A Origem dos Guardiões | Crítica

A Origem dos Guardiões

A Origem dos Guardiões (Rise of the Guardians) começa com Jack Frost (dublado por Chris Pine) levitando enquanto contempla a beleza da Lua. A sequência que segue mostra o personagem descobrindo seus poderes. O filme não explica como acontece, apenas espera que o espectador acredite.

Quantas crianças no Brasil ainda acreditam em Papai Noel? E no Coelhinho da Páscoa? Se os dois maiores ícones mitológicos infantis ainda gozam de alguma popularidade graças ao mercado capitalista, outros personagens menos conhecidos, como Sandman ou a Fada do Dente, sem nenhuma data comercial para lhes catapultar no imaginário, ficam praticamente relegados ao segundo plano. Mas não há uma disputa de popularidade aqui. A nova animação da DreamWorks,dirigida pelo estreante Peter Ramsey, usa exatamente esses personagens folclóricos para contar uma história de aventura fantasiosa.

A Origem dos Guardiões

Em 1984, o menino Bastian de História Sem Fim, lia o livro e presenciava o desaparecimento de Fantasia, o mundo fantástico que sumia porque as crianças não acreditavam mais. Depois de duas grandes guerras e ainda vivendo a Guerra Fria, o mundo começava a se tornar um lugar mais cínico. Como no filme de 84, A Origem dos Guardiões segue a mesma premissa: o mal, incorporado aqui pelo Bicho Papão (Jude Law), se vê mais fortalecido à medida que a crença das crianças nas figuras místicas de Papai Noel, Coelhinho da Páscoa etc vai se reduzindo. Se na década de 80 o cinismo dava o tom, o amadurecimento precoce dos anos 2000 torna ainda mais curta a crença nesses ícones.

E se a coisa não está fácil para Papai Noel, o que dirá para o praticamente desconhecido Jack Frost? Personificação do vento frio e das geadas, a criatura do folclore dos países nórdicos tem pouco apelo junto ao público e é praticamente um desconhecido abaixo da linha do Equador. Talvez por isso é que se concentra nele o protagonismo do filme. Para torná-lo mais palatável ao espectador, o roteiro o caracteriza acertadamente como uma espécie de Peter Pan (até uma “sininho” o acompanha durante o filme), voando e brincando despreocupadamente, o que rende algumas das mais belas sequências da animação, juntamente com os fios dourados de areia de Sandman.

A Origem dos Guardiões

O que Peter Ramsey faz então é humanizar o personagem de Jack Frost enquanto desenrola a trama do filme. Há também suas questões pessoais, seu dilema de se unir ou não aos Guardiões e seu ressentimento de ser o único a não ser visto pelas crianças. Um herói invisível em busca de autoconhecimento que só quer ser acreditado.

Se ficasse focado apenas na disputa entre os Guardiões e o Bicho Papão, o filme seria como outro qualquer, com suas sequências de ação desenfreada, personagens fofinhos feitos sob medida para fazer rir e, principalmente, cheio de momentos cheesy típicos das produções infantis, que querem empurrar goela abaixo um sentimentalismo barato e lições morais disfarçadas de códigos de conduta. Ao contrário, A Origem dos Guardiões, tal como Jack Frost, se diferencia por seu cerne. Não resta dúvidas de que, ao fim, o trabalho dos Guardiões em fazer acreditar na “magia do mundo” parece muito bem feito dentro e fora das telas.

Cotação-4-5

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