Valente | Crítica

Valente-poster-nacional-205x300Valente (Brave), o grande lançamento dos parceiros Disney-Pixar de 2012, é ao mesmo tempo inovador e tradicional. Tradicional por ser um épico medieval e narrar a saga de uma princesa, mais uma para o hall da Disney. Inovador pois é a primeira protagonista feminina de um longa animado da Pixar. Sim, parece absurdo, mas é verdade, até então, não havia uma personagem feminina principal em seus longas. Parecia que ninguém havia notado, mas alguém percebeu e tratou de produzir.

A princesa de Valente também inova por estar bem longe do modelo tradicional de princesas, sua batalha no filme, aliás, é contra os padrões sociais a que uma princesa deve se ajustar. Merida, a princesa, quer lançar flechas, cavalgar pela floresta com seus cachos ruivos e rebeldes soltos ao vento, comer com as mãos e escolher se quer ou não se casar.

Valente é mais um produto do sinal dos tempos, as meninas de hoje não se interessam mais em esperar passivamente pelo seu príncipe e se comportarem como bonecas de porcelana, afinal, pra que? É muito mais divertido e emocionante ir à luta, é muito mais recompensador conquistar algo com nosso esforço próprio.

Mas Merida trava uma batalha por isso, e não é com algum inimigo, mas com sua mãe, que é a representação do modelo tradicionalista de princesa. Ou seja, a batalha é entre o antigo e o moderno, mas é pano de fundo para tratar de algo que talvez nenhuma animação tenha tratado ainda, os conflitos na relação mãe e filha.

O cinema está mais habituado a mostrar conflitos entre pais e filhos, filhos e pai, mas especificamente entre mãe e filha, é mais delicado. Na psicanálise dizem que é uma relação de amor e ciúme, seja do pai, da juventude. Relação mãe e filha é sempre conflituosa, por menor grau que seja, ainda mais por ser geralmente a mãe a transmitir valores e tarefas, que recaem sempre mais rigorosas para as meninas do que para os meninos.

Bom, essa é a leitura que um adulto pode fazer do filme, para as crianças, o público-alvo, Valente é uma aventura divertida para meninos e meninas, há personagens para todos se identificarem. O visual é espetacular, a paisagem da Escócia foi replicada com perfeição, assim como o movimento dos cabelos de Merida. Pode decepcionar um pouco quem esperava uma aventura mais épica e grandiosa, como parecia nos trailers, mas ainda assim o título do filme ainda condiz muito com a protagonista, afinal, lutar contra convenções sociais e mudar seu destino talvez seja mais difícil do que enfrentar um grande urso.

P.S.: Não chegue atrasado na sessão, ou irá perder o maravilhoso curta-metragem La Luna, mais uma pequena obra-prima da Pixar, lugar das mentes mais criativas e filosóficas do cinema atual.

Cotação-4-5

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