Prometheus | Crítica

Prometheus-poster-203x300De onde viemos? Para onde vamos? Existe mesmo um Deus que nos criou?

Estas perguntas já até viraram clichê, mas nunca deixarão de ser feitas, pois como afirmou Elizabeth Shaw, a protagonista interpretada com sutileza por Noomi Rapace em Prometheus, somos humanos, e portanto faz parte de nossa natureza humana estes questionamentos. Sim, importa saber o motivo de nossa existência. Mesmo que inconscientemente, procuramos por esta resposta, seja na religião, na filosofia, ou conscientemente, pela ciência.

O diretor Ridley Scott retorna ao gênero em que mais se destacou em sua carreira, com os clássicos Alien (1979) e Blade Runner (1982), e apesar de ter negado que Prometheus seja um prelúdio do primeiro, é claro que é, pois as referências estão desde a introdução, cenários, universo, até o ato final. O filme se sustenta sozinho, mas para quem é fã do original, é bom rever os ícones modernizados.

Prometheus, que na mitologia grega roubou o fogo dos Deuses para dar aos humanos e assim torná-los superiores aos animais – e foi punido por isso- dá nome à nave que leva a tripulação a um planeta distante em busca da origem da vida na Terra, que segundo a tese dos cientistas Elizabeth Shaw e Charlie Holloway (Logan Marshall-Green), seria alienígena, mas também é uma analogia à própria história. Elizabeth, apesar de sua tese pautada na ciência, ainda é uma pessoa crente em Deus, carrega sempre um colar com uma cruz e acredita que antes de tudo, Ele ainda é o grande criador, e quando as coisas dão errado, sente-se culpada por interferir em Sua criação.

Fé, ciência e ceticismo andam juntas na narrativa, este último item sendo mostrado principalmente pelos personagens Meredith Vickers, de Charlize Theron (linda, loura e gélida), e o andróide David, que Michael Fassbender dá vida de forma brilhante, comprovando (mais uma vez) porque é o ator do momento, seu personagem é o melhor do filme, com as melhores falas e responsável pelos momentos-chave.

Prometheus, assim como em Alien, também é sobre o papel da mulher no mundo, sua luta para se sobressair no mundo dos homens, sua força. Enquanto a personagem de Charlize mostra aquela mulher que para vencer tenta se igualar aos homens, Elizabeth mostra que uma mulher, com toda sua feminilidade e sentimentos, pode ser mais forte e sobreviver a tudo. A fortíssima e grotesca cena da cirurgia demonstra isso, é sem dúvida o momento mais impactante do filme.

Quanto aos efeitos visuais, estão perfeitos, com exceção da maquiagem feita para envelhecer o personagem Weyland, de Guy Pearce. Não ficou ruim, mas ainda assim ficou artificial e desnecessário (realmente não deu para entender o porquê de não escalarem um ator mais velho). Os elementos clássicos de ficção científica e terror estão lá (como mexer numa criatura estranha, é óbvio que irão se dar mal, mas sem isso não tem graça, né?). O ponto fraco da narrativa é o excesso de explicações, essa mania hoje em dia de entregar tudo mastigado ao espectador, sem dar chance dele pensar um pouco.

Prometheus promete respostas – com o perdão do trocadilho – levanta uma tese interessante e nos faz refletir, porém, ao invés de respostas, termina com mais questionamentos. Mas não é assim que a ciência evolui?

Cotação-3-5

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