Branca de Neve e o Caçador | Crítica

Branca de Neve e o Caçador posterDe tempos em tempos os contos clássicos, que já estão marcados no imaginário popular, sofrem alterações para acompanhar o momento social e cultural da época, modernizando-se para atender as exigências de um novo público. A história da Branca de Neve, que quando compilada originalmente pelos irmãos Grimm lá no século 19 trazia toda uma carga de horrores e sadismo, ganhou depois uma nova versão pela Disney, retratada com toda a inocência que se pressupunha a década de 30, e agora sofre nova atualização em Branca de Neve e o Caçador (Snow White And The Huntsman).

O filme segue basicamente a trama já conhecida. A rainha Ravenna (Charlize Theron) contrata um caçador (Chris Hemsworth) para lhe trazer a jovem Branca de Neve (Kristen Stewart), mas quando o Caçador descobre que a verdadeira intenção da rainha é matar a jovem, ele decide ajudá-la a fugir.

Rupert Sanders, estreante como diretor de cinema, capricha mais no apuro visual de algumas sequências do que no desenvolvimento da história em si. Usa o contraste óbvio para mostrar as diferenças entre a rainha Ravenna e Branca de Neve. Enquanto a maldade de uma consome as flores e a vida em si, a bondade da outra aplaca as dores e faz florescer. Talvez esteja nessa primeira metade de Branca de Neve e o Caçador o que se pode extrair de melhor do filme, culminando em uma sequência (brega, mas bonitinha) inspirada em A Lenda (aquele com Tom Cruise e direção de Ridley Scott).

Mas é justamente quando passa pelos elementos que deveriam “atualizar” a história que o roteiro de Branca de Neve e o Caçador se complica. A intenção de colocar as mulheres como figuras fortes se sobrepõe ao desenvolvimento dos personagens masculinos, que acabam se tornando meros coadjuvantes sem função (como o príncipe William de Sam Claflin, principalmente). Fica claro que a ideia é mostrar que a mulher atual não pode mais ficar esperando o príncipe encantado ou mesmo esperar que seja eterno o amor idealizado da infância.

Talvez por isso coube à Kristen Stewart, marcada por um papel no cinema onde a mocinha é uma mulher submissa, a missão de eliminar o aspecto virginal de Branca de Neve. Missão inglória que o próprio roteiro sabota, não só por colocá-la fazendo discursos motivacionais (o que revela uma limitação da atriz), mas também por não desenvolver bem a transição de mocinha ingênua para a guerreira de escudo e espada, apostando em uma solução “chosen one” sem muitas explicações.

E já que Kristen acaba sentindo um pouco o peso da responsabilidade, cabe à personagem de Charlize Theron manter digno o protagonismo feminino em Branca de Neve e o Caçador. Com uma interpretação pra lá de over, é sua rainha Ravenna a responsável por realmente fazer a atualização do mito, afinal ser heroína quando se tem todos aos seus pés é muito fácil, difícil mesmo é perseguir a juventude eterna e uma beleza impecável para atender às exigências do mercado. Se isso, então, vier como consequência de bullying na infância, pronto, não há nada mais século 21.

Cotação-2-5

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s