Argo | Crítica

Argo - Ben Affleck

Quando Ben Affleck despontou em Gênio Indomável ao lado de Matt Damon, os então novatos eram sempre colocados em comparação, e enquanto Damon era frequentemente apontado como o mais talentoso da dupla, Affleck parecia ficar à sua sombra, sempre questionado quanto ao seu talento diante das câmeras.

Não que as críticas não fossem justas, afinal suas performances mais canastronas (Demolidor e Forças do Destino, para citar só dois) contribuíam para aumentar a fama e atacar suas atuações virou praxe. Ao decidir passar para trás das câmeras, Affleck não só se reiventou, como agora se consolida acumulando elogios aos seus trabalhos na direção. E seu novo projeto, Argo, segue na mesma linha.

Argo - John Goodman Alan Arkin e Ben Affleck

“A história se repete, primeiramente como tragédia e depois como farsa”, disse Karl Marx e um dos personagens do filme. É justamente para evitar uma tragédia maior que Tony Mendez (Ben Affleck) é convocado pela alta cúpula da CIA. Especialista em exfiltração, ele tem a difícil missão de resgatar seis diplomatas americanos que estão refugiados na casa de um embaixador canadense no Irã, durante a revolução islâmica de 1979. Sem muitas alternativas e com o tempo correndo contra, o plano criado por Mendez consiste em criar um filme fictício para entrar no país e resgatar os refugiados como se estes fossem membros da produção.

É a farsa orquestrada não só por Mendez, como também por Aflleck, que transforma a história e conduz o filme. Baseada em fatos reais, a trama de Argo por si só já tem cara de “história cinematográfica”, mas é através da lente de Affleck que ela se torna cinematográfica de fato. A violência é suavizada, o contexto da revolução é explicado por alto (constantemente com inserções de jornalistas na tv), e ambos os lados, Irã e EUA, aparecem com sua parcela de culpa.

Argo - Ben Affleck

O charme que Argo apresenta está na forma com que Affleck usa a história para brincar também com o próprio cinema e a imagem que Hollywood carrega. Estão lá as citações a Star Wars e Planeta dos Macacos e os personagens de John Goodman e Alan Arkin não aparecem só como alívios cômicos, mas também como instrumento de crítica à indústria em si.

É claro que Affleck não resiste em inserir em sua narrativa aspectos que garantam ao filme um tom mais comercial, seja nos paralelos óbvios envolvendo a história fictícia do filme Argo (uma ficção científica onde um pai enfrenta alienígenas para resgatar o filho), o plano para resgatar os americanos e a vida pessoal do próprio Mendez, seja no tom de suspense. Um telefone que toca insistentemente, agentes no aeroporto que examinam desconfiados as fotos suspeitas dos passaportes, e, claro, uma perseguição com cara de hollywoodiana no clímax. Mas tudo faz parte da verdade do filme, onde coloca-se sempre o espectador vendo que os personagens principais estão no fio da navalha, sempre um passo à frente dos seus perseguidores. O resultado é uma tensão incrível do início ao fim. Se Argo funciona como farsa, Ben Affleck merece todos os créditos.

Cotação-4-5

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s