Game of Thrones S02E04 – Garden of Bones | Review

got-s02e04-robb-630x354Este quarto episódio da segunda temporada de Game of Thrones foi aquele que mais se distanciou do livro até agora. Não que essa falta de fidelidade altere de maneira significativa os rumos da narrativa, em certos aspectos as soluções encontradas pelos roteiristas para condensar a história até superam a obra original. Seja explorando lacunas, descartando personagens sem relevância ou antecipando acontecimentos, a série consegue realizar um trabalho de adaptação primoroso.

Já no começo Garden of Bones volta a desenvolver aquele personagem que mais fez falta em A Fúria dos Reis. Acompanhar Robb Stark em suas lutas é simplesmente essencial para a narrativa, e embora a série dê um jeito de driblar a sequência de ação (tal como George Martin costuma fazer no livro), já podemos acompanhar o início de certo romance que será crucial daqui para frente. Ao mesmo tempo a cena é bastante feliz em retratar como o Rei do Norte é movido pura e simplesmente pelo seu desejo de vingança, não tendo a menor ideia do que fazer assim que atingir sua vitória. E também como sua guerra faz pessoas inocentes sofrerem indiscriminadamente, não importando de qual lado estão.

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Mas se Robb se mostra abalado ao ser questionado frente aos horrores da guerra, seu oponente Joffrey não mostra o menor traço de compaixão ao maltratar publicamente sua pretendente. O que imediatamente abre espaço para que o centro da temporada volte a brilhar. Tyrion rapidamente vai em socorro da donzela e dá uma dura em seu sobrinho. É impressionante como o anão consegue se impor, ainda que para isso a série precise apelar diversas vezes para seu capanga Bronn, que não é lá muito intimidador (no livro, Tyrion utilizava mais seu exército de selvagens). Se impressionando com a obstinação de Sansa, o anão é eficiente também em desarticular completamente sua irmã, trazendo para si os aliados dela. Mas se é interessante sua ideia de que sexo talvez possa amenizar o pulso sanguinário de Joffrey, a verdade é que ela acaba rendendo mais uma cena dispensável. Já sabemos que o rapaz é sádico, mostrá-lo molestando prostitutas só serve para deixá-lo cada vez mais unidimensional.

E por falar em prostitutas, outra alteração que o episódio traz é levar Mindinho até os acampamentos de Renly. Ainda que a série não explique como ele sabia o local para onde teria que ir, o fato é que sua presença ali permite uma sequência de cenas interessantíssimas, onde personagens não muito explorados no livro podem enfim se sobressair. A barganha com o rei ou a conversa com Margaery, por exemplo, são diálogos que permitem não apenas ter uma leitura do casal, mas também do próprio Mindinho. A catarse se dá em sua cena com Catelyn, que além de promover um acerto de contas inexistente no livro ainda pavimenta muitas coisas que virão pela frente. E que comovente foi ver a Senhora Stark se deparando com os restos mortais de seu marido…

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Outro grande destaque de Garden of Bones são os novos cenários onde os personagens são levados. Tanto a cidade de Qart quanto Harrenhal se mostram devidamente imponentes, cada uma em seu propósito. A primeira se mostra belíssima e luxuosa para se contrapor à miséria do khalasar de Daenerys enquanto a segunda se revela devidamente decadente para abrigar o festival de horrores que é a sequência de torturas promovida por Gregor Clegane, a Montanha, e seus aceclas. E já que estamos falando do segmento de Arya, permitam-me elogiar a maneira como sua história foi condensada pela série. Ao invés de perdermos tempo com as andanças de seu bando pela floresta, os roteiristas foram logo para o que interessa. Além disso, substituir Lorde Bolton por Tywin Lannister é uma sacada genial, não apenas por dispensar mais um personagem dentre tantos, mas também por dar mais espaço para um que realmente merece aparecer mais. E foi arrepiante ver  a pequena fazendo sua oração recitando os nomes de seus desafetos!

Prenunciando um eminente combate entre os irmãos Baratheon (confesso que senti falta do pêssego de Renly), o episódio termina com uma cena sinistra que sinaliza que a série abraçará cada vez mais seu aspecto fantástico (quem pensou que a coisa parava só nos dragões se enganou redondamente). Ainda que esta cena antecipe algo que talvez tire um pouco do impacto do que está por vir, não há como negar que ela foi executada de maneira sensacional. Afinal, como diria Melisandre, “a noite é escura e cheia de horrores”. got-s02e04-melisandre

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3 comentários

    • Oi Pirra,
      Como neste episódio a série pela primeira vez tomou liberdades em relação ao material original em praticamente todos os núcleos que retratou, achei que seria relevante pautar a review neste aspecto. Além disso, é impossível para mim analisar o roteiro de Game of Thrones sem estabelecer o comparativo com os livros. Afinal é a referência dos caras também. Mas existem aspectos que dizem respeito unicamente à série que eu gostaria de abordar melhor, talvez no próximo…

      Abraços!

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  1. Obrigado pela resenha, muito boa. Estou ansioso para a próxima temporada de Game of Thrones 7 temporada, o último capítulo me deixou super animado, o tempo restante já em breve para a transmissão e que é muito emocionante! Eu acho que todo o elenco tem feito um grande trabalho, é uma das minhas séries favoritas, tem uma grande história.

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