Ted | Crítica

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Ted é um filme deliciosamente bobo como só as comédias realmente boas conseguem ser. Centrado na curiosa figura de seu personagem-título, um urso de pelúcia que ganhou vida e, diferente dos brinquedos de Toy Story, cresceu e se tornou “adulto” ao lado de seu dono, o longa apresenta um humor que consegue equilibrar de maneira magistral a ingenuidade infantil com o tom anárquico do mais puro politicamente incorreto. Muito disso se deve à própria personalidade de Ted. Cafajeste e egoísta, mas ainda assim um amigo genuinamente leal e preocupado, o ursinho é capaz de cometer as maiores grosserias, e mesmo assim arrebatar a simpatia de todos (Não foram poucas as vezes que ouvi “óóóuns” durante a projeção. Aparentemente mandar os outros se foderem não deixa um ursinho menos fofo). Ponto também para o primoroso trabalho de efeitos visuais, que contribui enormemente para dar vida à Ted, que em momento nenhum deixa de ser uma criatura crível.

Escrito pelo diretor Seth MacFarlane (que também dá voz ao ursinho), criador da série Family Guy, o roteiro não é lá dos mais originais. Você já viu esse filme dezenas vezes: um amigo extremamente inconveniente atrapalha o romance do casal principal. Mas a verdade é que o filme nem precisa fazer muito esforço para conquistar o espectador, afinal, como resistir à Ted? Se ter como protagonista um ursinho de pelúcia não for o bastante, basta apontar as inúmeras referências nerds nível-B que inundam o longa do início ao fim, com especial destaque para Flash Gordon.markwahlberg-milakunis-ted-630x442

 

O casal que contracena com o carismático urso não fica atrás. Mark Wahlberg encarna John Bennet com um ar divertidamente inocente, caracterizando o típico drama de Peter Pan do menino que se recusa a crescer. E não foi à toa que usei aspas no primeiro parágrafo ao dizer que Ted se torna “adulto” junto com seu dono, uma vez que ambos são irremediavelmente imaturos, ainda que tendo 35 anos de idade. Isso é particularmente importante para o filme porque confere peso ao conflito dramático que o casal atravessa, fazendo com que Mila Kunis ganhe a simpatia do espectador, mesmo que sua Lori tenha a ingrata tarefa de acabar com a festa e dizer para John que está na hora de virar um homem.

Talvez essa seja a principal virtude do filme: o carisma do trio principal. Mesmo sendo o filme bobo que é, Ted nos faz torcer e nos importar com seus protagonistas. E mesmo que o tom fabulesco típico de “filmes de natal” seja na maior parte das vezes sinal de falta de criatividade, aqui o clichê do “felizes para sempre” é mais do que apropriado. Confesso que por um momento achei que o filme fosse errar essa mão em seu terceiro ato. Felizmente não foi o caso.

Ted ainda tem muitas prostitutas para fazer felizes por aí.

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Cotação-4-5

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Direção: Seth MacFarlane

Roteiro: Seth MacFarlane, Alec Sulkin, Wellesley Wild

Elenco: Mark Wahlberg, Mila Kunis, Seth MacFarlane, Joel McHale, Giovanni Ribisi, Patrick Warburton, Matt Walsh, Jessica Barth, Aedin Mincks, Bill Smitrovich, Patrick Stewart, Norah Jones, Sam J. Jones, Tom Skerritt, Bretton Manley.

Gênero: Comédia / Fantasia

Duração: 106 min

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