Robert Plant no Rio de Janeiro 2012

robert-plantQuando fiquei sabendo que Robert Plant, a eterna voz da lendária banda Led Zeppellin, viria ao Brasil, eu fiquei realmente extasiado. Adorador da banda que pra mim define o que é o mais puro Rock n Roll em sua fase mais áurea, eu imediatamente me vi imaginando como seria a emoção de ouvir clássicos como Stairway to Heaven e Kashmir ao vivo. Empolgadíssimo com esse vislumbre, não hesitei em praticamente intimar meus amigos a me fazerem companhia a este show que, imaginava eu, tinha tudo para ser o épico dos épicos. Foi quando meu grande amigo André me deu uma injeção de realidade.

“Cara, eu acho que você e muita gente vai se decepcionar. Não vai ser um show do Led…”

Parei para pensar sobre aquilo. Eu realmente não conhecia a carreira solo do Plant, mas isso para mim não era nem de longe motivo para não ir. A ideia dele vir ao Brasil e não tocar os clássicos me parecia extremamente improvável e, ainda se fosse o caso, Robert Plant é Robert Plant. Vale o ingresso só pelo nome que tem. Me recordei da experiência com Paul Mccartney no Morumbi em 2010. Lá também não tinha conhecimento da carreira solo do artista, e ainda assim foi um dos shows mais memoráveis que eu já fui.

Decidi então pesquisar, saber o que o vocalista estava aprontando por aí para ter alguma ideia do que esperar do show. Como meu amigo tinha me advertido, Plant havia se distanciado bastante do rock n roll que fazia no Led. Ele agora se embrenhava pelas terras do folk, misturando ritmos de blues e música africana, tendo também fortes influências orientais. Esse experimentalismo todo pode causar certa estranheza de início, ainda mais depois de conferir os novos arranjos para antigos sucessos como Black Dog e outros, mas uma coisa não havia mudado: o exímio talento do artista. A nova música de Robert Plant era vívida, inventiva e cirurgicamente fenomenal. E daí que não era mais rock and roll?Robert-Plant-and-Space-Shifters-630x354

Enfim, era chegado o grande dia. Às oito da noite, duas horas antes do horário do show, já era possível vislumbrar grande parte do público. Pessoas de todas as idades se encontravam ali para receber uma lenda viva. Plant veio ao palco vestido todo de preto acompanhado por sua atual banda: os Sensational Space Shifters. Contando com um baterista com cara de bom moço, um baixista discreto,  um tecladista que garantiria o clima da viagem sonora que estaria por vir e um guitarrista empolgado que frequentemente exibia várias poses, caras e bocas, a banda fazia um som que transitava com competência entre pegadas roqueiras e acordes de puro blues. Em determinado momento do show, o vocalista recebeu Juldeh Camara, um músico que executava o ritti e o kologo – espécie de violino e banjo africanos – com os quais apresentava uma roupagem totalmente nova para os sucessos da época do Zeppelin.

Plant se divertia, hora batucando seu tamborim, hora incitando o público à poderosas palmas que embalavam o ritmo do show, hora exibindo os maneirismo típicos de quando ainda era jovem. E que surpresa foi ouvir e reparar que a voz do velho vocalista, mesmo fatigada pela idade, ainda é poderosa e afinada. Entendendo as limitações impostas pelo tempo, Plant reconhece não ter mais o mesmo agudo de antigamente, mas ainda assim consegue encaixar com maestria seu timbre à levada acústica do show.

Atrás da banda se estendia, como a única peça decorativa do cenário, um pano com uma foto estilizada dele mais novo erguendo-se majestosamente acima de todos. Aquela figura emblemática finalmente me fez compreender. Robert Plant não era mais aquele, e ele tem profunda consciência disso. O exemplo de Axl Rose me veio à mente – um vocalista que também tinha no agudo a sua marca registrada do passado e que também tem o peso da idade afetando sua performance. Diferente de Rose, Plant entende que não tem mais capacidade de fazer jus ao que foi, e decidiu se reinventar. Enveredar por novos caminhos onde sua versatilidade ainda lhe garante o poder de fazer boa música. Sua atitude não se dá por falta de apreço ao passado, mas por respeito à ele.

A plateia dividiu-se. Alguns embarcaram na viagem e se empolgaram com ela, enquanto outros decidiram ficar apáticos. Era a profecia do André se cumprindo. Sinto muito pessoal, mas esse não era um show do Led. Mas o que afinal era o rock n roll senão uma manifestação irracional do novo subversivo que choca àqueles que se tornaram habituados? À sua própria maneira, Plant segue fiel à sua essência, mais roqueiro do que nunca. No gran-finale, como recompensa para os fãs, o artista finalmente cedeu e brindou seu público com o bom e velho clássico Rock’n’Roll.

Ao fim, esse show me fez admirar ainda mais esse gênio da música. Viva o Sensational Space Shifters. Viva Led Zeppellin. Viva Robert Plant.

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Robert Plant presents Sensational Space Shifters 

 

 Setlist:

1-“Fixing to Die”

2-“Tin Pan Valley”

3-“44” (Howlin’ Wolf)

4-“Friends”

5-“Spoonful” (Howlin’ Wolf)

6-“Somebody Knocking”

7-“Black Dog”

8-“Down to the Sea”

9-“Road to the Sun”

10-“Another Tribe”

11-“Ramble On”

12-“I’m Your Witchdoctor” (John Mayall & The Bluesbrakers)

13-“Who Do You Love” / “Whole Lotta Love” / “Steal Away” / “Bury My Body”

Encore:

14-“Going to California”

15-“Gallows Pole”

16-“Rock’n’roll”

HSBC Arena, Rio de Janeiro. 18/10/2012

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Um comentário

  1. Artista bom é assim, sempre em busca de algo novo. Tá certo ele, o Led Zeppelin é maravilhoso ( digo é pq é uma banda atemporal), mas q se desfez. E o Robert Plant é um grande músico q mesmo em carreira solo ainda tem muito o q oferecer. Salve Plant!

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