Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | Crítica

Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Desde que ganhou notoriedade com Amnésia (Memento, 2000), o cineasta Christopher Nolan tem caracterizado seu cinema por tramas que se revelam sempre muito bem pensadas e construídas, que soam por vezes até confusas, mas que sempre privilegiam a história e seus personagens. Sempre oferecendo uma espécie de quebra cabeças onde o público se delicia em ver as peças sendo montadas sem se dar conta. É a força da encenação se sobrepondo ao poder da imagem. E em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises) ele não foge à regra.

Quando iniciou sua jornada para trazer Batman de volta aos cinemas Nolan não criou só uma história sobre um herói mascarado, criou uma mitologia em volta de Gotham, onde os personagens crescem a cada filme e têm de lidar de fato com as consequências de seus atos.

Na trama de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Bruce Wayne (Christian Bale) está fora de combate desde que o Batman foi acusado pela morte de Harvey Dent. Oito anos se passaram até que Bane (Tom Hardy), um misterioso terrorista mascarado, surge para atacar Gotham. Vendo que as autoridades não conseguem lidar com o problema, Bruce Wayne decide vestir a capa novamente.

Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Assim, a primeira coisa que chama atenção é a escolha de um oponente físico ao herói, o que não ocorreu de fato nos filmes anteriores. O personagem, que por si só já supriria a carência do público, acaba ganhando muito mais com o ótimo Tom Hardy. Olhar, voz (modulada, ok, mas são as suas pausas na fala) e presença física criam um vilão que também está preocupado em “quebrar o espírito” do herói.

Da mesma forma a Mulher-Gato de Anne Hathaway, que era vista com certa desconfiança por parte do público, também brilha principalmente por acertar na decisão de atenuar o fator sexy appeal da caracterização clássica, dando mais ênfase ao seu lado ladra.

Na verdade, se a força dos filmes de Nolan vem de sua história, esta só ganha veracidade graças ao elenco. Os personagens de Christian Bale, Gary OldmanMorgan Freeman e Michael Caine(dono dos momentos mais tocantes) mantêm o nível dos filmes anteriores, e os nomes de Joseph Gordon-Levitt e Marion Cotillard não só adicionam peso dramático como expandem a história.

Batman O Cavaleiro das Trevas Ressurge

A partir disso, uma das críticas que se pode fazer ao filme é o excesso de personagens, o que acaba gerando algumas subtramas descartáveis (a do policial Foley, de Matthew Modine, principalmente) e tornando a primeira parte um tanto lenta. Mas tudo faz parte do plano de Nolan, é a preparação necessária, onde as pistas são distribuídas e algumas informações suprimidas para que o “prestige” tenha impacto.

Quando a Mulher-Gato diz para Batman que ele já deu tudo pelas pessoas de Gotham ele responde que “não deu tudo ainda”. Falta a apoteose. É impossível não pensar que é uma declaração do próprio Nolan para que o público se prepare para o que está por vir. E ele não decepciona. Quando entra na sua hora final Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge evolui com uma tensão incrível. Todas as peças vão se encaixando (incluindo passagens de Batman Begins), a trilha sonora de Hans Zimmer aumenta e o que Nolan cria é mais do que uma conclusão épica de sua saga. Amarra as pontas ao mesmo tempo em que abre novas portas e definitivamente transforma o herói em mito.

Cotação-5-5

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