Não Entre em Pânico! É Dia da Toalha.

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A trilogia de quatro livros, que na realidade são cinco

 

Guia do Mochileiro das Galáxias tem uma boa definição para o Dia da Toalha.

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“Por mais relativa e confusa que seja a natureza do tempo, e por mais catastróficas que sejam as consequências gramaticais decorrentes deste fato, não faz muito tempo que viveu neste insignificante planetinha azul da borda mais brega da galáxia um mingo simpático, de nome Douglas Noël Adams, a.k.a. DNA.

Nada de muito importante há para ser dito a respeito deste glorioso dupal, o DNA, exceto talvez que numa quinta feira, numa pequena lanchonete em Rickmansworth, nosso amigo achou a verdade sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais. Era brilhante. O mundo poderia enfim se tornar um lugar bom e feliz, onde todas as coisas iriam finalmente fazer sentido. Estava tudo certo, ia funcionar, e tinha tudo a ver com toalhas.

Há muito se sabe da importância e praticidade desses fabulosos utensílios domésticos. Para um mochileiro a toalha é um objeto imprescindível e seu valor psicológico é algo inigualável (ver mais no verbete “Toalhas”). Um mochileiro que não sabe onde se encontra a sua toalha definitivamente não é um mochileiro de verdade.

Guia-do-MochileiroAcontece que o departamento de marketing da Companhia Cibernética de Sirius (maior fabricante de toalhas da galáxia, o que é muito estranho, já que toalhas não tem nada a ver com cibernética) chegou à fatal conclusão de que se a verdade descoberta por DNA fosse disseminada pelo universo isto seria terrível para seus negócios. O raciocínio era o seguinte: uma vez descoberta a relação das toalhas com o mistério da Vida, do Universo e Tudo o Mais, seu valor sem dúvida aumentaria em proporções catastróficas, ultrapassando até mesmo os relógios digitais como itens mais caros e geniais do Universo. Com o aumento exorbitante de preço o produto imediatamente se tornaria pouco competitivo no mercado, afinal de contas, quem pagaria tanto em toalhas? Desta forma isso levaria a empresa inexoravelmente à falência.

Desesperados, os empresários recorreram à instância máxima de todo o espaço-tempo, Deus, que já andava chateado com DNA desde quando ele resolveu provar sua incontestável inexistência através de um certo Peixe-Babel. Procurando em seus arquivos, o Senhor Criador averiguou que nosso amigo andava atrasado com o aluguel de seu coração, e o prazo de vencimento da conta em breve se findaria, podendo a dívida facilmente ser quitada apenas comparecendo ao compartimento 5 do porão do 10º cartório do oitavo céu. O aviso também estava postado lá, mas infelizmente Adams não chegou a tomar conhecimento.

42Ainda assim, sua teoria foi publicada e vendida em forma de séries de rádio, TV e até uma certa trilogia de quatro livros que na realidade são cinco (ou seriam na verdade seis?). Ela se tornou incrivelmente popular entre as pessoas, mas foi erroneamente interpretada como uma comédia genial envolvendo viagens interplanetárias, um livro cuja principal qualidade era ter impresso em sua capa em letras garrafais e amigáveis a frase ‘NÃO ENTRE EM PÂNICO’, um determinado Gerador de Improbabilidade Infinita, o número 42 como resposta para o sentido da vida e alguns pensamentos de uma Baleia recém-nascida.

dont-panic-630x630DNA veio a falecer numa tragédia terrível e idiota um pouco antes da sua tentativa de ser reconhecido em versão cinematográfica ser lançada. A causa-mortis foi diagnosticada como inadimplência cardíaca. Seus familiares declararam que suas últimas palavras foram ‘Até Mais, e Obrigado pelos Peixes!’

Algum tempo depois, e sem ter nenhuma relação com o assunto, a Companhia Cibernética de Sirius lançou a data do Dia da Toalha, comemorado aleatoriamente em 25 de Maio, para lançar sua nova linha de toalhas verdes, 100 vezes mais eficazes no combate contra a Terrível Besta Voraz de Traal.

O Guia do Mochileiro das Galáxias vende bem mais do que a Enciclopédia Galática.

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One comment

  1. Muito bom! Preciso ler novamente a série, para ter mais uma hemorragia cerebral com aquele desfecho no quinto livro. 

    Acho que eu consegui sentir exatamente o que o Ford sentiu, apesar de no livro apenas ser descrita uma gargalhada estérica dele, eu sei exatamente o que ele estava pensando e sentindo! 

    Curtir

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