Homens de Preto 3 | Crítica

MIB³-Homens-de-Preto-3-204x300O principal fator que fez do primeiro Homens de Preto uma comédia tão bem sucedida sem dúvida era a química fenomenal existente entre seus dois protagonistas. Muito disso se devia, obviamente, às próprias personas de seus intérpretes à época, com Tommy Lee Jones fazendo o tipo veterano carrancudo e Will Smith trazendo sua jovialidade e irreverência consagrada pela série “The Fresh Prince of Bel Air”. Pois bem, uma coisa que fica notável ao assistir este terceiro filme é que se Jones continua encarnando seu perfil com os pés nas costas, Smith parece já não apresentar mais a mesma energia e veia cômica do início da carreira.

Não que o filme não seja divertido. Tal qual o original, Homens de Preto 3 funciona como um passatempo descompromissado que entretém ao trazer o espectador de volta àquele universo onde extraterrestres se encontram infiltrados na nossa sociedade. Mas se antes o foco era no visual excêntrico das criaturas, agora o diretor Barry Sonnenfeld investe em atrativos mais conceituais, como no caso do personagem de Michael Stuhlbarg, que tem uma percepção da realidade em 5 dimensões. E certamente os fãs vão curtir as pequenas autorreferências espalhadas aqui e ali, bem como as tradicionais brincadeiras com personalidades famosas (quem piscar irá perder a piada dessa vez).

Trazendo um humor que só consegue ser eficaz em momentos pontuais (como na piada sobre racismo), Homens de Preto 3 não parece muito preocupado em buscar o riso do espectador, se contentando apenas com risinhos rasos. Por outro lado, o roteiro traz uma história bem mais interessante do que a fraca sequência de 2002, com a narrativa girando em torno da viagem no tempo de J, muito embora falhe ao não trazer respostas básicas para sua história. Afinal, por que apenas J se lembra de como as coisas eram antes da linha do tempo ser alterada? E por que K teve seu comportamento tão modificado com o que acontece no fim do longa?

Tornando-se o destaque absoluto de Homens de Preto 3Josh Brolin realiza uma caracterização perfeita como um Agente K mais novo. Brolin não só consegue captar os maneirismos e a dicção de Jones, como também é inteligente ao conferir moderada doçura, típica da juventude, ao personagem. Outro que se destaca na atuação é Jemaine Clement, que faz de Bóris um vilão grotescamente interessante.

O que nos traz de volta à Will Smith. É nítido o esforço do ator em querer soar engraçado, mas ele falha miseravelmente no propósito. Talvez tenha sido culpa do roteiro, que realmente não ofereceu tiradas tão inspiradas como os filmes anteriores, mas Smith parece não ter mais a energia necessária para encarnar o bom humor de J. Sua insistência em querer fazer seu parceiro se abrir todo o tempo chega a soar aborrecida, e o filme chega a reconhecer isso quando Brolin declara numa fala: “agora eu sei porque não conversamos muito”.

Mas isso não compromete tanto a ponto de afundar o filme. No fim, Homens de Preto 3 não é uma comédia para se acabar na gargalhada, é apenas divertido. Faltou um pouco de ousadia.

PS: Senti falta da tradicional cena de encerramento.

Cotação-3-5

 

Assista ao trailer de MIB³ – Homens de Preto 3

 

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