Jogos Vorazes | Crítica

Jogos-Vorazes-199x300Em tempos de reality shows, sejam de pessoas inúteis, chefs de cozinha ou modelos, a base é a mesma, a luta pela sobrevivência até o final, superando as mais diversas provas de resistência e inteligência, e quem é eliminado, é como se morresse. Neste ponto, Jogos Vorazes leva o cerne dos reality shows às últimas consequências, é literalmente matar ou morrer, e tudo aos olhos do público, que torcem e pelos “jogadores”.

Essa é a discussão mais óbvia que o filme levanta, numa referência também óbvia a 1984, obra clássica de George Orwell, já que se passa numa sociedade futurista que, após uma revolução, a capital controla 12 distritos, que ao se rebelarem e perderem, todo ano, há mais de sete décadas, pagam um tributo enviando dois jovens, de 12 a 18 anos, para lutarem pela sobrevivência nos Jogos Vorazes, tudo controlado pelo governo e transmitido para o público.

Jogos Vorazes se preocupa em mostrar os jogos de poder e a formação de ídolos nos bastidores, que enriquecem muito o filme, abrindo ainda mais possibilidades de questionamentos, estabelecendo metáforas sobre fama e culto a celebridades. E, claro, há a ação, mas esta serve como pano de fundo, e o diretor Gary Ross, mirando num grande público para o sucesso dessa franquia em potencial, soube minimizar a violência com cortes rápidos, tirando do foco as sequências mais sanguinárias. Isso sem tirar a tensão e a emoção em algumas mortes, já que ele se preocupa em fazer o público se afeiçoar a alguns personagens secundários.

Pelo mega-sucesso que Jogos Vorazes fez em bilheteria apenas neste fim de semana de estreia, é de se esperar pela sequência, que deve vir turbinada por um orçamento maior, o que deve ajudar em melhorar os efeitos visuais, que não estavam ruins, mas junto com os cortes muito rápidos, foram o ponto fraco do filme, ao contrário da direção de arte, criativa e bonita. Já o elenco, perfeito. Stanley Tucci, Woody Harrelson e Elizabeth Banks estavam ótimos como sempre, além de todo o restante do elenco coadjuvante. Já Josh Hutcherson e Jennifer Lawrence são um parágrafo à parte.

Lawrence já tinha mostrado a que veio em Inverno da Alma e X-Men: Primeira Classe, é uma excelente atriz, que equilibra com perfeição os sentimentos de bravura, raiva e fragilidade, criando sua Katniss Everdeen cheia de nuances. Josh Hutcherson também se sai muito bem, a ambiguidade do caráter de Peeta não é percebida, e ficamos na dúvida sobre seus sentimentos por Katniss.

Comparar Jogos Vorazes com a “saga” Crepúsculo, como andam fazendo na campanha de marketing, é muito injusto, já que são histórias muito distintas, principalmente sobre suas heroínas, ao contrário da fraca e submissa Bella, que precisa sempre do Vampiro ou do Lobisomem para defendê-la, Katniss Everdeen é uma grande personagem feminina, como há muito não se via no cinema. Corajosa, inteligente e que não precisa ser salva. Ela se vira sozinha.

Cotação-4-5

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