Oz – Mágico e Poderoso | Crítica

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Não precisa ter mais de setenta anos para se lembrar do clássico musical O Mágico de Oz estrelado por Judy Garland. Ele faz parte da memória afetiva de muita gente que o assistia na Sessão da Tarde durante a infância, e no imaginário popular em geral, já que estabeleceu padrões das fábulas modernas (que foram publicadas no início do século XX). Por exemplo, de que bruxas tem narizes, queixos e chapéus pontiagudos, voam em vassouras e soltam risadas estridentes e malignas.

Por conta disso, mexer num clássico torna-se uma tarefa difícil, mesmo que Oz: Mágico e Poderoso (Oz – The Great And Powerful) não seja um remake, e sim uma história anterior a chegada de Dorothy ao mundo encantado de Oz. E para quem conhece a série literária de L. Frank Baum, sabe que as histórias dos dois filmes pertencem apenas ao primeiro livro da série, em que as aventuras de Oscar Diggs para derrotar as bruxas más e se tornar o grande e poderoso Mágico de Oz são apenas contadas a Dorothy quando esta descobre a verdadeira identidade do mágico.

Contar essa história num novo filme foi uma boa ideia da Disney, já que esta não pode usar nada do que foi criado pelo filme de 1939, pois os direitos pertencem à Warner, mas os livros de Baum são de domínio público. Mesmo assim, várias referências aos clássicos são jogadas aqui e ali, com o intuito de fazer o público se identificar e acessar a memória afetiva. Disney e o diretor Sam Raimi não são nada bobos. E quando coloca ação e efeitos visuais do século XXI, estão se conectando com os novos fãs.

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A história começa não em sépia como o original, mas em preto e branco, numa feira circense do Kansas, onde Oscar Diggs trabalha como ilusionista, mas em 1905 as pessoas eram mais ingênuas e acreditavam em mágica, portanto os truques manjadíssimos de Oscar o tornam um charlatão. Sua personalidade em si é um tanto duvidosa, já que é um conquistador e trata seu assistente Frank com desprezo. O único momento de afeto é com Annie, um antigo amor que vai visitá-lo para dizer que foi pedida em casamento por um tal de Mr. Gale (primeira referência, já que a orfã Dorothy se chama Dorothy Gale). Após uma confusão, ele parte em seu balão e é sugado por um ciclone e levado a terra de Oz, a partir de então tudo fica colorido. Lá, ele descobre que faz parte de uma profecia e todos – ou quase todos – acreditam que ele é o grande e poderoso Mágico de Oz, e que para obter o trono precisa derrotar a bruxa má.

A partir daí, é aventura, comédia e romance. James Franco, tal qual o filme, é irregular, pois tem momentos de grande energia e outros em que parece que não queria estar ali (como na sua apresentação no Oscar 2011). Franco se considera um grande ator, muita gente na indústria acredita ou pelo menos forçam o público a acreditar nisso e ele sempre se mostra blasé em relação à sua atuação em filmes comerciais. Dizem que neste aceitou fazer só por amizade a Mila Kunis e ao diretor. Já Mila é outra estrela em ascensão, e só por isso está ali, além da beleza, é claro, mas sua personificação de bruxa ficou fraquíssima, ainda mais por conta de sua voz quase infantil. As outras bruxas são interpretadas pela oscarizada Rachel Weisz, que apesar da grande presença e beleza, não se jogou tanto na personagem, que pede por exagero. Completa o elenco principal Michelle Williams, que após tantos papéis dramáticos, encarnou o espírito da coisa e fez sua Glinda doce e inocente, caricatural até, mas neste caso, não é um defeito.

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Os efeitos visuais são exagerados, mas como o mundo de Oz é fabuloso, o excesso de CGI não chega a comprometer, apesar de em alguns momentos ser parecido demais com o reino de Alice no País das Maravilhas de Tim Burton. Destaque para a boneca de porcelana, que ficou bizarramente realista. Já o 3D só é eficiente em momentos pontuais, no restante é dispensável. Na verdade o filme funciona mais quando utiliza linguagem e efeitos mais, digamos, retrô.

Assim, Oz: Mágico e Poderoso tenta agregar o maior público possível, e por conta disso, perde em estilo, identidade e principalmente, “alma” ou “um filme feito para os que tem coração”, pois é retrô/moderno, infantil/adulto e inocente/sombrio ao mesmo tempo. Não que isso comprometa demais o filme, ele é melhor do que esperava, e isso vem de uma fã incondicional do filme de 1939, mas dificilmente se tornará um clássico, é muito provável que torne-se o sucesso da temporada, e apenas isso.

Cotação 3-5

Oz-Mágico-e-Poderoso-216x300Oz – Mágico e Poderoso (Oz – The Great And Powerful)

Direção: Sam Raimi

Roteiro: Mitchell Kapner e David Lindsay-Abaire, baseado na obra de L. Frank Baum

Elenco: James Franco, Mila Kunis, Rachel Weisz, Michelle Williams, Zach Braff, Bill Cobbs, Joey King, Tony Cox, Stephen R. Hart, Abigail Spencer, Bruce Campbell, Ted Raimi, Tim Holmes, Toni Wynne, Rob Crites, William Dick, Gene Jones, John Lord Booth III, Suzanne Keilly, Shannon Murray, Ralph Lister, John Manfredi, Robert Stromberg, Channing Pierce, Brian Searle, Russell Bobbitt, Julie Gershenson, Danny Nelson, T.J. Jagodowski, John Paxton.

Gênero: Ação/Aventura/Fantasia

Duração: 130 minutos

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