A Invenção de (uma das maiores declarações de amor ao cinema) Hugo Cabret

Lembro que certa vez na aula de Teoria do Cinema, o professor pediu um texto de cada um de nós cujo tema era “a sua relação com o Cinema”. Depois de pensar dias nele, consegui redigir um que continha umas 30 linhas. Ao mesmo tempo em que eu sabia que poderia ter escrito mais de 100 páginas sobre o assunto, era extremamente difícil transpor o sentimento para o papel. O Cinema é a sétima arte, e também uma fábrica de sonhos. Se nele é permitido ao homem voar, existe algum limite para ele? Chaplin disse que “num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação”.

Hugo, Martin Scorsese 2011

Este meu texto começou depois que assisti A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese. Não me recordo o motivo pelo qual não consegui assisti-lo no cinema, só que sei certamente será um dos meus maiores arrependimentos cinematográficos de vida. Percebi, ao assistir, que o 3D seria algo maravilhoso já que ao contrário da maioria dos filmes que aderiram à “moda”, aqui faria total sentido. Tudo isso só por notar os planos que o Scorsese fez, além das longas tomadas em profundidade e dos “deslizes” de câmera. Além disso, eu queria muito ter visto como ficou o Viagem à Lua e os outros mostrados, e também as cenas do trem, e as do relógio… Melhor eu nem falar tudo ou ficarei mais deprimida ainda.

O filme mexeu demais comigo, tanto que eu inicialmente ia escrever sobre Encontros e Desencontros, da Sofia Coppola, meu filme favorito, mas quando parei para isso só pensava em Hugo. Ele me remeteu a lembrança do texto que o professor pediu, até porque foi exatamente nesta matéria que eu assisti a praticamente todos os filmes mostrados nele. Scorsese nos brindou com uma das mais lindas declarações de amor ao Cinema, e qualquer cinéfilo apaixonado com certeza se identificou e se emocionou. Tudo isto, devo dizer, sutilmente disfarçado em uma fofíssima história infantil que poderia ser perfeitamente apenas mais uma fábula aventureira sem maiores compromissos. Uma salva de palmas para o gênio que criou esta história, estou louca para ler o livro!

Hugo, Martin Scorsese 2011

Como não ficar tocado ao ver a emoção de uma criança assistindo a um filme pela primeira vez? Provavelmente a reação da personagem de Chloë Moretz, Isabelle, foi a mesma que tive ao assistir O Rei Leão. Como não se identificar quando Hugo e Isabelle vão até a Biblioteca ler sobre Cinema? A passagem que o Scorsese faz, mostrando o filme dos irmãos Lumiére – que era na verdade apenas a cena de um trem chegando à estação (no qual as pessoas se assustaram ao achar que o trem ia passar sobre elas, história clássica) – até os de Georges Méliès, o primeiro a pensar que filmes poderiam ser mais do que mostrar a realidade, eles poderiam “ter o poder de capturar sonhos”, é tão deliciosa que eu me “perdi” ali e gostaria que continuasse por horas.

Em certo momento da história, Hugo diz que sempre visualizou o mundo como uma grande máquina. E que máquinas nunca vêm com peças extras e sim com a quantidade exata de que necessitam. Por isso ele, Hugo, não poderia ser uma parte extra do mundo e tinha que estar aqui por algum motivo. Claro que tudo se encaixa. Claro que esta não poderia ser apenas mais uma história. É uma história sobre uma arte que também não está aqui por acaso. É a arte que tem o poder não só de capturar sonhos, mas de mudar vidas, conceitos e causar as mais variadas emoções de formas diferentes em cada um.

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