A Invenção de Hugo Cabret | Crítica

A-Invenção-de-Hugo-Cabret-poster-202x300Hugo Cabret é um garoto órfão que vive numa estação de trem de Paris nos anos 1930, mais especificamente dentro da torre do relógio, e através das aberturas dos números do ponteiro, observa a vida naquele microcosmo da cidade Luz, como o guarda prendendo meninos de rua, o velhinho tentando se aproximar da velhinha por quem está apaixonado, mas sempre sendo atacado por seu cachorro, o interesse do guarda pela florista, e o triste dono da loja de brinquedos, da qual Hugo Cabret rouba peças para consertar um autômato (uma espécie de robô), a única coisa que restou de seu pai, um relojoeiro. E nós observamos tudo isso através dos enormes olhos incrivelmente azuis de Hugo Cabret (o ótimo ator-mirim Asa Butterfield).

Para Hugo Cabret o mundo é uma grande máquina, e como peças de uma máquina, cada pessoa tem sua função, pois máquinas nunca tem peças sobrando, portanto todos devem ter um própósito na vida, e este propósito Hugo Cabret encontrará na relação do autômato com o dono da loja de brinquedos, que tem relação com a história do cinema, que tem relação com seu pai.

E através desta história fictícia da literatura infanto-juvenil criada por Brian Selznik, o diretor Martin Scorsese faz sua grande homenagem ao cinema, tornando-se ele próprio talvez um alter-ego do personagem Georges Mèliés, este um personagem real, o primeiro cineasta a criar histórias de fantasia no cinema, ou em suas palavras, a fabricar sonhos.

Fábrica de sonhos é o maior slogan de Hollywood, a maioria de seus cineastas foram fundamentalmente influenciados por Georges Mèliés, e minha tese é de que o cinema francês contemporâneo talvez seja mais influenciado pelo cinema de seus outros conterrâneos e criadores, os irmãos Lumiére, que filmavam o cotidiano. É claro que todos os gêneros coexistem em ambos, mas enquanto o cinema norte-americano investe cada vez mais em tecnologias para colocar na tela as histórias mais fantásticas, o cinema francês é conhecido e apreciado por ficcionalizar histórias do cotidiano e suas questões humanas mais profundas.

Em A Invenção de Hugo Cabret, Martin Scorsese ao mesmo tempo em que volta às raízes com uma narrativa simples e uma história quase ingênua para os dias de hoje, tentando resgatar valores, como o da leitura para as crianças, por exemplo, usa da mais moderna tecnologia para compor o visual. O filme foi todo pensado em 3D, e a forma como as câmeras praticamente “deslizam” trazem uma profundidade que é sentida até na exibição em 2D, a movimentação de Hugo Cabret pela torre do relógio é um exemplo disso. Visualmente é um espetáculo para os olhos, fotografia e direção de arte são magníficos, desde a visão ampla de Paris vista do alto até o interior da biblioteca com seus livros empilhados.

Mas é a exibição de cenas clássicas do cinema do início do século XX que emocionam não só cinéfilos, mas que toma o público em geral, e ver como essa fábrica de sonhos funcionava mostra a todos que o cinema, seja ele cheio de efeitos visuais ou o mais pessoal, tem o mesmo objetivo, o de nos fazer ver nossos sonhos transpostos na tela.

Cotação-5-5

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