. Arrecadou mais de 200 milhões nos cinemas, passando também a ser “molde” para vários filmes que o seguiriam. Sucesso comercial e de crítica, “Pulp Fiction” também reergueu a carreira de seu protagonista John Travolta, que após tornar-se um rosto conhecido no fim dos anos 70 e início dos anos 80, havia caído no ostracismo. Além disso, jogou os holofotes sobre Samuel L. Jackson (que mais tarde se tornaria seu habitual colaborador) e Uma Thurman, que viria a ser sua musa e estrela de seus futuros sucessos Kill Bill Vol. 1 e 2.

A saga de vingança dA Noiva, diga-se de passagem, escancarou de vez a grande miscelânia de referências cinematográficas que é marca registrada do diretor. A mistura primorosa de elementos da cultura japonesa (a sequência feita em anime no Vol. 1 é incrível), as artes marciais chinesas, o western spaghetti de Sergio Leone, a violência gráfica altamente estilizada (e, por isso mesmo, anestesiante) e seu típico humor negro extraído do puro absurdo colocou os dois exemplares de Kill Bill entre os filmes mais icônicos de Hollywood da década passada.

Antes disso, porém, Tarantino se aventuraria por uma adaptação literária, Jackie Brown, onde trabalhou ao lado de nomes como Robert DeNiro e Michael Keaton. Posteriormente, exploraria seu amor por filmes B exploitation em À Prova de Morte, segmento do projeto Grindhouse, realizado em parceria com seu amigo Robert Rodriguez (que havia dirigido seu roteiro de Um Drink no Inferno).

Em seus últimos filmes, cujas excelências parecem denunciar a recusa do diretor de largar o auge, Tarantino decide navegar em novos mares e dirige seu olhar ao passado, empregando sua marca também em filmes de época. Em Bastardos Inglórios, ele se aproveita do contexto da Segunda Guerra Mundial para realizar um verdadeiro ode ao cinema, sua verdadeira paixão. Não à toa, o diretor rompe a barreira com a própria História no sensacional final. A mensagem é clara: em seus filmes, o cinema é maior do que a realidade.

Já em Django Livre, sua última incursão, o diretor finalmente adentra em seu amado Western, mas é claro que não poderia ser um Western comum. Mais uma vez abraçando a causa de uma minoria (em À Prova de Morte com mulheres e em Bastardos Inglórios com judeus), Tarantino subverte mais uma vez e coloca seu Django cavalgando ao som de rap. E o que dizer de Christoph Waltz, que parece ter nascido para dar vida às palavras tarantinescas?

O que mais amamos em Tarantino, porém, não é nada do que foi citado acima, e sim o fato de sua aparição em Django Livre ter sido uma das melhores de diretores/autores em seus próprios filmes de todos os tempos. Te dedicamos, Taranta!

(Esse artigo foi escrito em conjunto com meus queridos companheiros Felipe Dias de Miranda e Thiago M. Cezimbra, ‘fãzóides’, como eu, desse nosso grande ídolo do Cinema. O meu muito obrigada a vocês!)

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