Maroon 5 – Overexposed | Crítica

Adam_Levine_Hollywood_Reporter_6_a_pMaroon 5 deixou de ser uma banda de pop/rock pra se tornar uma banda pop-dance-hip-hop. Com Overexposed, quinto álbum da banda em 10 anos, a impressão que fica é que o grupo perdeu a identidade, e que somente deseja, a qualquer custo, emplacar o novo hit do verão. Segundo o guitarrista James Valentine, o nome Overexposed surgiu devido ao fato da superexposição do seu vocalista, Adam Levine: “A imagem do Adam estava por toda parte, ‘Moves Like Jagger‘ não parava de tocar e esse título seria no mínimo engraçado”.

A ideia que fica é que a intenção era apenas ser engraçada, e não irônica, já que cada faica do CD grita desesperadamente o desejo em se tornar um super single do verão, algo como foi Moves Like Jagger, que teve participação de Christina Aguilera. Participação aliás, é o que não falta no último álbum: Max Martin, Benny Blanco e Ryan Tedder (conhecidos por fazerem as batidas das músicas de artistas como Usher, Kate Perry, Britney Spears). Dessa forma, mal parece que existe uma banda ali, já que muitas vezes o que se percebe é somente a voz do Adam Levine acompanhada de incontáveis beats e efeitos sonoros. Mais um pouco e eu acharia que Overexposed se tratava do primeiro álbum solo do Levine. Como exemplo, basta ouvir “Love Somebody” ou “Doin’ Dirt”, músicas em que a submissão da banda em relação à remixagem fica mais clara.

Em contraponto, algumas dessas músicas ficam adequadas à voz diferenciada do vocalista. Levine sempre teve um tom mais agudo, e isso sempre se encaixou bem com as músicas do grupo, como “Through With You”, “Sunday Morning” e “This Love”, antigos sucessos da banda. Mas apesar disso ser um diferencial para o grupo, em Overexposed tudo parece exagerado demais, como se tivessem transformado a voz do Adam Levine em mais aguda do que ela já é. Isso somado aos efeitos resulta num álbum repleto de remixes. Proposta completamente diferente de Songs About Jane de 2002; “It Won’t Be Soon Before Long” de 2007 e até do criticado “Hands All Over” de 2010.

Outra característica da banda que foi deixada um pouco de lado com o último CD foi a composição das músicas, se antes o teor era explicitamente sexo como “I tried my best to feed her appetite, keep her coming every night, so hard to keep her satisfied” ou “Do you remember the way we used to melt? Do you remember how it felt when I touched you?” deu lugar a “And I remember your eyes were so bright when I first I met you, so in love that night and now I’m kissing your tears goodnight”. Mesmo a música “Doin’ Dirty” não chega perto das composições anteriores.

capa-overexposed2Temos a balada “Sad”, que vai na contramão de todo o álbum e se apoia somente na voz do Levine e no piano. Uma combinação mais que acertada e que de longe mostra-se como a melhor música do álbum, mostrando uma letra simples, mas bonita. Outra que não faz feio é “Ladykiller”, justamente por se opor ao dance que domina o álbum, da capa às participações. Parece que nessas duas faixas a banda realmente se reuniu pra gravar. Infelizmente não são suficientes pra salvar o CD, já que são exceções.

De resto temos mais do mesmo, batidas e mais batidas recheiam músicas que falam de broken-heart relationships. O ápice é “Love Somebody” que parece tudo, menos uma música do Maroon 5. Soa algo como Usher feat. *coloque seu DJ genérico aqui*, tornando-se a pior música do álbum, e quem sabe da banda (juro, ouvi elas diversas vezes pra ver se ouvia alguma guitarra, mas nada). Lucky Strike engana no começo com alguns toques de guitarra, mas em menos de 10 segundos vem as batidas e os “whoas” que um club hit precisa.

A supresa foi não ter um “feat. David Guetta” ali pelo meio, foi só o que ficou faltando. A explicação disso novamente é dada por Valentine: “Moves Like Jagger foi a primeira vez em que trabalhamos com um compositor de fora, então decidimos tentar um pouco mais isso nesse disco”. Talvez o disco funcione ao vivo sem essa pirotecnia eletrônica; a banda confirmou 2 shows no Brasil para os dias 25 e 26 de agosto, no Rio de Janeiro e em São Paulo, respectivamente. Comentarei a experiência do show do Rio de Janeiro, e aí darei o parecer final do álbum, mas por enquanto faltou personalidade na hora de criar o disco, talvez o próximo álbum deva se chamar “Underexposed”, e quem sabe assim teremos aquele velho Maroon 5 de volta.

Cotação-2-5

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